Internacional

Direto de Barcelona: A brilhante luz amarela

14 Jul 2012   |   comentários

Nada está tranquilo por toda Espanha. Atos de milhares, cortes de ruas, sirenes e confrontos com a polícia viraram cotidianos nas grandes cidades. Após os dois épicos atos protagonizados pela Marcha Negra, hoje foi a vez dos funcionários públicos e jovens das principais cidades do país se levantarem.O levante vem contra o maior plano de ajustes econômicos já feitos na história após a queda de Franco. O pacote de austeridade do PP de Rajoy, para se ter uma idéia, e quatro vezes maior que as medidas de ajuste que levaram o precedente governo de Zapatero (PSOE) a patinar. 65 bilhões "cortados" em dois anos, eis a fatia que deverá ser arrancada dos trabalhadores para que se possa salvar os bancos espanhóis. E a rapinagem não será pouca: Rajoy não quer deixe pedra sobre pedra, esta disposto a mandar às favas toda e qualquer conquista trabalhista. O décimo terceiro salário já virou lembranças de um tempo remoto. A maioria dos feriados desapareceu do calendário. O imposto sobre tudo e qualquer coisa que se consumir - como pão, leite ou caixão-, vai subir de 8% para 21%! Medidas essas para agora, já implementadas, a avalanche de austeridade esta apenas começando, cenário econômico que fazem a Espanha de ’30 cada vez mais presente.Ninguém melhor que a degenerescência burguesa chamada monarquia espanhola, para oferecer ombro amigo a Rajoy. As mãos do Rei Juan Carlos, ainda sujas de sangue e cheirando a luva de Franco, cumprimentaram todos os ministros de Rajoy um a um, sinalizando seu apoio incondicional aos recentes cortes anunciados. Gesto esse repetido pouquíssimas vezes em seu tempo de coroa, sintomático pela necessidade de fazê-lo, incomodado por ter que interromper suas emocionantes caçadas a elefantes no norte da à frica. O que me parece é que a cada declaração do governo, mais uma injeção de rebelião na veia dos espanhóis. O tempo político na Espanha está alucinante! As cidades respiram política e revolta! Se "esbarra" em grandes atos a qualquer hora que se saia para as ruas. Paredes caprichosamente decoradas com pichações de protesto. Várias manifestações de repúdio brotam espontaneamente, pessoas começam a se aglomerar e em pouco tempo já estão marchando. Nas cidades pode se sentir uma atmosfera de ódio!Absorvidos por essa atmosfera, milhares foram às ruas hoje, em todos os lugares choques violentos com a polícia "anti-distúrbio" se fizeram. Em Madri, atos estouravam por todo canto. As sedes do PP e PSOE ficaram sob fortíssima segurança policial, mas nem por isso deixaram de receber os escrachos que mereciam. Barcelona, Sevilha e outras cidades da Catalunha também tiveram suas grandes mobilizações e consequente fortes repressões. A capital Madri está militarizada. A ordem para a polícia herdeira de Franco é dispersar, bater, prender. Agora vários estão detidos ou feridos. Mesmo com essa forte truculência e repressão, ninguém se sente intimidado. O ódio aos policiais apenas cresce, é costumeiro se ouvir falar dos mais velhos "nenhum passo atras" quando a polícia avança. Ao que parece La MarchaNegra deixou seus rastros e ensinamentos, as músicas constantemente cantadas pelos mineiros “Si esto no se arregla, guerra, guerra, guerra!" agora se multiplicou por milhares de vozes, já se converteu em símbolo das mobilizações, em todos os cantos dos país se pode ouvir o chamado àguerra. No 19J um ato nacional foi convocado por todas as centrais sindicais do pais, a Espanha vai parar. Já se ouve dizer em greve geral, todos se preparam para uma grandiosíssima batalha. A luz amarela se mantém brilhante, agora são exemplo.

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