Terça 22 de Outubro de 2019

Movimento Operário

Claudionor Brandão:

Construir uma greve unificada de funcionários e estudantes em defesa da educação pública

13 May 2009   |   comentários

JPO: Quais são os principais desafios que os trabalhadores da USP devem se colocar neste momento?

Brandão: Devemos trabalhar para fortalecer a greve, ampliando-a para novas unidades e batalhando para que os trabalhadores tenham uma participação ativa no movimento: nas assembléias, no Comando de Greve e nos atos, nos debates, nas atividades culturais da greve, no fundo de greve. Para isso, precisamos fortalecer ainda mais a luta pelas quatro reivindicações centrais que têm cumprido o papel de principais motores da mobilização, que combinam as demandas económicas com a luta contra a repressão. Ao mesmo tempo, penso que nós, funcionários da USP, que já estamos em greve, devemos discutir nas assembléias e no Comando como podemos nos dirigir aos estudantes para chamá-los a lutarem junto conosco, pois precisamos barrar o ensino àdistância que está sendo implementado pela reitoria e o governo Serra através da Univesp.

Os ataques que o Sintusp e o movimento estudantil têm sofrido por parte da reitoria e do governo Serra são inseparáveis do papel que vêm cumprido nos últimos anos em defesa da universidade pública, diante da política de privatização e sucateamento do ensino superior implementado pelos tucanos. Isso ficou demonstrado em 2007 na greve/ocupação da reitoria, quando estivemos lado a lado, estudantes e funcionários, e obrigamos Serra a recuar dos decretos que feriam a autonomia universitária e avançavam na privatização do ensino superior. A Univesp é uma outra máscara para a política que Serra queria implementar em 2007 e teve que recuar.

Por isso, os estudantes deveriam aprovar em suas assembléias a deflagração de uma greve estudantil que se unifique com nossa greve de funcionários, ligando a luta contra a Univesp àluta contra a repressão, resgatando a aliança que construímos em 2007 e que foi capaz de fazer o governo Serra recuar. Devemos dialogar com os estudantes que colocam seus estudos imediatos na frente dessa luta em defesa da universidade pública explicando a eles que é o seu próprio futuro que está em jogo. E nossa greve tem que assumir, desde já, como uma de suas principais bandeiras, a luta contra a Univesp e contra os cortes na educação. Não apenas porque a Univesp vai deteriorar as condições de ensino mas também porque o ensino àdistância vai permitir a eliminação de postos de trabalho, pois este fará com que seja necessária uma quantidade menor de trabalhadores na universidade.

Para fortalecer a aliança entre estudantes, funcionários e professores das três universidades estaduais paulistas, penso que seria importante propor ao Fórum das Seis a realização de uma Plenária aberta de estudantes, funcionários e professores da USP, Unesp e Unicamp, com representantes eleitos nas assembléias de base, para ajudar na coordenação dos setores em luta.

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