Internacional

GIRO INTERNACIONALISTA DE CHRISTIAN CASTILLO

Christian Castillo em Paris: uma maratona de discussões com a esquerda e com os intelectuais

30 Jan 2014   |   comentários

Última estação do giro de Christian Castillo pela Europa: Paris. Foram cinco dias de intenso debate com distintas correntes da esquerda francesa como Lutte Ouvrière, as distintas correntes internas e os dirigentes históricos do Novo Partido Anticapitalista (NPA).

Última estação do giro de Christian Castillo pela Europa: Paris. Foram cinco dias de intenso debate com distintas correntes da esquerda francesa como Lutte Ouvrière, as distintas correntes internas e os dirigentes históricos do Novo Partido Anticapitalista (NPA). Todos os seus interlocutores demonstravam um profundo interesse pela experiência da FIT, ao mesmo tempo aportando reflexões desde a posição de correntes trotskistas que conseguiram importantes resultados eleitorais mas desgraçadamente sem poder transpô-los (ou somente de forma muito limitada) ao terreno da luta de classes e da construção de partidos. Também pôde entrevistar-se com personalidades da intelectualidade marxista e se realizaram duas reuniões mais amplas.

A primeira foi um encontro de Christian como diretor da revista Ideas de Izquierda (http://ideasdeizquierda.org/) com a equipe de redação da revista Contretemps, na pessoa de Isabelle Garo. Aconteceu na livraria La Brèche e esteve marcada por um interessante intercâmbio a propósito do intelectual marxista em seus respectivos países e do compromisso político, ante um público de algumas dezenas de estudantes e jovens intelectuais. Christian apresentou o projeto da revista Ideas de Izquierda ligando sua origem a uma certa cartografia do posicionamento da intelectualidade argentina durante a última década, para a criação de um pólo ao redor da assembléia de intelectuais da FIT, oposto ao mesmo tempo ao relato kirchnerista e ao pensamento liberal.

A segunda foi uma mesa-debate de convite da direção do NPA àqual concorreram mais de uma centena de seus militantes e simpatizantes. Após uma breve apresentação da atividade, a cargo de Yvan Lemaitre, do Comitê Executivo do NPA, Christian fez uma introdução ressaltando os elementos potencialmente convulsivos da atual situação Argentina, a poucos dias da desvalorização do peso, e explicou que o agravamento da situação econômica, combinado pela perda de autoridade do governo, colocaria grandes desafios àFIT.

Fez também um percorrido do período aberto desde 2001 até nossos dias, demonstrando como o êxito da FIT resulta de uma combinação de causas objetivas – processo inicial de ruptura em camadas da classe trabalhadora com o governo – e subjetivas – o peso que a esquerda vinha tendo em algumas das principais lutas – como a histórica gestão operária da fábrica Zanon, a luta contra as demissões em Kraft, e a luta pela incorporação dos trabalhadores terceirizados da ferrovias – após um esforço paciente de implantação, em particular do PTS, em algumas das principais estruturas operárias do país, sua capacidade de cravar uma terceira posição ante o oficialismo e a oposição burguesa, etc.
Depois explicou as origens da FIT, leu partes de seu programa e se projetaram seis spots da campanha eleitoral, legendados em francês, remarcando a diferença de conteúdo das propostas da FIT com as distintas coalizões de centro-esquerda que se apresentaram na Europa nos últimos anos (SIRYZA, Front de Gauche, etc.) e ao mesmo tempo a viva agitação ao redor das demandas dos trabalhadores. Concluiu com uma reivindicação do internacionalismo e o desejo de que a experiência da FIT sirva a todos os que na Europa defendem uma perspectiva anticapitalista e revolucionária.

Finalmente, abriu-se uma rodada de perguntas nas quais se notava muito entusiasmo e interesse do plenário. Entre os temas abordados se desenvolveram os princípios que guiam a ação dos revolucionários no parlamento, a perspectiva e as dificuldades para que a FIT se transforme em ponto de apoio para a construção de um grande partido revolucionário na Argentina, o fenômeno do sindicalismo de base, etc.
O conjunto dos presentes saíram muito contentes deste intercâmbio e a idéia que primava é que não é uma fatalidade que a crise capitalista seja canalizada ou somente pela extrema direita ou pelas distintas variantes reformistas e que o êxito da FIT, se não se limita ao eleitoral e se põe a serviço de uma construção orgânica na classe operária e na juventude para poder pesar sobre os fenômenos da luta de classes nos próximos anos que serão seguramente convulsivos, pode transformar-se em um referente para a recomposição da esquerda revolucionária a nível internacional.

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