Quinta 22 de Agosto de 2019

Juventude

AS CIÊNCIAS SOCIAIS E A CLASSE TRABALHADORA

Construir o Encontro Regional de Estudantes de Ciências Sociais

24 Apr 2008   |   comentários

Durante um longo período os encontros nacionais e regionais dos estudantes de ciências sociais (CS) se dividiram entre uma ala acadêmica, que organizava e participava dos mini-cursos e palestras, e uma ala movimentista, que passava horas nos grupos de discussões e plenárias para aprovar inúmeras bandeiras que, em sua grande maioria, eram esquecidas logo após o termino dos encontros. A principal era a luta por sociologia no ensino médio, cuja aprovação e a falta de um norte estratégico para a luta dos estudantes de CS que fosse capaz de unificá-los nacionalmente, enterraram o movimento de área nos últimos anos.

Com as mobilizações estudantis desde o ano passado, a reorganização dos estudantes de ciências sociais tornou-se uma necessidade para que possamos dar uma resposta unificada aos ataques que vêm recebendo a universidade e nossos cursos. Em todas as reformas das reitorias e dos governos, o ataque vem sendo maior nos cursos de humanas. Considerados improdutivos para o capital, uma mudança geral destes cursos vem sendo arquitetada via currículos, pesquisas e até pelo fechamento.

Este foi o caso das CS da Fundação Santo André (FSA), onde mesmo depois da greve e ocupação do ano passado, o reitor Odair Bermelho fechou os cursos da FAFIL, dentre eles o de CS, para colocar de uma vez por todas a FSA a serviço dos grandes capitalistas que exploram a região do ABC (muitos deles representantes de multinacionais conhecidas) e fechar as portas para os trabalhadores. Isso coloca ainda mais importância deste ERECS que está sendo preparado para ocorrer na FSA.

Na FSA se expressam as contradições das universidades brasileiras, porém com importantes particularidades. Dentre estas, está a sua elevada composição operária. Não poderia ser diferente, estando numa região de concentração de trabalhadores como é o ABC. Porém, dentro da FSA esta composição é dividida entre os cursos ditos “produtivos†para as grandes empresas capitalistas da região, como as engenharias, em que os operários entram na universidade a partir dos convênios que a reitoria estabelece com as empresas. A outra parte dos estudantes operários, fugindo destes cursos - porque não conseguem pagar ou porque não querem se adequar a lógica do capital -, vão compor os cursos de humanas. Foi por isso que os estudantes da FSA propuseram, e foi aprovado no Conselho Regional de Estudantes de Ciências Sociais, como tema do encontro “As Ciências Sociais e a classe trabalhadora†.

Num momento em que a perspectiva de uma crise económica mundial, se soma aos primeiros passos da classe trabalhadora como protagonista de lutas, depois de uma década de ofensiva política e ideológica da burguesia, o debate sobre a situação da classe trabalhadora hoje e o seu papel na transformação radical da sociedade é crucial. Principalmente porque, nas duas ultimas décadas, inúmeros teóricos e escolas se apressaram em decretar o fim da centralidade operária e da vigência do marxismo. Caberá ao movimento estudantil instigar novamente esta discussão, lutando contra as ideologias burguesas e anti-operárias dentro das universidades, ao mesmo tempo em que lutamos contra os ataques àeducação e por sua transformação.

É por isso que nós da LER-QI queremos, junto aos independentes da FSA, organizar um encontro que rompa as velhas lógicas de separar as discussões teóricas e políticas. Os estudantes de CS necessitam dar uma resposta àatual crise da sociedade burguesa no âmbito teórico e prático, já que para nós estas duas esferas estão combinadas.

Maíra Viscaya é estudante de Ciências Sociais da Fundação Santo André

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