México

Detidos declararam ter assassinado os normalistas, os pais exigem provas

09 Nov 2014   |   comentários

Na última sexta-feira, em uma coletiva de imprensa, Jesús Murillo Karam, titular da Procuradoria Geral da República (PGR), anunciou que os detidos pelo caso Ayotzinapa declararam ter assassinado os estudantes desaparecidos, mas esclareceu que ainda que não há identificação dos restos. Os pais dos normalistas responderam: “sem provas não aceitaremos a versão de que estão mortos†. No México, a ferida (...)

Na última sexta-feira, em uma coletiva de imprensa, Jesús Murillo Karam, titular da Procuradoria Geral da República (PGR), anunciou que os detidos pelo caso Ayotzinapa declararam ter assassinado os estudantes desaparecidos, mas esclareceu que ainda que não há identificação dos restos. Os pais dos normalistas responderam: “sem provas não aceitaremos a versão de que estão mortos†. No México, a ferida sangra.

O Procurador Geral da República, Jesús Murillo Karam fez uma reunião com pais de famílias de normalistas no aeroporto de Chilpancingo, em Guerrero. Durante a reunião se expôs aos pais que há “notícias delicadas†sobre o caso.

Patricia Reyes, o Pato, e Agustín García Reyes, dois novos detidos pelo caso Ayotzinapa, ambos membros da quadrilha Guerrero Unidos, em suas declarações informaram que eles mataram os 43 normalistas.

Os levaram ao lixão de Cocula, município guerrerense próximo a Iguala. Alguns já haviam sido assassinados, e tiraram a vida de outros no local. Segundo afirmaram os detidos, incineraram os restos e os jogaram no rio.

Além disso, Murillo Karam informou que os policiais de Iguala participaram em homicídios de mais quatro pessoas no mês de agosto.

Estas declarações foram antecedidas pela entrega de uma proposta de “reparação de danos†do PGR e da Secretaria de Governança às famílias dos estudantes desaparecidos.

A oferta do governo de Enrique Peña Nieto inclui uma indenização aos pais e atenção aos jovens no caso de encontrá-los vivos. Por sua vez, os pais lhe pedem a renúncia.

A proposta de indenização foi entregue depois que os advogados dos pais normalistas, na reunião de 29 de outubro, exigiram do governo federal a “reparação de danos†.

Entretanto, esta é a menos importante das ações exigidas do governo federal durante a reunião. A aparição dos estudantes é a maior exigência.

E, em vista de não terem notícias sobre seus filhos, os pais pediram a renúncia de EPN caso não resolva a situação: “Diante da falta de resultados na localização dos estudantes, Peña Nieto teria que considerar sua renúncia, tal como fez o ex-governador à ngel Aguirre Rivero†.

O texto entregue aos pais das famílias explica que o plano de “reparação de danos†inclui uma indenização para os parentes dos falecidos, e atenção a curto, médio e longo prazo para os normalistas sobreviventes, e “No caso de vocês, se cobrirá os gastos funerários, o pagamento de traslados, que inclui hospedagem e alimentos, para comparecer aos diversos compromissos e/ou serviços proporcionados pelas autoridades mediante a Comissão Executiva de Atenção a Vítimas†.

Se identificando ou não os restos dos estudantes normalistas, o governo está andando na corda bamba. A decomposição das instituições governamentais do México, seus partidos tradicionais PRI, PAN e PRD, associados ao narcotráfico e aos grandes empresários nacionais e estrangeiros, estão profundamente questionados, tanto pelo povo mexicano como no plano internacional.

A resposta dos pais frente àcoletiva de imprensa de Jesús Murillo Karam, desta sexta, não se fez esperar. Horas mais tarde os familiares dos normalistas fizeram sua própria coletiva em Guerrero onde afirmaram que: “Sem provas, não aceitaremos nenhuma versão; estão vivos e devem procurá-los até encontrá-los†.

“Querem engavetar (...) mas nós dizemos que os estudantes estão vivos e assim esperamos†, disse outro dos pais. Outro declarou: “é uma forma descarada de torturar os pais de família†.

Com Ayotzinapa abriu-se a caixa de Pandora mexicana, que contém todos os males do país. É muito difícil que se feche sem custos para o regime assassino do PRI-PAN-PRD.

Em Tapachula e na rodovia San Cristóbal das Casas-Tapachula, ambos em Chiapas, estudantes realizaram ações pela aparição dos 43 normalistas.
Em Oaxaca realizou-se uma jornada de apoio a Ayotzinapa no Instituto Tecnológico do Istmo e estudantes do Colégio de Estudos Científicos e Tecnológicos (Cecyte) tomaram um posto de pedágio da rodovia.

No estado de Veracruz aconteceram protestos pela aparição dos jovens durante a passagem da tocha dos Jogos Centroamericanos e do Caribe 2014. Em Xalapa, capital do mesmo estado, estudantes do ensino médio se somaram aos protestos dos normalistas e dos jovens da Universidade Veracruzana.
A luta segue. Ayotzi vive!

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