Movimento Operário

PROFESSORES COMEÇAM A SE ORGANIZAR PELA BASE

Depois de 2 décadas, Oposição na Zona Norte se organiza para enfrentar o governo estadual e elege delegados com 30% dos votos contra a burocracia da Articulação-PT

08 Sep 2012   |   comentários

Nessa segunda-feira, 17/09, em todo o estado de São Paulo, realizou-se a eleição dos representantes de cada sub-sede da Apeoesp para a V Conferência Estadual da Educação. Nós, da corrente “Professores Pela Base†, conseguimos alcançar um feito histórico diante da fortaleza que é a burocracia sindical da Articulação/PT-CUT na Zona Norte da capital. Desde meados da década de 90, a oposição se emudeceu e não elegia representantes na região. No (...)

Nessa segunda-feira, 17/09, em todo o estado de São Paulo, realizou-se a eleição dos representantes de cada sub-sede da Apeoesp para a V Conferência Estadual da Educação. Nós, da corrente “Professores Pela Base†, conseguimos alcançar um feito histórico diante da fortaleza que é a burocracia sindical da Articulação/PT-CUT na Zona Norte da capital. Desde meados da década de 90, a oposição se emudeceu e não elegia representantes na região. No entanto, esse ano as coisas mudaram: serão 15 delegados da oposição, garantidos por 30% de votos.

Desde 2011, fundação da nossa corrente, temos acumulado um rico aprendizado na luta por recuperar um instrumento de luta imprescindível, como é o sindicato, das mãos da burocracia colocando esta tarefa àpartir da fundamental organização na base dos professores. O nível de desorganização da base nas escolas somado a uma relativa desmoralização advinda da quantidade de ataques sofridos nos últimos anos (criação da categoria O, lei de faltas médicas, quase nenhum reajuste salarial - quiçá aumento -, progressão continuada e etc) tem dificultado nossa tarefa. Enfrentamos um desafio que opera por convencer os professores a se livrar dessa direção traidora de maneira ativa, contrariamente a um sentimento de negação da necessidade de existência do próprio sindicato. Além do mais, a direção do nosso sindicato não é uma burocracia qualquer, mas aquela que se ergueu sob os escombros do ascenso de lutas do final da década de 70’ e começo dos 80’, levando àfundação do Partido de Trabalhadores. Hoje, esse mesmo partido da burocracia, como continuidade de sua adaptação e acordos pacíficos com o governo militar, coloca um ex-operário e depois uma ex-guerrilheira para gerenciar, “como nunca antes na história desse país†, a barbárie do capitalismo racista brasileiro; lado a lado com Sarney e Maluf (diretamente reciclados da ditadura). Foi no governo Lula, através do ministério da educação com Haddad, que se criou a lei nacional do piso e da jornada de 1/3, mas seguindo a cartilha de Dilma de repressão aos trabalhadores, Jaques Wagner (PT), governador da Bahia, cortou o ponto de milhares de professores da rede estadual por reivindicarem a aplicação da lei do piso, e pior, contratou uma empresa privada para dar aula para os terceiros anos do ensino médio, ferindo o direito de greve dos professores.

Para nossa corrente, para enfrentarmos os ataques dos governos e dos patrões e lutar contra as burocracias sindicais que barram nossas lutas, a questão primordial da classe trabalhadora é a sua unificação. Durante todo o período de neoliberalismo, a precarização do trabalho tomou proporções gigantescas e os professores não ficaram por fora disso. A separação dos professores em categorias é o eixo da política “dividir para conquistar†do governo do PSDB. Tal política se cristaliza como vitoriosa, se não nos organizarmos para impor ao governo a criação de uma única categoria: PROFESSOR! Assim como os setores de oposição e a Articulação/PT, também defendemos a estabilidade para todos, mas está só é possível com a efetivação de todos os professores temporários sem concurso público. Infelizmente, essa não é uma proposta defendida pelos setores majoritários da oposição PSTU/PSOL, o que expressa a falta de uma política concreta pelo fim das categorias.
O maior sindicato da América Latina não pode se furtar de ser um sujeito ativo na unificação das greves dos trabalhadores de todo país.

Nesse ano, foram inúmeras as greves de professores (tanto da educação básica, quanto do ensino superior). Em SP, até os setores majoritários da oposição se furtaram a encarar esse processo de maneira séria. Não se apropriaram da recomposição etária da categoria para forjar uma ala de vanguarda que tirasse lições do enorme bloqueio de lutas que é o PT, mas que também experimentasse seus músculos no trabalho de reorganização de base. Na Zona Norte - na paralisação convocada pela CNTE em março deste ano, pela jornada de 1/3 de atividades fora da sala de aula - contra a paralisia da direção do sindicato, paramos escolas junto a um comando de greve de base, auto organizado nas escolas do Jaçanã.

Numa categoria em que de 80% do quadro é feminino, a luta contra a opressão da mulher deve ser parte essencial da reconstrução da vanguarda e do conjunto da categoria. Pensando nisso, iniciamos, nos idos de 2012, o grupo de estudos “Feminização do trabalho docente†. com o objetivo de aprofundar a relação do tema da opressão contra as mulheres e com o trabalho docente e a educação, além de aprofundar em debates estratégicos sobre a luta pela emancipação das mulheres em unidade com toda a classe trabalhadora, possibilitando os avanço das professoras para que se tornem sujeitos políticos em seus lares e locais de trabalho, contra o Estado, os governos e patrões.
Em Campinas toda Oposição conseguiu eleger 16 delegados no total, sendo bastante suada esta votação pois a burocracia da Artnova conseguiu mobilizar muitos professores que foram para a Pré-Conferência sem nenhum debate político em suas escolas sobre as propostas e programa defendido em cada tese. Como o tempo de defesa de tese é curto, este método faz com que muitos dos votos se dêem pelas relações pessoais e de trabalho, sem de fato serem votos políticos. É com este método, sem organização e sem debate na base que a burocracia sindical educa a categoria. É fundamental para conseguirmos representatividade nos espaços do sindicato e enfrentar a burocracia sindical a reorganização de conjunto da Oposição em Campinas. O PSTU, entre as correntes de oposição, a majoritária na direção estadual da Apeoesp e da Oposição Alternativa, deveria ser conseqüente na organização da oposição, convocando reuniões regionais, para que possamos traçar um plano de luta para enfrentar os acordos entre a burocracia e o governo estadual como vem sendo a proposta do Plano de Carreira.

Fazemos um chamado para os setores de Oposição (organizações políticas e independentes) de Campinas nos organizarmos para debatermos idéias, organização, método e programa para combatermos em frente-única e organizarmos os professores na base para lutar contra o governo, a burocracia sindical da Artnova e por nossos direitos.
Lutar contra a burocracia para retomar o sindicato como ferramenta de luta e unificação da classe trabalhadora contra governos e patrões. E, para isso, avançar em programa, experiência de ação e fortalecimento das idéias. Essa é a direção dos ainda pequenos, mas certeiros passos da corrente “Professores Pela Base†. A votação expressiva da oposição para a Conferência Estadual é uma prova de que isso é possível

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Comunicado Professores Pela Base

Marcio Barbio, membro do Conselho Estadual da APEOESP e militante da Corrente Professores Pela Base, informa que hoje se realizou o Encontro Regional da Zona Norte Capital preparatório da Conferência Estadual de Educação, encontro esse onde a pela primeira vez em quase 30 anos a Oposição elegeu delegados, alcançando uma votação histórica de 31%. Informa também que nossa Corrente elegeu delegados também nos encontros de Campinas e Santo André.

Marcio salientou também que essa alta votação poderia ter sido ainda maior se não fosse as manobras burocráticas da Chapa1 ArtSin, PCdoB e O Trabalho, que de tudo fizeram para impedir que os professores de base participassem além de não respeitarem nem o regimentos que eles mesmos realizaram.

Em sua defesa de tese, constou ainda o orgulho de ter entre os apoiadores de nossa tese companheiros que estiveram na linha de frente da última greve, jovens professores, que apesar de ser categoria O, enfrentaram as direções das escolas e em alguns casos inclusive integrantes da direção da subsede para paralisarem suas unidades.

Por último disse ainda que agora vamos por mais, recuperar a subsede da APEOESP-Norte para os professores transformando-a em um verdadeiro instrumento de luta, organização e discussão democrática dos professores e da comunidade em geral e realizou um chamado para fortalecer o polo classista, combativo e antigovernista.

Comissão de Imprensa Professores Pela Base

17/09/12

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