Direitos Humanos

Contra a Ditadura de ontem e hoje: Impulsionar uma Comissão da Verdade Autônoma e Independente na USP

29 Apr 2012   |   comentários

Desde a aprovação da lei que possibilitou a criação da Comissão Nacional da Verdade em âmbito nacional, setores democráticos da universidade, em especial da intelectualidade petista e/ou simpatizantes do PT, vêm dando peso em impulsionar um comitê pela democratização da universidade que, entre outras propostas, defende a criação de uma comissão da verdade na USP e a realização de uma estatuinte para mudar a estrutura de poder arcaica que predomina desde a criação da universidade. Por concordarmos com ambas as propostas, nos colocamos por dentro desta iniciativa.

Assim como defendemos a bandeira de abertura imediata dos arquivos da ditadura militar e a punição dos responsáveis e mandantes dos crimes cometidos nesse período para de fato instaurar uma comissão da verdade e justiça em nosso país, na USP defendemos que essa comissão interna sirva para apurar e punir os mentores intelectuais e executores das ações realizadas durante a Ditadura Militar dentro da USP que teve entre funcionários, professores e estudantes, centenas de perseguidos, torturados e mortos, como no caso dos jornalistas Vladmir Herzog (professor da ECA) e Luis Eduardo Merlino (estudante e funcionário da USP), ambos assassinados nos porões do DOI-COD de São Paulo.

Ainda que possam existir diferentes interesses nos objetivos dessa campanha, achamos crucial impulsionarmos essa luta democrática pois entendemos que não se pode desassociar a repressão de hoje com a estrutura de poder antidemocrática e fundamentada nos regimentos militares até hoje, que garante a repressão e as perseguições políticas aos lutadores do ME e dos trabalhadores.
Só poderemos acabar com a ditadura de ontem e de hoje na USP, e portanto acabar com a repressão, se conseguirmos através da força de nossa mobilização conjunta desarticular a engenharia reacionária e aristocrática que encerra todo o poder na burocracia acadêmica, representada pela figura máxima do Reitor. Para nós, o absurdo regime atual deve ser substituído por um governo democrático dos três setores fundamentado em um regime tripartite com maioria estudantil, junto aos seus aliados históricos do movimento de trabalhadores organizado pelo seu sindicato Sintusp, ao lado dos professores combativos que ainda defendem um modelo de universidade pública, gratuita e a serviço da maioria da população.

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