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Chapa “O Fantasma da Liberdade†vence as eleições no CACH

02 Dec 2014   |   comentários

Após uma grande campanha, nós militantes da Juventude ÀS RUAS! estaremos novamente em 2015, junto a outros companheiros independentes, na direção do Centro Acadêmico de Ciências Humanas da Unicamp (CACH). Os resultados não deixam dúvidas, cresce o espaço à s idéias revolucionárias e à ânsia pela transformação da universidade de classe em um pólo de conhecimento e cultura que sirva à população e aos (...)

Após uma grande campanha, nós militantes da Juventude ÀS RUAS! estaremos novamente em 2015, junto a outros companheiros independentes, na direção do Centro Acadêmico de Ciências Humanas da Unicamp (CACH). Os resultados não deixam dúvidas, cresce o espaço às idéias revolucionárias e àânsia pela transformação da universidade de classe em um pólo de conhecimento e cultura que sirva àpopulação e aos trabalhadores.

O ano de 2014 foi um ano de recuperação da entidade, que esteve àmercê do abandono de consecutivas gestões sem atuação política, sem responder aos ataques da reitoria e do governo. Até mesmo em Junho de 2013 o CACH foi incapaz de ser alternativa de organização aos estudantes, graças ao imobilismo da sua gestão, àépoca dirigida por PSTU. Para esse ano de 2015 temos novos e maiores desafios: partir dos passos e experiências acumuladas para respondermos à“Crise financeira†das reitorias e ao debate de privatização da universidade.

A disputa eleitoral

Durante o processo eleitoral competimos com uma chapa composta por membros do Juntos! (PSOL), que por trás de uma política de priorizar os espaços dos estudantes, de revitalizar fisicamente o C.A, escondia uma concepção de entidade passiva afastada dos principais processos de luta. Uma concepção que já mostrou sua falência, provando a profunda adaptação da esquerda reformista, que faz alianças com qualquer concepção, com o objetivo único de se manter na entidade.

Contudo essa concepção foi negada pela maioria dos estudantes. Por 178 a 86, vencemos a disputa. Já o PSTU, que cerca de 10 anos disputou o C.A, estando ou como gestão ou sendo uma corrente importante no IFCH, após o fracasso de sua gestão em 2013, esse ano não conseguiu ao menos formar chapa. Essa é a prova de que quando existe uma direção ativa que incentiva a politização e o debate, as distintas estratégias de direção do movimento estudantil podem ser testadas mais rapidamente pelos estudantes avançando em suas experiências. Ao contrário da pratica política de correntes como PSOL e PSTU, que quando dirigem uma entidade se afastam dos estudantes e acabam mantendo a apatia e a profunda adaptação ao regime Universitário, para também manter suas posições de forma conservadora dentro da entidade.

Essa pratica política buscamos superar. Basta de correntes que buscam dirigir o movimento estudantil para se auto construir por fora de organizar os estudantes desde as bases. Buscamos, mesmo num momento de relativa passividade da juventude universitária, fazer os principais debates nacionais, e nos ligarmos a cada estudante de sala de aula, através de assembléias e reuniões para manter o instituto rico de idéias.

O Fim do falso antagonismo entre vivência e política

Desde Junho 2013 a exigência da juventude por acesso a cultura e vivencia esteve sempre presente. As universidades, para impedir que essa politização adentrasse seus muros, veem paulatinamente atacando os espaços de convívio e cultura. Além do fecharem cantinas, agora buscam punir legalmente as festas. Partimos do resgate da vivência como parte da vida política da universidade. A vivência é oposta ao projeto da Unicamp dos rankings internacionais e produção de patentes, na lógica produtivista contrária a qualquer espaço ou articulação independente dos estudantes.

Esse ano ocupamos nossa cantina, sob a organização dos estudantes. Retomamos a festas, os saraus, apresentações artísticas e oficinas. Mais que isso, construímos o questionamento acerca das grades que separam a universidade da população de Campinas. Combinando atuação na universidade e na cidade a partir dos principais conflitos nacionais, como a intervenção nos protestos contra a Copa, e levando solidariedade ativa aos trabalhadores, como na greve dos Garis, do Metrô de São Paulo e das universidades estaduais paulistas.

Por anos vimos a esquerda tradicional se eleger em entidades em base a um falso discurso de dialogar com as pautas estudantis, mas que na realidade mantinha o corporativismo. Essa lógica de separar as pautas específicas da universidade do grande debate nacional impede que os estudantes saiam como sujeitos políticos levantando as demandas mais sentidas da população, conseguindo ser o eco organizado da luta por educação, transporte, saúde. Sem centros acadêmicos e Diretórios centrais que se dêem essa tarefa, as idéias propagadas pela reitoria e governos tendem a se impor.

A luta por educação no ano dos ajustes

Discutir projeto de educação foi nossa maior tarefa. Enquanto o PT propagandeia a “democratização†do ensino, sabermos que apenas 14% da juventude tem acesso ao ensino superior, sendo a educação básica profundamente precária. Ano que vem, já se anunciam cortes na educação tanto do PT como do PSDB. Nesse sentido, segue sendo fundamental a defesa da educação de qualidade para toda a juventude pobre e negra.

Nos organizamos para desmascarar que o mesmo elitismo que nos restringe a permanência estudantil e o acesso da maioria negra àuniversidade, que mantém o vestibular, é o que desvaloriza os trabalhadores, congela seus salários e os divide entre efetivos e terceirizados. Enfrentamos a reitoria e o governo, por mais de cem dias em greve unificada, contra o governo do PSDB que paulatinamente vem tentando privatizar a Universidade e seu hospital. Vimos a reitoria e o governo derrotados na primeira batalha.

Nos organizamos em aliança com os professores da rede pública, e temos como desafio aprofundar essa ponte em defesa da educação, superando o abismo entre a universidade e as escolas. Queremos discutir nossos currículos, e a formação de professores, no marco de voltar a conhecimento da universidade para servir as necessidades e anseios da população pobre e trabalhadora, resgatando a história dos setores oprimidos, dos negros e LGBT.

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