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Crise sindical e a luta pela construção de um partido revolucionário no Brasil

26 Jun 2014   |   comentários

Este ano marca o início de um forte processo da classe trabalhadora brasileira, que teve como antessala as grandes jornadas de junho de 2013. Trata-se da maior onda de greves em vinte anos. Para os revolucionários analisar os processos de ruptura dos trabalhadores com o lulismo e seus agentes – os burocratas sindicais – é exercício fundamental na reflexão sobre a construção de um partido revolucionário no (...)

Este ano marca o início de um forte processo da classe trabalhadora brasileira, que teve como antessala as grandes jornadas de junho de 2013. Trata-se da maior onda de greves em vinte anos. Para os revolucionários analisar os processos de ruptura dos trabalhadores com o lulismo e seus agentes – os burocratas sindicais – é exercício fundamental na reflexão sobre a construção de um partido revolucionário no Brasil.

Primeiras rebeliões operárias contra a burocracia sindical

A revolta contra os sindicatos vendidos explode justamente naquelas categorias que contam com os sindicatos mais mafiosos. Os garis cariocas deram o grande exemplo. Outras dezenas, talvez centenas de greves seguiram seus passos. A greve dos rodoviários de São Paulo foi uma delas. Paralisou a cidade por três dias contra o acordo do sindicato com as empresas. No entanto, sem direção, sem uma organização comum entre as garagens, não conseguiram vencer.
Os sindicatos ligados ao PT e a CUT e os sindicatos ligados ao PCdoB e a CTB, são parte do governo federal. Atuam de forma diferente das máfias, mas com o mesmo objetivo de impedir que os trabalhadores se expressem de forma independente. Através das greves de pressão por salário ou PLR os sindicatos governistas desviam a insatisfação dos trabalhadores e impedem que a vontade de luta repita o que ocorreu em garis e rodoviários. Cada vez mais a luta dos trabalhadores e da juventude vai se chocar com esses aparatos que não podem suportar qualquer democracia dos trabalhadores.

Generalizar as lições das greves da USP: por um sindicalismo classista

Neste processo novas camadas de trabalhadores despertaram para a vida política. Ativistas desiludidos com as antigas derrotas e com a traição dos antigos dirigentes, voltam àluta. Como discutimos nos artigos sobre a greve do Metrô, os atuais partidos de esquerda como o PSOL, que se coloca como alternativa ao PT e ainda mais o PSTU que se reivindica revolucionário, mostraram na greve do Metrô e também nas jornadas de junho, que não servem para fazer a diferença na luta de classes, mantendo a rotina parlamentar e sindical.

Na nossa atuação como minoria do Sindicato dos Trabalhadores da USP, lutamos para forjar uma nova tradição no sindicalismo brasileiro. Nos apoiamos nos elementos de democracia operária e combatividade que o Sintusp conserva da década de 1980 para avançar. A atual greve de trabalhadores da USP, no marco da greve unificada com professores, estudantes e funcionários também da Unesp e Unicamp, pode ser um pequeno exemplo de sindicalismo classista e combativo frente ao início de uma crise da burocracia sindical.
A greve se organiza através de reuniões de unidade, assembleias gerais e um comando de greve com delegados eleitos nas unidades em greve, revogáveis. A diretoria do sindicato se dilui neste comando. Essa democracia direta permite que os trabalhadores assumam efetivamente a direção da greve alentando um forte ativismo operário. É premissa fundamental para os revolucionários exercer, na prática, a mais ampla democracia operária.

Ao longo de sua greve os trabalhadores da USP realizaram uma série de atos de rua com centenas de trabalhadores em apoio a greve dos metroviários e aos 42 demitidos. É parte das reivindicações da greve a luta contra a demissão dos terceirizados, primeiros atingidos pelo corte de verbas, partindo de que os sindicatos não abarcam nem ¼ da classe operária, por isso também só podem ser democráticos se se dirigem às amplas massas exploradas de nosso país como os trabalhadores terceirizados, em sua grande maioria negros e negras. Na greve das universidades, se coloca a questão da defesa da educação publica e no caso do Hospital Universitário, da saúde publica, medidas fundamentais para lutar por hegemonia operária dos trabalhadores sobre o conjunto da população. O comando de greve da USP fez todos os esforços, frustrados pelo boicote dos sindicatos e pela inação das oposições, na tentativa de unificar as lutas.

Da construção de alas revolucionárias no movimento operário àluta por um partido revolucionário internacionalista

A mais ampla democracia operária. Solidariedade ativa com outras categorias e unificação das lutas. Unidade com terceirizados e a luta pela sua efetivação. Incorporação das demandas populares como parte das greves. São algumas das bases que constituem nossa atuação como minoria do Sintusp e em torno das quais construímos o movimento Nossa Classe e agrupações em categorias como metroviários, garis, professores, petroleiros, bancários, na indústria em Minas Gerais, no ABC, Osasco, Campinas, Franca e outros. Atuamos nas centrais sindicais antigovernistas, como a CSP-Conlutas exigindo que estejam a serviço da luta de classes.

Na Argentina viemos avançando não só eleitoralmente mas na construção de bastiões nas principais concentrações operárias deste país. Também lançamos uma nova organização revolucionária na esquerda mexicana, o “Movimento de Trabalhadores Socialistas†, superando a barreira antidemocrática do regime burguês. Fomos a corrente que girou todas suas forças no Estado Espanhol para lutar pelo triunfo da histórica luta dos operários da fábrica Panrico. Nestes processos que interviemos, construindo alas revolucionárias no movimento operário e nos sindicatos, bem como na juventude, buscamos confluir com o mais avançado da vanguarda ativa nos momentos de luta de classes. Em cada um destes processos buscamos apresentar um programa transicional que responda a situação atual, resgatando a teoria do marxismo revolucionário, para colocar a classe trabalhadora na ofensiva.

A crise da burocracia sindical como parte da experiência das massas com o lulismo, a falência estratégica da esquerda e o surgimento de um novo ativismo operário colocam na ordem do dia a necessidade de colocar de pé uma nova organização revolucionária no Brasil. A participação em cada conflito com uma perspectiva revolucionária é a melhor forma de lutar para que triunfem. Mas para além das vitórias ou derrotas momentâneas, o fundamental é que essa prática forje alas revolucionárias. São esses operários experimentados nos processos de luta, que constituirão a base fundamental da construção de um partido de dezenas de milhares capaz de arrancar os operários da influência dos sindicatos burocráticos e trazê-los para a perspectiva da revolução socialista. Os trabalhadores que hoje questionam suas direções sindicais logo chegarão a conclusão, pela experiência histórica, de que como dizia Trotsky “as ideias e táticas do comunismo não podem estar no ar mas sim organizadas sob a forma de um partido†. Esse partido hoje deve estar pautado no mais profundo internacionalismo operário para resgatar o objetivo da emancipação de toda a humanidade numa sociedade sem classes. É para este objetivo histórico que chamamos todos os independentes que vem travando uma experiência comum a debater conosco.

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