Nacional

OPINIÃO

Defender a Petrobrás da PETROBRAX e da PETROBRAS S/A

10 Feb 2015 | A defesa da Petrobrás deve começar pela luta contra a privatização defendida por setores da grande mídia e pelos tucanos. Mas não pode parar aí, deve-se enfrentar com todos os privatizadores que o PT mantém na empresa e com todos mandos e desmandos e a corrupção que tem se desenvolvido na empresa sob mando do PT. A defesa da Petrobrás está nas mãos dos trabalhadores.   |   comentários

Sob ataque da mídia e outros que querem privatizar a empresa muitos trabalhadores adotam uma posição de "defesa da empresa". Porém os inimigos da defesa da empresa não só somente os defensores da "Petrobrax", mas muito que se escondem sob os argumentos de "desenvolvimento nacional".

A Petrobrás escrita assim com acento, como em sua grafia original, antes da mudança para venda de ações, é um patrimônio do povo brasileiro. Ela é a encarnação em aço e gente de uma ideia construída sob o suor de gerações. A Petrobrás é para milhões de brasileiros, sobretudo os petroleiros, um pedacinho de orgulho de estar carregando nas costas a possibilidade de desenvolver novas tecnologias, gerar empregos, fazer o avesso do que, normalmente querem os imperialismos e suas gigantes petrolíferas.

Proliferam denúncias sobre a empresa. Coisa que nós petroleiros sabemos. Quem nunca desconfiou de alguma licitação, quem não conhece algum fiscal de contrato (dos pequenos não estes que aparecem na mídia) que cobrou o cumprimento da lei e do contrato pela contratada e foi, “de repente†, afastado do contrato por superiores, mudado de setor?

Por outro lado qual petroleiro nunca ouviu tenebrosas histórias do período FHC e do que a mídia falava da greve dos petroleiros. Este papel da mídia em 95 e em toda a história do país não permite nos chocarmos quando ela não divulga como em meio àcrise a Petrobrás conseguiu aumentar a produção, e como esta mesma mídia toma medidas para cercear a população de ter acesso a informação, como a suposta proibição na TV Globo de qualquer menção a FHC no assunto Petrobrás.

É por isto que em meio a tantas denúncias o clima que prevalece na empresa é “defesa da Petrobrás e do Brasil†. Os petroleiros como ninguém sentiram na pele o que é o neoliberalismo. Este projeto ficou encarnado na palavra Petrobrax que era o nome que o governo FHC queria dar àempresa para sua venda. Este nome significa uma brutal precarização do trabalho resultando em graves acidentes. Também significava um total desrespeito a acordos coletivos como o que havia sido assinado pelo presidente Itamar Franco e que FHC rasgou em 95 e assim empurrou os petroleiros a altiva greve de mais de 30 dias.

Lutar contra a PETROBRAX e todos que querem avançar em sua privatização é nossa primeira tarefa. Outro problema para realmente defendermos a Petrobrás e os interesses dos trabalhadores brasileiros, são os inimigos mais sutis que os tucanos.

Eles não estão vestidos de PETROBRAX mas de Petrobras S/A e de defensores de “desenvolvimento nacional†. É pela mão dos defensores de uma empresa supostamente pública e nacional, mesmo que de capital aberto, um S/A, que hoje se escondem boa parte dos privatistas de ontem.

É da mão do governo Dilma e do PT que a ingerência de uma empresa conhecida por denúncias de fraudar balancetes para ajudar em privatizações como a PricewaterhouseCoopers (PwC) é auditora da empresa (ver tópico sobre este assunto nesta matéria). É pela mão do governo que tucanos até 2001 como Sérgio Machado ficaram uma década a frente da importante subsidiária Transpetro. É sob os mandos do PT que continua toda uma corrupção que se bem não nasceu agora, ganhou proporções gigantescas.

Este lado da continuidade da privatização, da corrupção e seus agentes na empresa seria uma consequência “inevitável apesar de indesejável†de um “governo de coalizão†afirmam os mais governistas na empresa. Por isto, como faz a Federação Única dos Petroleiros (ligada àCUT e PT), aplaude-se a eleição do novo presidente Bendine para a empresa, um banqueiro governista conhecido não só por reduzir os juros do BB mas por criar inúmeras empresas mistas (os petistas dos anos 90 chamariam de privatizadas!) junto ao Bradesco.

Porém há um outro lado oculto da “empresa estatal de capital misto†que se esconde das vistas mas também é uma privatização, esta defendida pelo PT e por Dilma. A política de “conteúdo nacional†e “desenvolvimento da indústria nacional†é debaixo deste título verde-amarelo um favorecimento de bilionários e do uso político (e irracional) dos recursos nacionais. Foi assim que a Petrobrás ajudou a empreiteira Odebrecht tornar-se o monopólio Braskem (ler neste artigo a seção sobre a Braskem), é assim que intermináveis empreiteiras viraram “indústrias navais†. O custo financeiro, legal, e ilegal desta operação começa a aparecer.

Por isto é problemático que centenas de companheiros petroleiros, estejam assinando e compartilhando um manifesto escrito pela FUP em “defesa da Petrobrás e do Brasil†. Este manifesto aponta como os resultados operacionais da empresa estão sendo omitidos pela mídia e foca seu ataque nos defensores da Petrobrax.

Até aí concordamos mas o manifesto contém uma defesa das empreiteiras, como na seguinte citação do manifesto: “hoje, a Petrobrás e suas fornecedoras [as empreiteiras nota nossa], penalizadas na prática, enquanto empresas produtivas, por desvios atribuídos a pessoas físicas [o problema é tal presidente da OAS, da Camargo Correa, etc, não a empresa e seu papel histórico – comentário nosso]†. O manifesto defende a punição, “doa a quem doer†, mas não coloca nenhuma desconfiança na alta cúpula da Petrobras e defende a apuração pelo “Estado de Direito†. O mesmo “Estado de Direito†que faz juízes prenderem cidadãos que questionam sua divindade, permite os Renan Calheiros, Malufs, Collors andarem impunes, que não investiga os milhares de Amarildos mortos por agentes deste “Estado de Direito†e que, lembrem-se os petroleiros, proibiu nossa greve de 1995. Não será das mãos deste Estado que conheceremos a verdade.

Os inimigos da Petrobrás e do povo brasileiro não estão só no lado tucano e da grande mídia, na "PETROBRAX" deste conflito. Mas também nos mais ditos nacionalistas e petistas defensores do “conteúdo nacional†associado às empreiteiras (por vias legais ou de corrupção). Como argumentamosem outro artigo em um capitalismo em decadência, sob a pressão do imperialismo não há “empresa pública possível†, ou ela evolui a maior privatização (Petrobrax) ou dilapida-se a empresa em uma privatização cega, escondida, via corrupção e associação mesmo que legal com empresas ditas nacionais. E nesta esquema, sempre sobra aos trabalhadores, como agora está acontecendo com milhares de terceirizados na refinaria Abreu e Lima em Suape, Pernambuco e no Comperj, em Itaboraí no Rio, que hoje chegaram a fechar a ponte Rio-Niterói em protesto por seus salários e direitos atrasados.

A defesa da Petrobrás e dos interesses dos trabalhadores brasileiros também passa pela luta contra este projeto de “capitalismo nacional†e antes de mais nada pela desconfiança àgrande mídia, mas também aos órgãos da cúpula da empresa, do governo e do “Estado de Direito†. Por isto é preciso lutar pela abertura de todos contratos e todas as contas da empresa. Só quem tem rabo preso tem algo a temer, os trabalhadores não temos. Aí sim, as vistas de qualquer brasileiro poderíamos ter uma apuração de verdade e não às escondidas como quer a “justiça†, o congresso, as empreiteiras e seus amigos políticos.

O grande problema a avançarmos é lutarmos pela estatização de todo o ramo do petróleo, da construção do navio ao posto, e passarmos a controlar a empresa. Nas mãos do “mercado†ou “políticos ditos nacionalistas†não haverá racionalidade no uso dos recursos. Precisamos eleger representantes revogáveis e controláveis por assembleias para cada cargo na empresa. Representantes estes que não deveriam ter nenhum privilégio e receber o mesmo salário que um operador.

Para isto é preciso tirar os sindicatos de sua inércia. Exigir da FUP e seus sindicatos, mas também da minoritária e oposicionista Federação Nacional dos Petroleiros organizar assembleias nos locais de trabalho e um plano de lutas que articule a defesa da empresa, independente do governo, da mídia e dos tucanos, com a luta pelos interesses de toda a população, como a revogação das MPs que retiram direitos, contra a falta de água e luz.

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