Universidade

Desvinculação do HU: Todas e Todos em Defesa do Hospital

23 Mar 2015   |   comentários

Em 26/08/14, estudantes da saúde e outros cursos da USP junto àmédicos, enfermeiras e trabalhadores administrativos do HU fizeram um grande ato em frente ao local onde ocorria a reunião do Conselho Universitário em que votaria a desvinculação do HU e HRAC e, também, a aprovação do Plano de Incentivo às Demissões Voluntárias.

A partir desse ato, a reitoria da USP foi obrigada a abrir um canal de diálogo com estudantes e trabalhadores sobre os impactos que teria na qualidade do ensino e pesquisa caso o HU fosse transferido para a gestão e financiamento da Secretaria Estadual de Saúde. Para tanto, foi criada um Comissão compostas por representantes da reitoria, um estudante e um trabalhador. Também compôs essa Comissão representantes do PROAHSA¹ , um programa de ensino de Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde oferecido pelo convênio entre a Fundação Getúlio Vargas e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Os trabalhadores do HU realizaram uma votação e elegeram Gerson Salvador, médico do Pronto Socorro, para compor a Comissão.

O objetivo do reitor Marco Antônio Zago com essa Comissão era dar uma aparência democrática ao processo de desvinculação do hospital envolvendo todos os setores da comunidade acadêmica. Entretanto, esta Comissão foi só de fachada. O PROAHSA teve acesso irrestrito ao HU e passou dias lá dentro levantando dados sem a participação dos demais membros da Comissão. Numa reunião da Comissão, no começo deste ano, os representantes do PROAHSA disseram que já ter elaborado um relatório sobre a situação do HU, mas se recusaram a passar os dados para os demais membros da Comissão, pois antes deveriam ser passados àreitoria. A elaboração deste relatório não só não teve a participação de todos os setores envolvidos como seu acesso foi negado aos trabalhadores e estudantes.

Nós, trabalhadores do HU, estamos acompanhamos de perto a triste realidade imposta pela decisão da reitoria em desmontar USP. Dentro do HU, isso significa restringir o atendimento àurgência e emergência apenas, isto é, fechou o atendimento àconsultas e tratamentos em ortopedia e oftalmologia, além de ter fechado leitos da UTI e da cirurgia (esta informação não foi dada oficialmente pela superintendência, porém estamos vendo isso ocorrer aqui dentro). Está cada vez mais difícil conseguir atendimento aqui dentro. E isso acontece numa região com quase 900 mil habitantes e um sistema público de saúde cada vez mais insuficiente, onde as unidades básicas de saúde da região já estão funcionando com horários reduzidos por causa da falta d’água e o HU é um dos poucos hospitais de referência da região.

Não podemos depositar nenhuma ilusão nesta Comissão e nessa falsa preocupação da reitoria em ser democrática. O que o Hospital Universitário precisa, assim como toda a USP, é mais investimento e contratação imediata de funcionários. Os trabalhadores da USP precisam organizar um plano de lutas e retomar todo aprendizado que tivemos com a greve do ano passado para arrancar essas demandas para manter a qualidade do ensino, do atendimento àpopulação e nossos empregos.

1 Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e Sistemas de Saude

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