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ARGENTINA

Declaração do PTS diante dos saques

20 Dec 2012   |   comentários

21 de dezembro de 2012

Diante dos acontecimentos em Bariloche, Rosário e alguns bairros da Grande Buenos Aires, onde ocorreram saques a supermercados e outros comércios, o PTS denuncia em primeiro lugar que estes acontecimentos são consequência de que, sobre o governo kirchnerista, uma grande parte da população – principalmente a juventude – segue vivendo em condições de extrema pobreza, sem trabalho e com empregos informal e precários. A dez anos do maior crescimento econômico de toda historia nacional, segundo as cifras oficiais, existem, na Argentina, um milhão e meio de desempregados e quase cinco milhões tem empregos precários e informal, além de que um milhão de jovens não estuda nem trabalha.

Isto se agrava pela inflação que produz o aumento da carestia de vida e afeta, em primeiro lugar, os setores mais pobres, enquanto os empresários e banqueiros seguem em clima de festa, como reconheceu a presidenta Cristina Fernandez. Enquanto que, neste momento, os artigos de luxo se vendem majoritariamente nos shoppings para alguns poucos, nos bairros populares se evidencia a cada vez mais brutal diferenciação social que produz “o modelo nacional e popular†.

Rechaçamos a repressão contra as pessoas que chegam a esta situação desesperadora e exigimos a liberdade de todos os detidos. Repudiamos as declarações macarthistas dos funcionários nacionais, encabeçados pelo chefe de gabinete, Juan Manuel Abal Medina, e o secretario de Segurança, Sergio Berni, as quais acusam as organizações sociais, sindicais e a esquerda, e clamam por repressão.

O PTS não impulsiona saques e defende os históricos métodos de luta do movimento operário, ao mesmo tempo em que compreende a situação indigente, as quais são empurradas milhares de famílias de nosso país, que as levam a tomar ações desesperadas.

Na conferencia de imprensa da CGT e da CTA opositoras, Moyano e Micheli [1]denunciaram a campanha de falsas informações levada a frente pelo governo Kirchner e sua imensa corporação midiática. Mas, conseqüentes, com a tradicional postura da direção sindical burocrática, que nos anos noventa deixou abandonados às suas sortes milhões de desempregados que se viram obrigados a desenvolver o movimento dos piqueteiros, esta vez também quem está a frente dos sindicatos dá as costas aos setores mais explorados e oprimidos da sociedade, como os milhões de trabalhadores desempregados e precarizados. Na conferência de imprensa citada, notavelmente nada foi dito sobre o aumento das passagens do transporte que acaba de impor o governo Kischner, um novo ataque ao nível de vida – particularmente das famílias mais empobrecidas do povo trabalhador. A impotência destes setores pobres é também responsabilidade da burocracia sindical.

O PTS na Frente de Esquerda defende que se deve encampar a luta por alimentos e moradia, direcionadas ao poder político e exigir: o fim imediato da repressão e a liberdade a todos os presos; entrega imediata de bolsas de alimentos em todos os bairros carentes do país, sob controle dos delegados de bairro eleitos democraticamente; anulação do aumento das tarifas do transporte; plano nacional de obras públicas, sob controle das organizações operárias para realizar as obras de infra-estrutura que precisa o povo oferecendo trabalho a centenas de milhares de trabalhadores, com um salário mínimo que seja equivalente ao custo de uma cesta familiar; justiça e castigo aos responsáveis pelos assassinatos em Rosario.

Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), na Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT)

[1CGT: Confederação Geral do Trabalho; CTA: Central de Trabalhadores da Argentina. Hugo Moyano é o secretário –geral da CGT e Pablo Micheli é o secretário-geral da CTA.

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