Juventude

Corte no FIES causa revolta na PUC Campinas

03 Mar 2015 | Dia 2 de março aconteceu o primeiro ato contra os cortes do FIES na PUC Campinas a partir da informação que os alunos da universidade receberam da Comissão do FIES de que a PUCC não continuaria o vínculo com o programa. Aflitos, os estudantes organizaram um ato para exigir respostas concretas, também estiveram presentes militantes da Juventude as Ruas, e membros do CACH (centro acadêmico de ciências humanas da Unicamp). Enquanto à PUCC responsabiliza o MEC, o governo responsabiliza as universidades. O que fica claro é que apenas a organização dos estudantes pode arrancar uma solução para essa crise.   |   comentários

Dia 2 de março aconteceu o primeiro ato contra os cortes do FIES na PUC Campinas a partir da informação que os alunos da universidade receberam da Comissão do FIES de que a PUCC não continuaria o vínculo com o programa. Aflitos, os estudantes organizaram um ato para exigir respostas concretas, também estiveram presentes militantes da Juventude as Ruas, e membros do CACH (centro acadêmico de ciências humanas da Unicamp). Enquanto à PUCC (...)

Como aluna do curso de Artes Visuais da PUC Campinas através do FIES, sinto na pele a insegurança pela crise na educação que atingiu o programa. Com o corte de 7 bilhões para a educação, as condições para que as universidades participem do programa de financiamento estudantil mudaram. Agora, as universidades que aumentarem mais que 6,5% em suas mensalidades perdem o vínculo com o FIES. A PUCC aumentou 9%, ou seja, está com complicações para a continuidade no programa, e os estudantes que usavam do financiamento do FIES correm o risco de serem expulsos!

O sentimento na universidade é de profunda revolta. Grande parte dos estudantes recorrem a programas educacionais como o vestibular social, o PROUNI e o FIES. A grande maioria que solicita o financiamento são jovens trabalhadores precários, provenientes de uma educação pública fragilizada que não prepara o aluno para o vestibular e por fim, funciona como um filtro social. O Brasil vem se aproximando das políticas educacionais de países como o Chile, onde toda a educação é privada fruto de reformas profundamente neoliberais, endividando os estudantes durante décadas.

A famosa CLASSE C, tão reivindicada pelo Partido dos Trabalhadores é a classe dos financiamentos. É o carro popular financiado, a casa popular muitas vezes de programas como “Minha Casa, Minha vida†, o cartão de crédito parcelado, os cartões de lojas, de farmácia e os empréstimos. Se não bastasse todas essas condições, a educação, que deveria ser um direito, é financiada. Essa acaba sendo uma condição vista como a única para que muitos possam estudar.

O governo Dilma, que durante a polarização eleitoral se pintou de defensor das políticas públicas, como o aumento do acesso àeducação, principalmente do jovem trabalhador que pôde vislumbrar uma possibilidade de adentrar na vida universitária, agora segue os passos neoliberais cortando direitos da população para manter os grandes lucros empresariais durante a crise.

Na PUC Campinas com a incerteza da manutenção do programa, a agitação dos estudantes tem sido intensa frente a grande parcela que já recorria ao FIES e aos alunos novos que ingressam nesse semestre. Por um grupo no facebook os alunos se manifestam revoltados com um único pedido: que a PUC revogue o aumento. Essa seria a única possibilidade para acabar com a crise do FIES por hora, tornando possível a renovação dos contratos daqueles que já faziam parte do programa e a inscrição dos novos alunos.

A inscrição no programa é feita através de seu site que solicita dados do aluno, do curso e da matrícula. Ao preencher os campos do valor do semestre do curso, o sistema barra a inscrição caso o curso tenha valor superior ao permitido. Os alunos que ingressariam agora chegaram a concluir a inscrição, mas tiveram complicações na entrega dos documentos. Aqueles que já estavam inscritos não conseguiram fazer a renovação porque o sistema travava.

Desde o início do ano no período de pré-matrícula tentamos tirar respostas da comissão do FIES, que a cada momento alega algo diferente. No dia 2 de março recebemos informações de alunos que entraram em contato novamente com essa comissão que admitiu que a PUCC não continuará o vínculo com o programa. No ato, um membro do Departamento de Contas àReceber deu declarações, alegando que a responsabilidade é total do MEC e que não possuem nenhuma resposta. Os empresários lavam as mãos ao aumentar a mensalidade, mas o que não dizem que grande parte dos seus lucros vem de programas como PROUNI e FIE, e a grande questão que fica, é porque ainda jovens precisam pagar para estudar e ainda se endividarem ou serem expulsos, se já é o dinheiro público que mantem essas instituições privadas? Não deveriam ser estatizadas com a garantia de aumento de vagas e estudo para todos? Enquanto isso os boletos chegam nos e-mails dos alunos com as cobranças das mensalidades que não puderam ser financiadas, aumentando ainda mais suas dívidas.

A PUC Campinas está com uma postura de elitizar ainda mais a universidade ao expulsar os alunos que não possuem outras alternativas que não sejam o FIES. Com a organização dos alunos em seus diretórios acadêmicos, exigimos que a PUCC revogue esse aumento até os limites ditados pelo governo para que nenhum aluno seja obrigado a trancar o curso.

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