Movimento Operário

MOVIMENTO OPERÃ RIO INDUSTRIAL

Contra lay-offs, suspensões e demissões na indústria automotiva

30 Jul 2014   |   comentários

No setor industrial automotivo os estoques nas grandes montadoras estão superlotados e as patronais vêm implementando férias coletivas, lay-offs e demissões. A patronal diz que as vendas de automóveis caíram nesse ano e que não haveria como manter todos os trabalhadores em seus postos. Os sindicatos, principalmente o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (CUT), vêm atuando como uma extensão do departamento de relações trabalhistas das empresas, encampando o discurso da patronal de que não haveria outra forma que não a redução de produção, demissões por meio de PDV (Plano de Demissão Voluntária), como no caso da Mercedes Benz, onde mais de 900 trabalhadores foram demitidos “voluntariamente†, ou negociando lay-offs (que é a suspensão do contrato de trabalho). Também na Volks do ABC e de Resende (RJ) a patronal e o sindicato negociaram lay-off. Agora, a GM de São José dos Campos anunciou mais um ataque aos trabalhadores e pretende usar lay-off nesta planta da multinacional norte americana.

Nos primeiros meses do ano a superexploração dos trabalhadores foi gigantesca. A maioria das fábricas do ramo automotivo trabalhou com capacidade máxima, sem dias de folga para os trabalhadores e horas extras quase todos os dias, principalmente nas fábricas de autopeças. Nessas fábricas, houve contratações para arcar com esse aumento substancial nos pedidos das montadoras, com o objetivo de aumentar seus estoques. Com as primeiras reduções de pedidos a partir de março, começaram demissões e férias coletivas. Já os trabalhadores que permaneceram tiveram que trabalhar muito mais. Enquanto a margem de lucro do setor automotico aumenta, aumenta a chantagem sobre as costas dos trabalhadores para aceitarem trabalhar mais ganhando menos, conseguirem mais incentivos e isenção de imposto do governo, e se lambuzar cada vez mais no dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social), que é tirado da saúde e da educação. O resultado: recorde de lucros e remessas às suas matrizes no exterior.

Essa patifaria é organizada pelos patrões e corroborada por sindicatos, que, ao invés de defender os trabalhadores contra essa série de ataques patronais, colaboram com o discurso chantagista que os patrões fazem, apoiando lay-offs, PDVs, suspensões de contratos de trabalhadores. Enquanto as empresas alegam crise, seus lucros continuam enormes. É preciso articular uma luta nacional contra os ataques na indústria, começando contra a ameaça de lay-off na GM de São José dos Campos. E para que os trabalhadores não paguem pela reestruturação produtiva da patronal, é preciso lutar pela abertura do livro de contas das empresas para que os trabalhadores possam saber quanto da jornada de trabalho poderia ser reduzida sem o corte de salário e postos de trabalho. Contra lay-offs, demissões e suspensões! Por um plano de luta unificado, e que a CSP-Conlutas se coloque àfrente disso!

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