Nacional

NÃO A CHANTAGEM PATRONAL! QUE OS CAPITALISTAS PAGUEM PELA CRISE

Contra as demissões e suspensões na indústria automotiva

26 Jun 2014   |   comentários

Nos últimos meses o setor automotivo nacional vem passando por uma situação bastante particular, estoques superlotados nas grandes montadoras, férias coletivas, lay-off e demissões para o trabalhadores, a alegação dos patrões é que as vendas de automóveis caíram nesse ano, e que não haveria como manter todos os trabalhadores em seus postos de trabalho, teria que reduzir a (...)

Nos últimos meses o setor automotivo nacional vem passando por uma situação bastante particular, estoques superlotados nas grandes montadoras, férias coletivas, lay-off e demissões para o trabalhadores, a alegação dos patrões é que as vendas de automóveis caíram nesse ano, e que não haveria como manter todos os trabalhadores em seus postos de trabalho, teria que reduzir a produção. Os sindicatos vem atuando, principalmente o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (CUT), como uma extensão do departamento de relações trabalhistas das empresas, encampando o discurso da patronal de que não haveria outra forma que não a redução de produção, demissões por meio de PDV, como no caso da Mercedes Benz onde mais de 900 trabalhadores foram demitidos “voluntariamente†, ou negociando Lay-off, que é a suspensão do contrato de trabalho, como uma conquista contra as demissões.

Tudo isso acontece no ano de Copa e Eleições, onde a patronal descaradamente orquestrou uma manobra organizada para aumentar seus estoques para o período da Copa, mês que precede a volta da cobrança de IPI por parte do governo, criando assim um clima de crise utilizando todos os meios de comunicação para disseminar o medo entre os trabalhadores, para que aceitem todos os ataques que os patrões estão fazendo, e aumentar sua margem de manobra com o governo, para manter as isenções de impostos e ampliar planos de financiamento e incentivo a venda de automóveis e caminhões.
Jornadas de trabalho extenuantes

Nos primeiros meses do ano a superexploração aos trabalhadores foi gigantesca, a maioria das fabricas do ramo automotivo trabalharam com capacidade máxima, sem dias de folga para os trabalhadores e horas extras quase todos os dias, principalmente nas fabricas de autopeças, um dos elos mais débeis da cadeia automotiva, nessas fabricas houveram inclusive contratações para arcar com esse aumento substancial nos pedidos das montadoras com o objetivo de aumentar seus estoques. Com as primeiras reduções de pedidos e produção que começaram em março teve inicio um movimento de demissões e férias coletivas, por outro lado, os trabalhadores que permaneceram tiveram que trabalhar muito mais para suprir a falta do companheiro demitido, esse tem sido o cenário dentro desse ramo.
Recorde de lucros e remessas a suas matrizes no exterior

Essa pequena redução nas vendas no inicio desse ano não apenas é algo ainda praticamente irrelevante, como também era mais do que prevista por parte das montadoras que já haviam programado férias coletivas no mês da Copa, suas margens de lucro vem aumentando e principalmente suas remessas de lucro ao exterior, somente no ano passado suas remessas aumentaram 13,8% em relação a 2012. Há mais de dez anos o setor automotivo sempre fica entre os que mais remetem lucros. Apenas nos últimos quatro anos, os dividendos pagos pelas fabricantes de veículos no Brasil às matrizes atingem US$ 15,4 bilhões, levando em conta só os registros oficiais do BC. Esse valor já é quase a metade do que os fabricantes prometem investir no Brasil até 2017.

Enquanto suas margens de lucro aumentam, aumenta a chantagem sobre as costas dos trabalhadores para aceitarem trabalhar mais ganhando menos, conseguirem mais incentivos e isenção de imposto do governos, e se lambuzar cada vez mais no dinheiro do BNDES que o governo Dilma entrega para os patrões, dinheiro esse que também é dos trabalhadores.

Não podemos aceitar essa patifaria organizada pelos patrões e corroborada pelos nossos sindicatos, que ao invés de defender os trabalhadores contra essa serie de ataques patronais, colabora com o discurso chantagista que os patrões fazem, apoiando demissões por meio de PDV, suspensão de contrato de trabalhadores que inclusive estão de licença saúde. Devemos exigir que os sindicatos denunciem o que acontece no chão da fabrica e apresente uma alternativa ao terrorismo que a patronal e a mídia estão fazendo contra os trabalhadores.

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