Movimento Operário

USP

Depois da heroica greve de 116 dias quais são as tarefas dos trabalhadores da USP?

17 Oct 2014   |   comentários

Neste artigo, queremos partir de algumas lições desta heroica batalha de classes para preparar os próximos passos de nossa luta.

A histórica greve dos trabalhadores da USP chegou ao fim, após 116 dias, com uma inquestionável vitória, desafiando a reitoria e o governo Alckmin. Passadas as eleições, o governo e a patronal já preparam ataques para o conjunto dos trabalhadores e na USP Zago quer avançar no desmonte da universidade pública, implementando o PIDV (um plano de demissão em massas) e a desvinculação do HU e do HRAC de Bauru.

Neste artigo, queremos partir de algumas lições desta heroica batalha de classes, que sintetizamos no nosso artigo “Com grande vitória, trabalhadores da USP mostram o caminho†, para preparar os próximos passos de nossa luta.

Fortalecer o CDB (Conselho Diretor de Base) e o Sindicato para seguir a defesa da saúde! Todos ao ato em defesa do HRAC no dia 29 de outubro!

Ao contrário da velha prática dos sindicatos burocratizados, nossa greve mostrou que nossa força emana da organização dos trabalhadores a partir dos seus locais de trabalho, por isso precisamos manter as reuniões de unidade e organizar o importante ativismo que despontou elegendo novos membros para o Conselho Diretor de Base e fortalecendo a campanha de filiação ao nosso sindicato.

Extrapolamos as reivindicações salariais e levantamos em nossa greve a defesa da educação e da saúde públicas, duas demandas que os gritos de junho colocaram nas ruas, mas, com o fim das eleições, segue viva a ameaça de privatização dos hospitais e da saúde.

É somente organizados que poderemos levar a frente a maior campanha em defesa da saúde e contra a desvinculação do HU e do HRAC, preparando paralisações e ações que demonstrem ativamente a contrariedade dos estudantes, médicos e da população em relação àdesvinculação, como com o plebiscito realizado em Bauru , para não permitir que Zago e Waldyr Jorge entreguem os hospitais aos empresários da saúde.

Em defesa dos nossos empregos, do nosso direito de greve e de todos os lutadores!

Em nossa greve exigimos a abertura das contas e mais verbas para a educação e derrotamos o arrocho salarial que Zago e Alckimin queriam impor. Agora, Zago tenta iludir os trabalhadores com o PIDV, para demitir em massa, avançando na terceirização e na sobrecarga de trabalho. Precisamos por de pé uma grande campanha de boletins, cartazes, cartilhas para derrotar o PIDV.

Também fizemos valer o nosso direito de greve, revertemos o desconto nos salários e barramos a reposição de horas, libertamos Fábio Hideki e até hoje estamos defendendo a reintegração dos metroviários demitidos. Agora, estamos retomando uma forte campanha pela reintegração de Claudionor Brandão, (diretor do Sintusp demitido político do governo Serra) como parte de uma campanha pelo o direito de greve e pelo fim imediato dos processos administrativos e criminais que pesam sobre os diretores do Sintusp e do movimento estudantil!

Fortalecer o Sintusp como um polo combativo e classista

A maior parte dos sindicatos no Brasil estão com o “rabo preso†com o governo e os patrões, negociando para depois das eleições medidas como a flexibilização da CLT, demissões, e reajustes nas tarifas. Em nossa greve demos um exemplo de outro tipo de sindicalismo, nos enfrentando com os patrões e mantendo vivas as lições da greve dos garis. Este triunfo nos coloca uma maior responsabilidade, e permite que os trabalhadores do país não partam do zero para enfrentar o governo e a patronal, e possam generalizar as lições de nossa greve em cada uma de suas lutas, ao mesmo tempo em que o SINTUSP siga apoiando ativamente todas as lutas que ocorrem no país para que possam triunfar.

Chamamos todos os trabalhadores a construir conosco o Movimento Nossa Classe.

Foi como parte do despertar de centenas de trabalhadores para o ativismo, a luta de classes e a organização, que avançamos na construção de um movimento classista, combativo e anti-governista que teve seu inicio logo após a greve dos garis do RJ e hoje reúne dezenas de trabalhadores de diversas categorias. Colocamos todas as nossas forças para que este conflito triunfasse, levando nossas propostas ao comando de greve e defendendo a democracia operária. Agora queremos seguir organizados para enfrentar os patrões e o governo e chamamos todos os trabalhadores que lutaram juntos nesta dura batalha a conhecer e construir o Movimento Nossa Classe.

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