Juventude

Como massificar os atos contra o aumento em Campinas? Um debate com os coletivos e com a juventude da cidade

29 Jan 2015 | O ano de 2015 já começou cheio de ataques vindos dos governos federal, estadual e municipal. Em todo o país, como se junho nunca tivesse existido para os governantes, as tarifas de transporte foram “ajustadas†a um nível insuportável para o bolso dos trabalhadores e da juventude.   |   comentários

O ano de 2015 já começou cheio de ataques vindos dos governos federal, estadual e municipal. Em todo o país, como se junho nunca tivesse existido para os governantes, as tarifas de transporte foram “ajustadas†a um nível insuportável para o bolso dos trabalhadores e da juventude.

Em São Paulo, Haddad do PT empurra os R$3,50 goela abaixo na população em parceria com a repressão da polícia de Alkimin, tentando manobrar e dividir a juventude com uma forcinha da UNE. Aqui em Campinas, a prefeitura do PSB de Jonas Donizete, que no final do ano concedeu a meia passagem universitária, em janeiro decretou os R$3,50. Uma acariciadinha pra amansar a juventude universitária e uma facada no estomago da população trabalhadora. Em todo país foram organizadas manifestações contra o aumento, uma luta que segue em aberto. Aconteceram dois atos na cidade, convocados via facebook pelo recém-nascido Movimento Passe Livre de Campinas (MPL), sendo que o último terminou em conflito entre os manifestantes.

No dia 22, ainda na concentração do ato, aconteceu uma assembleia para decidir o trajeto. O MPL, a Unidade Vermelha e o coletivo Juntos! defenderam que o ato fosse até a Transurc, como ação simbólica contra a empresa, que vem destruindo o transporte coletivo campineiro junto ao governo municipal. Nós da Juventude ÀS RUAS e as demais organizações e entidades defendemos que o trajeto terminasse em frente ao Terminal Central, já que a Transurc estava fechada e no terminal poderíamos ter uma melhor visibilidade e diálogo com a população. Feita a votação que elegeu a segunda proposta o ato seguiu seu curso aos gritos de palavras de ordem com denuncias aos governos e exigência de um transporte público de qualidade controlado pelos trabalhadores e usuários. Chegando ao terminal houve uma cisão entre ativistas que exigiam que todo o ato entrasse no terminal e aqueles que queriam cumprir a deliberação da assembleia. Nesse momento militantes da Unidade Vermelha, que compõe o MPL, abaixaram a força a bandeira da ANEL e isso gerou um tumulto com empurra-empurra que só terminou com a dispersão do ato. Repudiamos qualquer tipo de agressão ou ameaças feitas a qualquer manifestante presente, e não legitimamos nenhuma opressão! Diante das denúncias defendemos a organização de uma comissão independente e democrática organizada pelo movimento para averiguá-las.

A saída da juventude em junho de 2013 conquistou mobilizações massivas (e já aí não sem contradições) que derrotaram o governo e impuseram a revogação do aumento das tarifas em diversas cidades do país. Desde Junho vínhamos discutindo a importância da organização da juventude desde as escolas e universidades, a partir de comitês democráticos para avançar num programa para vencer. Quando o governo tentou dividir o movimento entre “vândalos†e “manifestantes†e buscou criminalizar a juventude, defendemos todos, inclusive os Black Blocs, contra a repressão policial. Por isso não compactuamos com o sectarismo das organizações, como o PSTU, que não conseguiram entender o novo ativismo de juventude surgido após junho, sendo incapazes de dialogar e atuar com esse setor. Contudo também não compactuamos com métodos burocráticos de querer atropelar as decisões democráticas, ou de violência física contra outros manifestantes ou, ainda, as tentativas de impedir que as organizações políticas levem suas bandeiras. Esse tipo de cisão só enfraquece nossa mobilização e fortalece nossos reais inimigos, os empresários do transporte e os governos.

Acreditamos que é preciso massificar nosso movimento, organizando-o democraticamente através dos comitês de base. Com a volta às aulas na rede estadual vamos todos às escolas e bairros, mobilizar a juventude da cidade para uma luta contra os governos que se aliam às grandes empresas para transformar nossos direitos em mercadoria. Chamamos a toda a juventude para uma grande luta por um transporte público acessível e de qualidade a toda a população!

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