Nacional

METRÔ DE SÃO PAULO

De um lado, a corrupção! Do outro, falhas e acidentes!

11 Dec 2013   |   comentários

A denúncia feita dos escândalos de corrupção nas obras de expansão e manutenção nas linhas do Metro e CPTM em São Paulo assume cada vez mais expressão nacional. A multinacional Siemens, através de diretores provavelmente não muito contentes com sua fatia do bolo, trouxe àtona uma série de provas que confirmam envolvimento de agentes do governo tucano de 1998 a 2008 no recebimento de propinas do Consórcio, formado por outras multinacionais como Alstom, a própria Siemens, CAF, Mitsui, Bombardier e outras empresas menores. A maior parte desse esquema teria se dado no governo Serra, mas seu início remonta ao governo de Mário Covas e envolve amplo setor da cúpula tucana. Até agora, apura-se que o montante desviado nesse esquema de corrupção chega a quase R$1 bi.
O dinheiro da propina saía das contas da Alstom e Siemens no Brasil para as matrizes na Alemanha e França. Depois, os valores eram depositados em contas físicas e jurídicas em paraísos fiscais na Suíça e Uruguai. Dali era repassado, através de empresas de fachada, como suposto pagamento de consultorias, mas que na verdade eram comissões pagas para os integrantes do esquema, entre eles José Anibal e Edson Aparecido (respectivamente, Secretário de Energia e Chefe da Casa Civil do Governo Alckmin, ambos do PSDB), assim como o Senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB). Todo esse escândalo tende a ganhar ainda mais repercussão já que o PT, através de seu Ministro da Justiça Eduardo Cardozo, encaminhou na última semana o processo para o STF, como uma tentativa de tirar com foco da opinião pública da prisão dos mensaleiros petistas. Isso, claro, se o seu envolvimento com as mesmas multinacionais em mais de 33 licitações em obras do governo federal não acabar também colocando os petistas no mesmo barco dos tucanos, como já houve indícios na Bahia do governador Jaques Wagner.

Alstom e Siemens juntas já faturam mais de R$ 12,6 bilhões em contratos com o tucanato em SP. Isso representa praticamente o triplo do que o governo Alckmin investiu no Metrô na sua gestão, somando tanto as obras de expansão como “melhorias†do sistema. Além do fato de que a MITSUI, uma das empresas que integra o cartel, é uma das acionárias minoritárias (controla cerca de 10%) do Consórcio hegemonizado pela CCR que administra a L4 amarela, privatizada por meio de PPP pelo governo tucano em São Paulo.

Como contrapartida ao inescrupuloso uso das verbas públicas, as falhas e acidentes no Metrô só aumentam. A população corre risco diário, pois praticamente todos os trens da L1 e L3 foram superfaturados nas obras de reforma em mais de R$ 2 bi, quantia suficiente para comprar trens novos para toda a linha. São verdadeiras sucatas reformadas, que carregam 5 milhões de usuários todos os dias. Tragédias são anunciadas e acidentes já acontecem, com os trens reformados que abrem portas em movimento, além do caos que as falhas operacionais deixam nas estações principalmente nos horários de Pico.

Esses escândalos de corrupção envolvendo o Metrô de São Paulo proporcionam uma excelente oportunidade para que uma campanha pela estatização dos transportes públicos, sem indenização, sob controle dos trabalhadores e usuários, que garanta tarifa zero, possa ganhar corpo e se massificar. Confisco dos bens de todos os envolvidos nos escândalos de corrupção revertendo esses recursos em investimentos nos transportes! Por uma investigação independente dos escândalos, controlada pelos sindicatos e organizações populares! Cadeia aos corruptos!

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