Movimento Operário

CAMPANHA SALARIAL DO METRÔ

Colocar de pé a greve para obter conquistas e nos unir àpopulação na luta contra o aumento da tarifa!

29 May 2013   |   comentários

Construir uma forte greve dos metroviários de São Paulo, construída nas bases, com reuniões por locais de trabalho, para que possa derrotar o governo, a empresa e para que a greve não seja pautada pelo TRT, mas pela nossas forças e pela nossa pauta!

Depois de semanas de enrolação e intransigência, a Direção do metro recorreu ao TRT para suspender a greve dos trabalhadores do Metro, comprometendo-se a apresentar uma nova proposta na próxima segunda-feira (03/06) junto ao Governo e a Secretaria de Transportes. A intransigência do Governo Alckmin em relação às reivindicações da categoria é parte da mesma política para o conjunto dos trabalhadores no Estado de São Paulo, foi assim no último mês com a greve dos professores estaduais, como também atualmente vem sendo em relação aos estudantes que lutam contra o PIMESP nas Universidades Estaduais Paulistas e as outras categorias em campanha salarial como os trabalhadores da USP, da Sabesp e da CPTM.

Por trás dessa política está o projeto de privatização levado a frente para garantir os interesses de empresas e consórcios que lucram com o transporte público. Ao mesmo tempo em que Alckmin destina bilhões para PPP’s e terceirizações, através de licitações e contratos fraudulentos com multinacionais como a Alston, Haddad anunciou para o próximo dia 01/06 o aumento da tarifa do ônibus para R$3,20, que também será aplicada no Metrô e no Trem em São Paulo pelo Governo tucano. Ainda que o discurso para a população é de que foi evitado um aumento maior (abaixo do índice da inflação atual), o fato é que temendo ainda mais a onda inflacionária e possíveis mobilizações populares, Dilma interviu retirando a cobrança dos impostos PIS/Confins das empresas que controlam o transporte público, combinado a um aumento em R$1,25bi do repasse de verbas municipais às empresas de ônibus. Um grande montante de dinheiro que vão para um punhado de empresários, que financiam as campanhas eleitorais do PT e PSDB, ao invés de ser investido no transporte público. Enquanto isso, a população sofre como “sardinhas†no sufoco cotidiano da ida e volta do trabalho, correndo risco com a precarização da qualidade do transporte.

As reivindicações dos metroviários se ligam a defesa de um transporte público de qualidade para a população!

No momento de campanha salarial e com a eminência da greve, o governo, com a poderosa mídia ao seu lado, tentou passar a falsa ideia para a população de que o aumento da tarifa está atrelado em garantir reajustes e mais benefícios aos trabalhadores do Metrô. Escondem, é claro, que todo esse dinheiro vai justamente para sustentar os privilégios da alta-cúpula da Cia. atrelada ao governo do Estado e os interesses dos grandes grupos que lucram com um direito da população. As principais reivindicações dos trabalhadores do Metrô vão muito além do aumento real do salário, que ano a ano vem sendo corroído pela crescente inflação. O Metrô atualmente impõe uma progressão salarial que chega a 10 anos na operação e 15 na Manutenção, gerando uma diferença de mais de 1000 reais no salário dos funcionários mais novos; a periculosidade não é paga para os funcionários que trabalham nas estações e as terceirizações são cada vez mais crescentes, principalmente na Manutenção.

A falta de funcionários afeta todas as estações, prejudicando o bom atendimento àpopulação e sobrecarregando o ritmo e a jornada de trabalho. Além disso, em meio àcampanha salarial o Metrô ainda ameaçou os trabalhadores da operação de aumentar a jornada em 1 hora com o objetivo de tirar o foco da pauta de reivindicações, e agora tenta colocar uma armadilha na sua nova proposta de negociar esse ponto junto ao Ministério Público e ao Sindicato depois de assinado o acordo coletivo, deixando em aberto para depois da campanha salarial a possibilidade da Direção da Empresa implementar este brutal ataque aos trabalhadores. Essa tentativa de retira de direitos, combinado ao não atendimento de reivindicações estruturais da categoria faz parte de uma estratégia do governo em precarizar cada vez mais as condições de trabalho e do transporte público, acabando com postos de trabalho e privilegiando a terceirização e privatização do sistema metroviário.

Nenhuma confiança no TRT! Nenhuma trégua ao Metrô! Construir a greve nas bases por nossas reivindicações!

Depois da greve aventureira de 2007, levada adiante pela antiga direção majoritária do sindicato (ligada àCTB/PCdoB), que resultou em mais de 60 demissões, a categoria passou quase 4 anos desmoralizada e desacreditada da sua capacidade de mobilização. Porém, nos últimos anos a categoria metroviária vem levantando sua cabeça contra os ataques do governo e do Metrô. Como parte deste processo, em 2010 elegemos a Chapa 2 (composta pelo PSOL, PSTU e independentes), que muitos trabalhadores confiavam que iriam fazer a diferença com uma gestão democrática e combativa no sindicato. Em 2011 protagonizamos uma grande mobilização que conquistou a equiparação salarial para quase todos os funcionários novos que tinham entrado até aquele momento no Metrô. Porém, naquele momento a diretoria recém eleita recuou da greve, alegando que a categoria estava dividida e que não podíamos aparecer como intransigentes frente ao pedido do TRT de que esperássemos por uma nova proposta do Metrô.

Em 2012 fizemos uma greve que colocou abaixo todo o discurso de que os metroviários não poderiam mais fazer greve e o esquema de funcionamento de emergência da direção da empresa e do governo do Estado, colocando as chefias para substituir os grevistas, foi um fracasso. Porém, mais uma vez, a diretoria do sindicato que todos acreditavam que faria diferente da antiga diretoria, recuou e deixou para as “comissões de enrolação†nossas principais reivindicações, fechando o Acordo Coletivo com base somente no reajuste salarial proposto pelo TRT e que foi aceito pelo Metrô. É claro que o reajuste tem uma grande importância, mas não podemos trocar conquistas econômicas, que muitas vezes sequer são expressas em forma de salário e sim de benefícios (VR, VA, auxílio-creche etc), por conquistas políticas. Ou seja, enquanto o Metrô e o governo do Estado oferecem um reajuste razoável (o que também tem curta duração com a possibilidade da crise atingir mais duramente o Brasil), vão aos poucos retirando diretos estruturais, vão privatizando, terceirizando, contratando trabalhadores com salários defasados para as mesmas funções, retirando o adicional de periculosidade, entre outros ataques que fazem parte de um plano mais estratégico de precarização do trabalho e do transporte.

Na campanha salarial deste ano, já partimos de um patamar superior, pois a categoria estava confiante em suas próprias forças e na possibilidade de greve. Porém, vimos mais uma vez a diretoria do sindicato repetir o “script†de todos os anos, sem preparar uma greve séria pelas nossas reais reivindicações, mas preparando tudo para fechar um acordo baseado nas propostas do TRT. Para uma preparação séria seria necessária uma ampla mobilização na base, com reuniões por local de trabalho, com eixos claros em defesa de nossas reivindicações, como nòs da LER-QI, que atuamos junto aos trabalhadores do Metroviários pela Base, sempre defendemos. Seria necessário preparar uma greve dura, que se enfrentasse com o TRT, e não, como propõe a atual diretoria do sindicato, aceitando as exigências do TRT. Na última assembleia propuseram adiar a data da greve para o dia 04/06, a ser decidida no dia 03/06, com o mesmo argumento que utilizaram na campanha salarial de 2011, de que não podemos aparecer como intransigentes e temos que esperar uma nova proposta do Metrô. Essa proposta do Metrô novamente virá pautada pelo TRT e não pelas nossas reivindicações! Não podemos confiar nem alimentar ilusões de que o TRT defende os trabalhadores! Essa mesma justiça burguesa foi a que no ano passado disse que nossa greve era “legalizada†, mas depois, por pressão da patronal do comércio e da indústria na capital, quis multar o nosso sindicato pelos “prejuízos†causados pela greve. Essa semana de adiamento da greve não pode significar uma trégua para o governo e para o Metrô! Utilizemos essa semana para mobilizar nas bases, pois ainda é tempo de construir uma greve que lute por nossas demandas mais sentidas!

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