Questão negra

QUESTÃO NEGRA

Dia da Consciência Negra na E.E. Américo Brasiliense

05 Dec 2012   |   comentários

No último dia 23 de novembro a E.E Américo Brasiliense abriu suas portas para realizar o dia da Consciência Negra. Essa atividade que foi construída desde o início por professores e estudantes do Américo foi a expressão de que a escola deve ser ocupada por discussões, debates e atividades culturais, e foi um marco para iniciar a necessária aliança entre professores e estudantes.

O dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, é dia de lembrar dos milhões de sequestrados, torturados e mortos na escravidão brasileira e seus diversos fios de continuidade. Colocar a questão negra no centro do pensamento da juventude hoje deve servir para questionar a situação dos negros em nosso país e também para estudar e retomar a trajetória dos diversos negros e negras que lutaram por sua liberdade se enfrentando com a burguesia branca e escravocrata.

Celebrar esse dia, não como festa e sim reivindicando a resistência e luta do povo negro serve para combater a continuidade da escravidão até os dias de hoje que se expressa com o trabalho precário, a terceirização, a repressão, a humilhação e as inúmeras chacinas policiais que ocorrem cotidianamente.

Essas questões foram o eixo e deram o tom para a atividade que aconeteceu no Américo. Com uma sala de debates lotada por alunos que perguntavam, questionavam e refletiam, Letícia Parks abriu sua intervenção no debate perguntando quem eram os negros que estavam na sala, poucos envergonhados levantaram a mão, sendo que a maioria que acompanhava a discussão eram jovens negros ou pardos que pela opressão sofrida no dia-a-dia escondem sua origem e não se orgulham de fazer parte de uma tradição de luta pela liberdade. As outras falas, de membros da UJS, EDUCAFRO e de um professor do colégio objetivo, demonstraram que no seu programa não vão a fundo nas reais necessidades dos negros, respondendo ao genocídio atual e a universidade elitista com o programa das cotas raciais, como se a educação universalizada e a luta contra a PM fossem horizontes nunca alcançáveis para os negros, devendo restringir sua luta a pequenos espaços dentro das universidades elitistas e racistas.

O debate girou em torno das cotas para negros na universidade e da repressão policial tão presente em nossos dias. O resgate da história dos negros brasileiros, acompanhada pela dura realidade de uma juventude que não consegue entrar nas principais universidades do país levou a conclusão de que a luta que devemos travar é pelo fim do vestibular e da estatização das universidades privadas, o que de fato poderá democratizar a educação e abrir as portas do ensino superior para a maioria da população pobre e negra de nosso país.

Além do debate, houveram oficinas de Hip Hop, Break, Samba Rock, defesa pessoal, Grafiti, Skate e oficina de trança afro, que contou com a colaboração de Maria Rosa, moradora de Mauá com grande tradição de luta por moradia. As oficinas ficaram lotadas e todas foram organizadas pelos próprios alunos do Américo.

Dois grupos de capoeira, Regional e Angola se apresentaram e ao final um grande show com a apresentação de diversos estudantes retomou os costumes, a cultura e a luta negra no Brasil e no mundo. Uma apresentação de teatro contou a história de Rosa Parks, danças africanas foram apresentadas por alunos e até mesmo paródias de funk que contavam a história dos panteras negras foram apresentadas.

A direção da escola abriu as portas de saída as 11 da manhã e os alunos se recusavam a deixar a escola, o que aconteceu horas depois, mostrando que a escola deve cumprir esse papel e deixar com que os estudantes se expressem livremente. O Américo ainda está enfeitado com cartazes de Zumbi dos Palmares, Luisa Mahin, Revolta do Malês, Marthin Luther King, Panteras Negras, músicos e artistas brasileiros e personalidades negras em todo o mundo. Além disso, a oficina de grafiti deixou marcas que não serão apagadas, os alunos escreveram mensagens nas paredes da escola e se orgulharam da atividade que organizaram.

Esse foi um dia diferente e divertido e os alunos já começaram a pensar o que organizar no próximo ano, além disso reivindicam que mais atividades como essa sejam feitas na escola. Os alunos e professores negros se sentem fortalecidos para expressar sua pele, seu cabelo e sua história.

Artigos relacionados: Questão negra









  • Não há comentários para este artigo