Juventude

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

Como combater a crise da UERJ

14 Jan 2015 | 2014 ainda não era um ano de cortes de recursos mas sofremos os ataques e a precarização na UERJ. 2015 será um ano de cortes no orçamento, afetando ainda mais a qualidade de nosso ensino e as condições de trabalho na UERJ   |   comentários

Incêndios, falta de energia, de água, atraso nos salários de terceirizados, atrasos nas bolsas. A precarização na UERJ se agrava com a crise financeira do Rio. Mas também está surgindo um movimento de resposta à crise da UERJ.

O que 2014 nos deixa de lições para 2015

2014 foi mais um ano de atrasos nas bolsas (com valor insuficiente), filas intermináveis nos campi onde há bandejão, falta de luz e água constantes, faltam creches e bandejão em outros campi. A crise não afeta apenas os estudantes: o enorme déficit na contratação de professores faz com que tenham a carga horária estendida em condições de trabalho extenuantes, e também são cotidianos os atrasos dos salários dos terceirizados que já enfrentam uma condição super-exploratória de trabalho. Tudo isto em um ano apertado, com um calendário letivo estendido, planejado pela reitoria para punir o movimento grevista de 2012.

2014 também foi o ano em que a UERJ foi sacudida pela vitoriosa greve das terceirizadas da CONSTRUIR. Nesta luta contra a REItoria, o governo do estado e a empresa (os de cima), os trabalhadores contaram com o apoio ativo de estudantes, com métodos de piquetes, mobilização e atos, que conseguindo dar destaque àsua luta e às injustiças que sofrem, fazendo Pezão e o reitor Vieiralves retrocederem no calote e pagar a empresa, que fez o repasse dos salário aos terceirizados atrasados em dois meses. Agora enquanto, escrevemos esta nota estas se encontram novamente com os salários atrasados, além dos seguranças e trabalhadores da manutenção mostrando que a REItoria, continuará atacando os trabalhadores terceirizados. Precisamos nos organizar juntos aos terceirizados para o pagamento imediato dos salários.

Mais de 200 estudantes fizeram um ato em 17/12, fechando a Rua Francisco Xavier, porque entenderam a importância de apoiar aos trabalhadores, contra a reitoria que havia mandado fechar a UERJ, expulsando estudantes, trabalhadores e professores às escuras, com as luzes do prédio desligadas. Gritaram em alto e bom som “todo apoio aos terceirizados, pagamento imediato dos salários pela reitoria†. Um ato em pleno dezembro, quase véspera de Natal, em defesa dos trabalhadores terceirizados e as várias iniciativas de solidariedade, são algo raro no movimento estudantil nacionalmente e uma mostra do novo ME que surge na UERJ.

A reitoria e o governo é que são a crise na UERJ

Vieiralves é parte da casta de políticos privilegiados do Estado do Rio, com a função de implementar os projetos de precarização de seus aliados políticos dentro da universidade. Por isso também precisa manter as rédeas e o controle político do que acontece “em sua casa†, trancando e mandando desligar suas luzes e governando a UERJ por decreto. O REItor concentra em suas mãos as decisões de toda a universidade, defendendo os seus interesses e de seus aliados (PT/PMDB) contra os interesses dos estudantes, dos professores e dos trabalhadores da UERJ.

O governador escolhe, dentre os três mais votados, quem virá a ser REItor, um troca-troca de favores, escolhendo um que será o pau-mandado de sua política na Universidade incluindo-o nas negociatas com grandes empresários, como foi o aluguel da universidade para a FIFA e a Globo e como é diariamente com diversas empresas de serviços menos conhecidas, sem contar os super-salários e benefícios e corrupção como o escândalo dos funcionários fantasmas dos 2 filhos da Benedita da Silva, que receberam mais de 100 mil num ano.

Se antes o REItor já usava o conto do “déficit orçamentário†para não pagar os terceirizados, agora que Pezão anuncia que vai cortar todos orçamentos em 35%, vai usar esta história como para justificar os cortes e precarizar mais ainda a universidade. Vieiralves já provou inúmeras vezes que é incapaz de gerir o orçamento da UERJ, por isso exigimos que as contas da universidade sejam abertas para sabermos para onde foi e vai cada centavo gasto na UERJ!

Fora Vieiralves, abaixo os cortes e precarização de Pezão!

Ano passado foi apenas o ensaio perto do que está sendo preparado para UERJ neste ano. 2015 começa com o anúncio de Pezão, que irá cortar gastos de todas as pastas do estado, pela baixa arrecadação de royalties do petróleo, cujo preço cai vertiginosamente. Isto quer dizer que, além do veto aos 6%, a UERJ e o toda a educação terá seu orçamento reduzido com o anúncio dos cortes de 35%.

Quando não havia uma crise orçamentária consolidada como esta, sobrava dinheiro para os empresários amigos da turma PT/PMDB e faltava para creches, bandejão e bolsas decentes e a roubalheira deles passava batida; agora que a arrecadação do estado diminuiu, vão se unir para arrochar os trabalhadores e professores, cortar as bolsas e terminar de sucatear a universidade. Falam demagogicamente em apertar os cintos, porque o deles está garantido, e jogam nas costas de estudantes, trabalhadores e professores a conta da crise que eles mesmos criaram.

Os cortes na UERJ virão diretamente da mão do REItor sócio de Pezão, e para responder a estes ataques é necessário organizar de forma muito mais ampla e superior o movimento estudantil como o que deu as caras em dezembro de 2014, para barrar os ataques que também serão mais fortes. As entidades estudantis (CAs) devem estar àserviço disto organizando assembléias em todos os cursos para barrar estes ataques. É obrigação do DCE, assim como da Asduerj e do SINTUPERJ também.

Se com a greve das terceirizadas Vieiralves decretou o trancamento e o apagão da Universidade expulsando todos para fora, com o aprofundamento dos cortes a REItoria deverá mostrar sua cara mais autoritária, por isso, mais do que nunca, é necessário arrancá-lo de seu trono na luta para barrar os ataques de Pezão.

Democratizar radicalmente a UERJ para impor nossas demandas

É a estrutura do Reitorado que produz estes gestores da precarização e do sucateamento. Seja o descaradamente autoritário Vieiralves, ou mesmo disfarçado com as vestes que for, o papel das REItorias país afora é de manter as universidades tais quais são: instituições elitistas e racistas, porque deixam milhões do lado de fora, que são em sua maioria negros os que não tem acesso ao ensino superior. Ensino que é voltado às demandas dos capitalistas porque produzem conhecimento para aprimorar o lucro e a exploração ao contrário de satisfazer demandas básicas do povo, dos trabalhadores e da juventude. Não poderia ser diferente, se a maior parte do trabalho feito dentro da Universidade é executado pelos terceirizados, que são na sua maioria negros e mulheres e recebem os piores salários. Compromissos de pagamento que a REItoria cotidianamente não cumpre.

Por isso não podemos nos contentar somente com Vieralves deixar seu trono para outro ocupar o seu lugar, nem que seu governo unipessoal seja substituído ou “aprimorado†pelo CONSU. Os membros destas instituições são, na sua maioria, uma casta de professores titulares e alto escalão preocupados em manter suas regalias. Em outras universidades, os Conselhos Universitários existem e cumprem o papel de esconder o quanto a REItoria é antidemocrática, assinando embaixo de todas as medidas de precarização e privatização que ela coloca na mesa.

A defesa intransigente de cada demanda imediata sentida pelos estudantes na UERJ vai sempre se chocar com quem detiver o poder na Universidade. É preciso varrer a casta burocrática de professores de alto escalão (alguns deles nem aula dão) e indicados e impor um governo de maioria de estudantes junto aos trabalhadores, efetivos e terceirizados (que deveriam ser efetivados sem necessidade de concurso) e dos professores da UERJ, que enfrentam a crescente falta de contratação e a precarização das condições do ensino e os trabalhadores que sofrem com a terceirização além do arrocho e os ataques da REItoria.

Sem o poder de decisão dos estudantes, as bolsas se manterão insuficientes e num valor aquém da necessidades reais. Da mesma forma, se os trabalhadores não tiverem o poder de controlar democraticamente as decisões dentro da Universidade, a terceirização que beneficia os parceiros da REItoria e do Pezão se manterá, os professores continuarão com trabalho precarizado, a universidade se manterá elitizada com o filtro social do vestibular que mantém milhares de jovens fora das universidades todos anos.

Por isso é preciso que estes três setores tomem a universidade nas suas próprias mãos, através da luta e da mobilização dissolvendo o REItorado e o Conselho Universitário e impondo um novo estatuto baseado num regime democrático com voz e voto garantidos para todos. Um governo dos três setores (professores, funcionários e estudantes) com maioria estudantil, refletindo os diferentes setores que compõe a universidade.

Desta forma a universidade poderá ser colocada realmente àserviço da população, rompendo seus muros para que todo jovem, todo trabalhador, toda mulher, todo negro tenham o direito de estudar na universidades pública, produzindo conhecimento para melhorar a vida do povo, que seja livre de opressões e de trabalho precário, com efetivação de todos trabalhadores terceirizados, sem necessidade de concurso público.

Para lutar por este projeto de universidade é fundamental que os estudantes construam ferramentas de luta democráticas nos CAS. Entidades que se pautem pela base através das assembleias, espaços máximo de deliberação. Que militem pelo programa pelo qual foram eleitos, construindo junto aos estudantes a luta de cada demanda mínima ligando aos problemas da universidade e da sociedade. Que se ligue as lutas dos trabalhadores, a luta das terceirizadas é uma mostra da força e do potencial dessa aliança. Nós da Juventude Às Ruas que atuamos junto a outras correntes e independentes no CASS, lutamos para construir um novo ME e que os pequenos avanços que vemos hoje no CASS possam se multiplicar na universidade, para encarar as batalhas colocadas para 2015.

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