Movimento Operário

CONGRESSO DA APEOESP

Declaração de Professores Pela Base Campinas

24 Sep 2013   |   comentários

Veja o vídeo da intervenção de Rita Frau do Professores pela Base na plenária de tiragem de delegados em Campinas

Vitória da oposição na plenária de eleição de delegados para o Congresso Sindical da Apeoesp!

Organizar o descontentamento com a burocracia sindical na base das escolas!

A oposição em Campinas obteve uma importante vitória neste 16 de setembro, conseguindo quase 30% da plenária de eleição para os delegados do Congresso Sindical da Apeoesp. Estamos frente a um cenário de avanço das medidas autoritárias no sindicato e a tentativa de impedir, através de medidas fraudulentas, a participação da oposição e dos professores críticos a gestão burocrática que traiu nossa última greve. Os grupos sindicais que compõem a chapa 1 Artsind, Artnova, ligados a CUT e ao PT, e também o PCdoB iniciaram uma verdadeira cruzada para garantir o domínio absoluto do sindicato. Para enterrar a greve que poderia se unificar com os municipais e criar um forte movimento estadual em defesa da educação pública a diretoria majoritária, liderada por Bebel, passou por cima da decisão dos professores para satisfazer a vontade do governo Hadad (PT) e Alckmin (PSDB) de acabar com a mobilização que poderia antecipar o sentimento geral que explodiu em junho de que o conjunto do regime e dos partidos governantes são corruptos e sucateiam, precarizam e privatizam os serviços públicos como educação, saúde e transporte. A direção da Apeoesp estava tão compactuada com os acordos dos partidos e do governo que não pensaram duas vezes antes de colocar a polícia contra os professores que queriam fazer valer a decisão da assembleia.

Logo em seguida a chapa 1 iniciou uma campanha difamatória e criminalizadora contra setores da oposição, divulgando fotos de militantes nos boletins e com difamações, uma delas inclusive homofóbica, ao expor uma militante travesti do Professores Pela Base. Sabendo que a oposição contaria com uma apoio importante de professores que já reconhecem o nível de traição da burocracia sindical e de forma alguma legitimam a diretoria atual, a Chapa 1 fez questão de impedir que a oposição junto com amplo setor de professores radicais e lutadores que despertaram na greve participassem do Congresso Sindical da Apeoesp. A primeira medida foi atacar o próprio estatuto da Apeoesp e impedir que os professores com menos de seis meses de sindicalização pudessem participar como pré-delegados do congresso sindical. Depois, impediram que as atas chegassem nas escolas, complicaram os recursos que exigiam as atas substitutivas, se negavam, inclusive, que a oposição tivesse um representante no credenciamento das atas. Para intimidar a oposição se utilizou de bate paus e provocações nas distintas plenárias de eleições de delegados e chegaram a absurdos como em Campinas, onde o conselheiro estadual (Marcão) ameaçou professores com uma faca dentro da própria subsede.

Sabemos que fatos como esse mostram que a chapa 1 não está fortalecida. Pelo contrário, o repulso e a deslegitimidade deles frente a categoria é grande. Este tipo de método mostra o quão atrelado ao estado e distante dos professore se encontram. Temem que a falta de legitimidade que possuem na categoria cresça e se transforme em luta para que o sindicato esteja nas mãos dos professores. Por isso precisam se utilizar de métodos criminosos.

Em Campinas, a oposição se unificou e conseguiu expressar parte dos professores que repudiam as práticas e a política da atual diretoria da subsede (Artnova). Conseguimos impedir inúmeros empecilhos e pudemos nos expressar na plenária denunciando tanto as medidas anti democráticas quanto a política de compromisso e passividade frente ao estado. Sabemos que depois de junho muitos professores sabem que precisamos de uma nova tradição sindical para que possamos tomar nosso papel nas mobilizações contra o governo, sabemos que o caminho para conquistas foram aqueles mostrados nas mobilizações de junho e não os acordos, negociações infrutíferas, cálculos eleitorais e compromissos com nossos inimigos como são as práticas privilegiadas pela diretoria do sindicato.

Sabemos que o que vemos na Apeoesp é recorrente em outros sindicatos pelo Brasil. E sabemos que depois de junho muitos trabalhadores de várias categorias gostariam, a partir de seus locais de trabalho, tomarem as ruas como fizeram muitos junto a juventude em junho. Porém, é generalizado o sentimento de desconfiança dos dirigentes sindicais. E realmente o sindicalismo no Brasil está dominado por carreiristas que usam o sindicato como propriedade privada e como forma de estabelecer relações com a suja política dos partidos dominantes. Nós consideramos que professores, junto a demais trabalhadores, devem lutar para que os sindicatos sejam instrumentos democráticos a serviço da luta. Hoje a maioria deles são o contrário, instrumentos que passam por cima da vontade dos professores e trocam as lutas pelas negociatas com os governos e patrões.

Nós, militantes do Professores pela Base, queremos que nossa representação no congresso sindical sirva para esta batalha contra a burocracia que hoje comanda a Apeoesp. Queremos encaminhar planos de luta concretos que possam arrancar nossos direitos como a Lei do Piso (ainda não aplicada), a redução da Jornada, o fim da divisão e precarização do trabalho na escola. Precisamos também questionar profundamente a terceirização que avança nas escolas, assim como as demais políticas implementadas pelas direções que nada mais são do que as vozes do governo do Estado. Achamos que o conjunto das oposições, começando pela Oposição Alternativa (dirigida principalmente pelo PSTU) do qual participamos, deve aproveitar o momento e chamar encontros das oposições que possa mobilizar o conjunto de professores que querem lutar e estão descontentes com os rumos do sindicato. Muitos professores ainda não se identificam com a oposição ou suas correntes, mas querem se organizar e lutar. Por isso desde o final da greve temos exigido do PSTU e da Conspiração Socialista a necessidade de encaminhar medidas que possam chegar a esses professores. Entendemos que, infelizmente, essas correntes estiveram bastante adaptadas a lógica imposta pela burocracia sindical onde inexistem espaços realmente de base para expressão e organização do congresso. Isso ficou bastante explicito quando as duas correntes assinaram a tese da Oposição Alternativa para o congresso sindical da Apeoesp junto a “CUT pode mais†sem discutir com o conjunto das correntes que compõem a Oposição Alternativa. Precisamos ter medidas para que o descrédito na diretoria sindical se transforme em luta e organização ativa por nossos direitos e, também, contra a burocracia sindical e por democracia nos nossos instrumentos de luta.

Por sindicatos independentes dos governos e patrões e sem burocratas!

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