Nacional

SOBE O PREÇO DAS PASSAGENS EM BH E REGIÃO METROPOLITANA

Confiar na força da luta unificada!

16 Jan 2015   |   comentários

A média do aumento nas linhas de BH é de 8,5%. Enquanto a média do aumento da região metropolitana é de 12,8%. FOTO: UOL

No dia 27 de dezembro do ano passado as passagens de ônibus aumentaram. O presidente da BHTrans assinou a portaria que aumentou as passagens em BH de $2,85 para $3,10 na maior parte das linhas, e com aumento médio de 8,5% nas diferentes linhas da cidade. Junto com essa medida, o prefeito Márcio Lacerda (PSB) e o governador Fernando Pimentel (PT) aumentaram também as tarifas dos ônibus intermunicipais, que rodam pela Região Metropolitana de BH; estas linhas tiveram uma média de 12,8% de aumento no preço. Os dois aumentos são muito acima da inflação, que em 2014 ficou em 6,41%. No dia 9 de janeiro, o aumento nos ônibus suplementares, que rodam apenas na cidade de BH, foi suspenso pelo Tribunal de Justiça (TJMG) com a justificativa que o aumento periódico havia sido feito na data errada, atrasado. Além disso, há também uma ação do Ministério Público na justiça que pede a suspensão de todos aumentos nas passagens por 30 dias, para que seja avaliado novamente o aumento, pois a fórmula usada para o cálculo das empresas e da prefeitura foi mal aplicada e o valor pode ser superior ao “correto†. Apesar de tudo isso, na maior parte das linhas o aumento continua valendo.

Para Márcio Lacerda e Pimentel, a BHTrans e os empresários das máfias do transporte, a mobilidade, um direito de toda população, deve estar completamente determinado pelos interesses de lucro de uns poucos capitalistas. As contas das empresas são secretas, o que contraria as leis e o contrato entre a prefeitura e as empresas. O judiciário, que acabou de suspender o aumento, nada diz sobre esta ilegalidade. Uma auditoria concluiu no início de 2014 que as empresas haviam lucrado 53,4 milhões de reais em quatro anos. A incorporação do sistema MOVE que gastou milhões do dinheiro público, reduziu a frota e também os gastos por parte das empresas, que em nada se reverteu em redução das passagens.

Os empresários querem, com o aval dos governantes, da BHTrans e dos juízes e desembargadores, passar mais um aumento neste ano, aumentando seus lucros enquanto os trabalhadores e a juventude enfrentam grandes dificuldades para pagar as passagens, sofrem com a superlotação e com as más condições, enquanto as mulheres sofrem cotidianamente com os assédios facilitados pelos ônibus cheios muito acima da capacidade. Os lucros exorbitantes destes grandes empresários devem ser ainda maiores do que mostram as auditorias e as prestações de contas públicas, porque todos estes mecanismos são controlados pelos próprios empresários e pelos altos funcionários da BHTrans e da prefeitura.

No início deste mês manifestações espontâneas fecharam avenidas em BH por melhores condições no MOVE. Em seguida, a manifestação convocada pelo Tarifa Zero na última sexta-feira reuniu 1000 pessoas contra o aumento das passagens. Na quarta-feira (dia 14) cerca de 50 pessoas fizeram um protesto na estação de ônibus de Justinópolis pelos mesmos motivos. O que se pôde ver em todas estas manifestações é como a luta por transporte público e de qualidade recebe um apoio imenso dos trabalhadores e da juventude.

É possível e necessário unificar a luta contra o aumento em toda Região Metropolitana de BH. Unificar a juventude, os trabalhadores e todos que querem lutar contra o aumento. Por isso, nós lutamos pela estatização do transporte sob gestão dos trabalhadores e usuários, contra os lucros dos empresários e contra a gestão dos políticos e funcionários corruptos e “amigos†das empresas. Diferente do Tarifa Zero, que é um projeto de lei municipal, que portanto não seria vigente a toda a região metropolitana, em que a tarifa é zerada em base a subsídios públicos às empresas, acreditamos que devemos lutar pra tirar das mãos destes parasitas o transporte público, e que a luta contra o aumento deve se inserir neste marco, buscando confiar somente nas forças dos trabalhadores, que vêm protagonizando diversas greves, da juventude e de todo o povo.

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