Movimento Operário

POR UM 8 DE MARÇO CLASSISTA E ANTIGOVERNISTA

Da Copa eu abro mão, pelos direitos das mulheres contra a Dilma e o patrão!

27 Feb 2014   |   comentários

Nesse 8 de março, numa situação nacional onde as jornadas de junho mudaram o país, as mulheres jovens e trabalhadoras devem confiar em suas próprias forças para arrancar seus direitos. Milhares de mulheres saíram às ruas em junho reivindicando melhoria dos serviços públicos, pois são as que mais sofrem, cotidianamente, com as péssimas condições dos mesmos. São as mulheres também que seguem sendo violentadas todos os dias, que morrem por abortos clandestinos e por não terem acesso a um sistema público, gratuito e de qualidade, e vivem do trabalho precário como a terceirização, que “tem rosto de mulher†. Quanto mais a Copa se aproximar, mais veremos violência, tráfico de mulheres e redes de prostituição para alimentar o turismo sexual!

Dilma propõe a Reforma Política para atender as demandas de junho e a Marcha Mundial de Mulheres (MMM) leva esse desvio para dentro do movimento de mulheres defendendo a reforma política dos petistas que nada mais é do que medidas cosméticas que não mudam o caráter e antidemocrático e burguês do regime, para beneficiar o PT, sendo um dos pontos, o financiamento público das campanhas, e as feministas governistas usam esta reforma como a grande bandeira para avançar nos direitos das mulheres e combate ao machismo.

Mas a reforma política não é o grande anseio colocado, nem a principal pauta na luta pela emancipação da mulher nesse 8 de março. A MMM não quer se confrontar com a Copa do mundo preparada através do suor dos trabalhadores, repressão e mais violência contra as mulheres, pois seria questionar o governo Dilma e sua aliança com os empresários e corruptos da FIFA. Omitem que Dilma, uma mulher no poder também se utilizou da opressão às mulheres para aumentar a exploração, precarizando as condições de trabalho, sendo as mulheres as mais precarizadas e mantendo o aborto ilegal de mãos dadas com os setores reacionários, enquanto milhares de mulheres seguem morrendo.

Nós mulheres combativas, classistas e revolucionárias dizemos basta! Precisamos retomar as mobilizações de rua através de nossa organização nos locais de trabalho e estudo com independência dos patrões, governos e burocracias dos sindicatos, para seguirmos na luta por nossas demandas como saúde, educação, moradia e transporte contra a reforma política Dilma.

Neste 8 de março sairemos as ruas para gritar: Basta de violência contra as mulheres! Que esta luta seja organizada a partir dos locais de trabalho e estudo e que todo conjunto da classe trabalhadora e da juventude esteja em defesa dos direitos das mulheres. Devemos exigir o direito ao aborto legal garantido por um SUS 100% estatal sob controle dos trabalhadores e dos usuários para que não haja mais nenhuma morta por abortos clandestinos e que todas as mulheres e seus filhos tenham direito àum sistema de saúde público de qualidade. Para solucionar o problema a corrupção e o caos do transporte público e dar um fim ao assédio às mulheres, que é facilitado pela superlotação, lutemos pela estatização dos transportes, com redução da tarifa e gestão dos trabalhadores em aliança com os usuários, que são os únicos interessados no transporte àserviço da população trabalhadora! Também faremos ouvir as vozes das mulheres negras, temporárias e terceirizadas, que mais sofrem com a precarização do trabalho e chegam a morrer, como a terceirizada da empresa Higilimp Regina, no metrô de SP. Fomos parte da campanha por melhores condições de trabalho e saúde dos terceirizados no metrô a partir dessa revoltante morte. Exigimos os mesmos direitos e salários! Pela efetivação de todas as terceirizadas e temporárias sem concurso público!

É neste sentido que nós, que também integramos o Movimento Mulheres em Luta (MML), debatemos com as militantes do PSTU, setor majoritário do MML, pois corretamente denunciam a Copa do Mundo e as péssimas condições das demandas socias e suas conseqüências na vida das mulheres, mas a principal política que levam àfrente é a exigência ao governo Dilma de “mais investimentos†no combate àviolência contra a mulher e “menos dinheiro para a copa†, sem denunciar claramente que o governo não será capaz de defender os direitos das mulheres, como já demonstrou nos 11 anos de governos petistas, porque está atrelado aos interesses dos grandes capitalistas e dos setores conservadores e reacionários (igrejas, direita etc.). Esta política do PSTU está para trás do significou as mobilizações de junho, com a população obtendo conquista nas ruas, e também do próprio Encontro do MML em outubro de 2013, com mais de 2 mil mulheres, mostrando que podemos organizar milhares de mulheres nos locais de trabalho e estudo com uma política antigovernista e classista! Pedir a Dilma que deixe de privilegiar os negócios capitalistas e as alianças políticas com os conservadores e reacionários é ajudar a iludir as mulheres de que sem uma luta tenaz e incansável suas reivindicações fundamentais (não migalhas) poderão ser atendidas.
Por isso chamamos a todas as mulheres que simpatizam com a MMM a romper com o governo Dilma e forjarmos uma verdadeira unidade classista e de luta pelos direitos das mulheres, contra os governos e em defesa das demandas de junho! E chamamos as militantes do MML a que em cada cidade e estado que impulsionemos atos por um oito de março antigovernista e contra os patrões, para lutarmos contra a exploração, toda forma de opressão e contra a violência às mulheres!

Façamos ouvir nossa voz:
Da copa eu abro mão, pelos direitos das mulheres contra a Dilma e o patrão!

Basta de violência! Organizar a luta a partir dos sindicatos e locais de trabalho e estudo!
Pelo direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito! Por um SUS 100% estatal sob controle dos trabalhadores e usuários!
Basta de assédio! Pela estatização dos transportes com gestão dos trabalhadores em aliança com os usuários!
Por igual trabalho, igual salário, iguais direitos! Efetivação de todas terceirizadas sem concurso público!

VENHA COMPOR O BLOCO CLASSISTA, ANTIGOVERNISTA e ANTICAPITALISTA JUNTO AO PÃO E ROSAS, INTEGRANDO O MOVIMENTO MULHERES EM LUTA!

Estaremos nos atos do Dia Internacional das Mulheres em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campinas (SP) e Marília (SP)!

Boletim do Pão e Rosas, especial para o 8 de março, no blog: nucleopaoerosas.blogspot.com

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