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CRISE DA PETROBRÃ S

Dilma quer privatizar a Petrobrás aos poucos

06 Mar 2015   |   comentários

O governo Dilma anunciou uma privatização parcial da Petrobrás como uma das respostas à crise da empresa. O discurso eleitoral cai por terra, atacando os petroleiros e está riqueza símbolo do país.

Um dos motivos que levou milhões de brasileiros às urnas em apoio a Dilma e ao PT era sua promessa em manter empregos e impedir privatizações, sobretudo de uma empresa símbolo do país, a Petrobrás. Muitos trabalhadores sempre esperaram que este perigo viria somente dos tradicionais inimigos tucanos ou da grande mídia. Mal passaram 3 meses no novo mandato, Dilma está fazendo justamente o oposto que prometeu: irá privatizar uma grande fatia da empresa.

No dia 2 de Março a Petrobrás emitiu um “comunicado relevante†ao mercado financeiro anunciando um “plano de desinvestimentos†no valor de US$ 13,7 bilhões (R$ 41,85 bilhões na cotação de 6/3). Desinvestimento é um eufemismo para privatização. Uma palavra para enganar os trabalhadores e fazer o que milhões não imaginavam que Dilma poderia fazer (mesmo que tivesse privatizado os maiores aeroportos do país): vender a preço de banana a riqueza que ela mesma e o PT haviam declarado que ergueria o país a novos patamares de desenvolvimento.

No mesmo comunicado ao “mercado†a empresa informa de onde sairão estas privatizações: 30% da área de Exploração e Produção no Brasil e Exterior, 30% da área de abastecimento (refinarias e terminais) e 40% da área de Gás e Energia. Uma vez que o preço do petróleo internacional está muito baixo, a empresa terá que entregar a preço de banana estes ativos. Visto que há poucos ativos internacionais vendáveis e que alcancem estas cifras propostas o maior impacto, deve-se prever, será nas termelétricas e na malha nacional de gasodutos, mas não irá se limitar aí.

Este impacto não será pequeno como algumas outras vendas de ativos que a Petrobrás já fez, normalmente de pequenos campos terrestres ou de campos marítimos ainda em desenvolvimento. Agora para alcançar estes valores Dilma e seu novo séquito na Petrobrás terão que privatizar alguma(s) unidade(s) importante(s). Estes valores representam pelo menos 6% dos ativos de toda a Petrobrás.

Esta primeira privatização de um pouco mais de um vigésimo da Petrobrás não será um passo único. Sob as ameaças dos acionistas, sob pressão de uma crise financeira criada pelo alto endividamento para projetos políticos irracionais e superfaturados pela corrupção, sob pressão política pelos escândalos de corrupção o futuro que é apontado aos petroleiros é sombrio.

Sob novas alegações de falta de caixa, sob pressão política de desastres ambientais e acidentes que o corte de custos tende a gerar, os novos neoliberais na empresa, agora não tucanos mas petistas, justificarão novas e maiores privatizações. Privatizações estas que tornarão crescentemente a empresa que é símbolo por produzir tecnologia em somente uma empresa de extração e exportação de petróleo.

Sob a antiga presidente Graça Foster os petroleiros já sofriam um corte de gastos que afetava a segurança operacional das instalações. Sob as novas ordens privatistas do banqueiro Aldemir Benedine que assumiu a empresa por ordens de Dilma já temos um corte generalizado nos contratos, na manutenção e esta declaração de privatização.

O futuro que está reservado a Petrobrás nas mãos de Dilma, de Benedine, é um de crescente privatização, precarização do trabalho dos petroleiros próprios e contratados. Os petroleiros precisam se inspirar na luta que vem sendo travada pelos professores e funcionalismo do Paraná para barrar um ataque neoliberal desferido pelo governador tucano Beto Richa. Já há mobilizações sendo marcadas, inclusive pela maior federação, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), que apoia o governo Dilma.

A FUP continuará buscando manobrar entre os interesses dos trabalhadores e o apoio ao governo, e por isto terá que alterar o chamado dos atos do dia 13 de Março tornando-os menos governistas? Como as diferentes bases petroleiras do país reagirão quando esta notícia começar a se concretizar?

Não faltam motivos para lutar contra o governo. É preciso lutar conta a privatização da Petrobrás, contra os ajustes que afetam a educação e saúde e já estão levando várias universidades a suspenderem suas aulas, para lutar contra as MPS 664 e 665 que cortam direitos no seguro-desemprego e outras áreas, para prisão e confisco dos bens de todos corruptos e corruptores nos escândalos da Petrobrás.

Porém para lutar contra o governo não podemos cair nos braços de inimigos dos trabalhadores como a oposição tucana e setores que defendem o golpe militar, que são parte dos articulistas do ato de “impeachment†dia 15 de março. A perspectiva dos trabalhadores só pode ser independente destes dois lados em disputa.

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