Nacional

A PRECARIZAÇÃO TEM ROSTO DE MULHER

Depoimentos sobre o Livro

06 Apr 2013   |   comentários

“A precarização tem rosto te mulher, eis o alerta, exposto em tom quase de desabafo, que marca esta importante obra. A precarização das relações de trabalho, por si, representa uma grande perversidade, na medida em que gera a diminuição de direitos e de garantias, além de uma segregação no ambiente de trabalho. Esse é um aspecto extremamente relevante a ser considerado nas análises sobre esse fenômeno jurídico-econômico. As análises, no entanto, serão limitadas quando não abordarem o caráter discriminatório, em termos de gênero, no qual se assenta a prática da terceirização. A presente obra, porque traz àtona tal problema, apresenta-se, portanto, como essencial para quem queira entender um pouco mais sobre o que se convencionou chamar terceirização†.

Jorge Luiz Souto Maior, Profa. da Faculdade de Direito da USP e Juiz do Trabalho

Em uma quadra histórica regressiva, de ataque às conquistas dos trabalhadores, de capitulação de parte das direções sindicais e operárias ao capital, resgatar uma experiência classista, de luta, de auto-organização das trabalhadoras e trabalhadores terceirizados, de combatividade traduz-se em um rico e valoroso instrumento para o projeto socialista de emancipação humana.

Maria Beatriz Abramides, Profa. do Curso de Serviço Social da PUC-SP e Diretora da APROPUC-SP

"O sindicato da USP deu oportunidade delas correrem atrás do direito delas. O sindicato do metrô deveria vir falar com a gente pra saber o que tá acontecendo e reunir todo mundo pra cada um falar um pouco da sua situação, aí as coisas iam mudar. Acho errado, um absurdo, a gente ter que pagar pra vir trabalhar. Uma mulher que trabalha ànoite tem que andar 40 minutos de chinelo pra poder pegar a perua pra vir trabalhar, porque a empresa só paga uma passagem. E eles colocam as pessoas pra trabalhar muito longe"

M., trabalhadora terceirizada da limpeza do Metrô, pela empresa Guima

"Os depoimentos de Diana Assunção (autora do livro) e Silvana (trabalhadora terceirizada) foram essenciais para demonstrar o quanto àterceirização prejudica e subtrai as forças e os direitos não somente do cidadão que vive neste precário modo de trabalho, mas principalmente da sociedade como um todo. Somado aos depoimentos o evento contou ainda com diversas expressões artísticas (como o grafite, a poesia e a música) que abrilhantaram ainda mais o evento. Em resumo posso dizer que sou uma pessoa mais consciente depois de ter passado por esta experiência! A sociedade precisa de novos pensamentos, novos lançamentos, novos movimentos. Esse é o caminho!"

J., trabalhadora efetiva do Metrô

O livro precarização tem a cara da mulher, não só como diz o titulo como eu penso a precarização e desqualificações, é um relato verdadeiro qual foi bem relatada pela escritora e parabenizo pelo único trabalho nesse sentido. Eu, que venho lutando pela sobrevivência dentro da terceirização há 11 anos, vejo apoio sincero nesse grupo Pão e Rosas sem interesse politico ou de qualquer outro sentido, que não seja pelo fim da escravidão contra a mulher e principalmente contra o capitalismo que só nos tem feito prisioneiros do sistema, e a favor do ser humano que é o único intuito valorizar. Por isso obrigado Pão e Rosas! É com um pessoal como vocês que iremos mudar nosso planeta e fazer de pessoas simples ter valorização e espaço e principalmente sonhos e respeito. Sou Shirlei Inês dos Santos por um mundo mais justo para os mais humildes, homens e mulheres.

Merendeira terceirizada da empresa EB na Prefeitura de Campinas demitida por lutar por melhores condições de trabalho e seus direitos.

A atividade de lançamento do livro a precarização tem rosto de mulher foi importante porque conta a história de trabalhadoras terceirizadas, mostrando todas as dificuldades e humilhações que essas trabalhadoras passam em seus postos de trabalho, e que muitas vezes acham normal. O mais importante foi escutar tudo isso de uma trabalhadora terceirizada de maneira simples onde todos entenderam. Seria muito importante que em todas as empresas tivessem uma Silvana lutando pelos interesses de todos os trabalhadores.

Neide - trabalhadora de creche na prefeitura Cotia

"Achei muito bom aquele dia, aquilo que a Silvana falou é a pura verdade: o patrão diz que o barco tá furado e pra gente usar nossa canequinha pra ajudar a tirar a água, mas ela não entrou nessa, não cruzou o braço, tem que ser isso mesmo, a gente tem que lutar pelo nosso direito até o fim."

V., terceirizada da limpeza da Caixa, empresa Brasanitas

"O encontro, que contou com a presença de cerca de 300 pessoas, entre estudantes e trabalhadores efetivos e terceirizados, se afirma como importante marco para a discussão e reflexão sobre uma luta que se soma a importantes exemplos para o conjunto da classe trabalhadora. Reforçando que a unificação das lutas de todos os trabalhadores, efetivos, terceirizados, precarizados, é condição fundamental ao futuro de nossa emancipação. Esta luta já faz parte da história da classe trabalhadora e, como tal, já nos fornece combustível e inspiração para as batalhas que estão por vir."

Thais, delegada sindical e cipeira da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL.

Através do livro ‘A Precarização tem rosto de mulher’ adquiri a experiência de uma luta que não pude participar, a luta que as trabalhadoras terceirizadas travaram na USP contra a precarização de suas vidas através da precarização de seu trabalho, tendo que lutar pelo mínimo: receber o seu salário. Uma das grandes lições que eu, militante na Universidade, pude tirar é a importância da aliança entre estudantes e trabalhadores; o apoio dos estudantes foi pra além de fortificar a luta das trabalhadoras, fazendo dela sua por reconhecer o absurdo de tamanha exploração, também fez com que essas trabalhadoras tivessem pela primeira vez na universidade a possibilidade de ser ouvidas e a coragem de falar para todos os estudantes dessa exploração e humilhação que sofriam diariamente caladas pelos corredores. A partir da auto-organização e com o apoio de outros setores da universidade essas trabalhadoras encontraram a única maneira de garantir seus direitos. A experiência de luta que relata esse livro é uma grande lição.

Jéssica Antunes, militante da Juventude às Ruas e Diretora do Centro Acadêmico da Letras – USP.

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