Movimento Operário

PROFESSORES PELA BASE

Com medo das grandes mobilizações, direção da Apeoesp freia a greve nacional

21 Mar 2014   |   comentários

Depois das humilhações que os professores sofreram na atribuição de aulas; o caos e as irregularidades do concurso público; o escândalo de eliminar aprovados do concurso devido àobesidade; os fechamentos de salas noturnas; a falta de estrutura nas escolas entre vários outros problemas, só existe uma explicação para que não esteja sendo organizada uma luta séria dos professores da rede estadual paulista: o grupo que dirige nosso sindicato (Chapa 1) tem medo que as grande manifestações questionem também seus projetos políticos e os governos a que são atrelados.

Até a tímida greve nacional de três dias chamada pela CNTE foi desmontada em São Paulo com medo que se transformasse em uma grande mobilização ligada a juventude com apoio popular. Nada está sendo organizado nas escolas. Essa greve poderia mostrar a desvalorização do professor e a precarização da educação em nível nacional e ainda se tornar, em São Paulo, uma luta contra o governo do PSDB. Além disso, seria um potencial para articular uma grande luta entre várias categorias em defesa da educação uma vez que trabalhadores das escolas técnicas de São Paulo e das Universidades federais também estão em greve. Mas a direção de nosso sindicato prefere a normalidade em benefício dos políticos e de seus projetos eleitorais.

A CUT, o PT, não querem uma mobilização deste tipo, pois se enfrentaria com seus próprios projetos, como garantir a copa do mundo. O grupo que dirige nosso sindicato, representado por Bebel, quer garantir a tranquilidade a favor dos governos, são o exato oposto do exemplo dos Garis. Estiveram absolutamente ausentes das principais mobilizações que existiram a partir de 2013 e estão consolidando nosso sindicato cada vez mais como um aparato cheio de privilégios que sustenta carreiristas políticos que ficam anos e anos sem ao menos trabalhar.

Temos que fazer como os garis do RJ. Organizarmos-nos a partir das escolas e varrer a casta de privilegiados que toma conta de nosso sindicato para que ele esteja nas mãos dos professores e no caminho das lutas. Nos dias de greve nacional, façamos exemplos de mobilizações nas escolas denunciando a brutalidade dos ataques que vemos sofrendo e exigindo das diretorias de ensino respostas frentes aos fechamentos de sala noturna, salas superlotadas, assédios morais na escola, irregularidades nos pagamentos de janeiro. Na assembleia do dia 28 temos de denunciar a paralisia da Apeoesp e exigir que se encaminhe um plano de lutas concreto para encaminharmos a campanha salarial e resolver o caos que encontra as escolas com professores sem aulas e alunos sem professores.

Tomemos as lutas e o sindicato em nossas mãos!

Basta de uma Apeoesp cheio de privilégios que não organiza e trai a luta dos professores!

Todos a Assembleia do dia 28 para exigir um plano de luta organizado a partir das escolas!

Na convenção da Oposição Alternativa lutemos por uma oposição pela base para varrer a burocracia!

Neste sábado, dia 22/03, haverá convenção da Oposição Alternativa que discutirá a formação de chapa para as eleições sindicais que ocorrerão em 06/05. Consideramos fundamental unificar os setores contrários a política traidora da Chapa 1, contra os governistas da burocracia majoritária da Apeoesp. Mas para que isso seja efetivo não basta ser contra o governo federal petista, a quem Bebel e sua corja atendem aplicando na Educação uma política tão traidora como a dos tucanos. Para que a Apeoesp seja arrancada das mãos dessa burocracia, precisamos na Convenção da Oposição Alternativa votar um programa que questione o atrelamento aos governos imposto pela burocracia governista em nosso sindicato, e os privilégios dos dirigentes sindicais e encaminhe as lutas a partir dos problemas mais sentidos pelos professores no cotidiano da escola. Há que lutar pela redução da jornada dos professores como forma de garantir emprego para todos! Reaberturas de todas salas noturnas e redução do número de alunos por sala para garantir a qualidade da educação! Trabalho igual, salário e direitos iguais através da efetivação imediata de todos os professores sem necessidade de concurso!

Mas para que essas demandas sejam de fato respondidas é fundamental que a Apeoesp, um dos maiores sindicatos da América Latina, possa ser retomado das mãos da burocracia para garantir os interesses dos trabalhadores, e para que seja um sindicato para a luta de classes. E não para os interesses da cúpula petista em sua disputa com o PSDB. A greve do dia 17,18 e 19 já foi enterrada pela burocracia.
Mas ainda é tempo de preparar uma luta séria de professores, que avance das demandas mais imediatas sentidas por nós, para inclusive lutar para que as escolas sejam geridas pela comunidade escolar, que engloba todos os trabalhadores da Educação. Demandas não faltam.

Nós dos Professores Pela Base somos bastante críticos da política que o PSTU e a Conspiração Socialista, grupos majoritários levam no interior da Oposição Alternativa. Esta vem tendo uma atuação bastante adaptada ao sindicalismo da própria Chapa 1, muitas vezes se ausentando de enfrentamentos sérios contra a direção do sindicato. Exemplos disso é que depois do Congresso da Apeoesp a Oposição Alternativa parou de denunciar os golpes e as manobras da Chapa 1, e nesse início de ano sequer denuncia que o sindicato suspendeu a mobilização do primeiro semestre, convocada pela CNTE. Precisamos de uma oposição que não seja adaptada e que dê exemplo aos professores de que é possível um sindicato democrático, combativo independente dos governos e sem burocratas para lutar contra a precarização da educação e dos professores. Um sindicato para a luta de classes. Para isso a Oposição tem que adotar uma prática política totalmente distinta da majoritária da Apeoesp, pois a burocratização não é um problema ideológico, mas material. Se os dirigentes sindicais acumulam privilégios, se estão há anos longe das salas de aula, se não há plenárias ou assembleias de base que permitam o controle da base sobre a direção, a burocratização é uma pressão real, que atinge inclusive os setores que se colocam como parte da esquerda. Por isso, devemos assumir o programa contra os privilégios sindicais começando pelo período de afastamento do trabalho: Que todos os dirigente sindicais liberados, voltem para a sala de aula. Não mais que um ano de liberação do trabalho! Estaremos na Convenção da Oposição Alternativa lutando por essas posições, e chamamos a todos que com elas se identifiquem, que se unam a nós!

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