Movimento Operário

BANCÃ RIOS

Combater o modelo de lucros astronômicos baseados no assédio moral e na precarização do trabalho

29 Apr 2012   |   comentários

A LER-QI participa desse Congresso a partir do processo de construção de uma agrupação com uma maioria de trabalhadores independentes, de diversas trajetórias políticas, unificados a partir da experiência de atuação na greve dos bancários de 2011.

Nossa experiência comum começou a partir da Agência Sete de Abril (CEF). O primeiro passo foi a construção de um piquete combativo, partindo do nosso próprio local de trabalho. Com as pequenas disputas territoriais para manter o piquete, vieram os primeiros sinais da mudança na correlação de forças com os gestores.
Fizemos do “Piquete da Sete†a base de nossa atuação, discutimos ali democraticamente entre todos os trabalhadores as faixas e panfletos que levamos aos atos e assembleias. Buscamos a todo tempo, na medida de nossas forças, ligar a luta dos efetivos àluta dos terceirizados, e nos lançamos a romper as barreiras do corporativismo criado pela classe patronal e o seu Estado para separar as diversas categorias.

Apoiando ativamente, nos atos e nas assembleias, a greve dos trabalhadores dos Correios, que acontecia ao mesmo tempo da nossa, sentimos na pele o desejo instintivo de unidade que é comum a todos os trabalhadores; e verificamos o papel consciente da burocracia sindical (CTB e CUT), que colocava seus “bate-paus†para tentar impedir essa unificação, assim como enterrou aquela greve com uma dura derrota (incluindo corte de salários e compensação de dias parados aos fins de semana). Não muito diferente do que fez a direção do Sindicato dos Bancários de SP (CUT/PT), que nos deixou semanas sem assembleia, e no final dividiu a categoria e buscou apoio nos gerentes enviados pela empresa para enterrar a nossa greve sem conquistas reais.

O papel da Conlutas e as tarefas do momento atual

A experiência da greve também nos faz bastante críticos da atuação do MNOB (ligado àatual maioria da CSP-Conlutas). Ainda que no combate ao governismo descarado e ao peleguismo mal disfarçado da direção petista do Sindicato, o MNOB seja um ponto de apoio indiscutível (assim como alguns setores da Intersindical e outros agrupamentos independentes), na prática a CSP-Conlutas, através do MNOB, não conseguiu constituir de fato uma direção alternativa para os trabalhadores.

Por um lado, nas assembleias, o MNOB em geral se adaptou ao regime pseudo-democrático em que o Sindicato faz dezenas de falas, e oferece uma ou duas àOposição para fingir que há debate, enquanto aos trabalhadores reais, que deveriam ser os sujeitos das assembleias, sequer é dado espaço de fala.
Por outro lado, no cotidiano efetivo da greve, o MNOB não adotou uma política que permitisse concentrar forças em alguns (poucos) lugares de trabalho, a partir dos quais pudesse irradiar uma política democrática a partir da base – única forma real de fazer “tremer†o poder da burocracia.

O MNOB atuou na greve com o eixo político de “O lucro dos bancos cresceu, agora eu quero o meu†, uma palavra de ordem globalmente equivocada, que colocava os trabalhadores a reboque dos lucros patronais, ao invés de combatê-los.

Ao mesmo tempo, além de não colocar suas forças para uma unificação efetiva pela base com os trabalhadores ecetistas em greve, o MNOB em nenhum momento levantou a defesa ativa dos direitos dos terceirizados. Do ponto de vista da tática, defendeu na prática a divisão da categoria bancária, com sua insistência nas “assembleias específicas†dos bancos públicos desde o início da greve, deixando inclusive a bandeira da “unidade†na boca da burocracia.
Por tudo isso, achamos que a CSP-Conlutas deve criticar essa atuação e adotar uma outra orientação estratégica e programática.

As bandeiras centrais que defendemos agora:

- Que as assembleias sejam a instância máxima, com amplo direito democrático para a expressão dos trabalhadores! Os delegados e representantes sindicais tem que ser eleitos e controlados pela base!

- Pela efetivação de todos os trabalhadores em condições precárias, com iguais direitos e salários! Direito de filiação sindical desses trabalhadores nos sindicatos das empresas em que realmente trabalham!

- No caso das empresas públicas como a Caixa, efetivação sem concurso público: a prova de sua capacidade está no seu próprio trabalho (os casos de “nepotismo†, muitas vezes usados como pretexto para não se lutar por essa bandeira, podem ser tranquilamente tratados àparte).

E frente ao novo “planejamento estratégico†da Caixa, dizemos:

- Abaixo a discriminação: fim da campanha para retirar os mais pobres das agências.

- Fim da superexploração: iguais salários e direitos para os trabalhadores das lotéricas e correspondentes bancários;

- Abaixo o assédio moral, fim das metas: a busca desenfreada por lucros exorbitantes corrói a saúde física e mental dos trabalhadores.

- Pela estatização de todo o sistema financeiro nacional, sob controle dos trabalhadores: a única maneira de cortar o mal pela raiz, e acabar com o discurso que se apoia na competição do mercado privado para impor condições cada vez piores de trabalho e de atendimento na Caixa, é unindo os trabalhadores dos bancos públicos e privados numa grande luta para estatizar o conjunto dos grandes bancos, sob controle democrático dos trabalhadores e da população.

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