Domingo 22 de Setembro de 2019

Nacional

Chamado àformação de um pólo classista, antigovernista e antiburocrático

15 May 2005   |   comentários

Os ataques de Lula àclasse trabalhadora, que vão desde a reforma previdenciária até a manutenção do desemprego para milhões e milhões de trabalhadores, passando pelo terrível arrocho salarial e pelas condições cada vez mais precárias de trabalho, têm provocado, ainda que de forma inicial, um sentimento de desilusão e indignação.

Além disso, com o apoio da burocracia sindical ao governo, e depois de ela ter desviado, traído ou abandonado àprópria sorte as lutas que ocorreram em 2003 e 2004, vem se desenvolvendo um sentimento antiburocrático que atinge pequenos setores de diversas categorias, com destaque para os servidores públicos, onde este sentimento é mais amplo devido àtraição aberta da direção da CUT na greve contra a reforma da previdência.

Como fruto destes processos, estão sendo organizadas oposições sindicais que se colocam claramente contra o governo Lula e contra os oportunistas e traidores que defendem os interesses do governo e da patronal dentro do movimento operário. É um processo minoritário, mas que tende a crescer no próximo período em função do grande ataque que representa a reforma sindical-trabalhista.

Ao longo de 2004, a Conlutas foi um pólo aglutinador deste processo. No entanto, nos últimos meses, setores da chamada “esquerda cutista†, que em um primeiro momento defendiam “disputar†o governo Lula, fazendo algumas críticas parciais, mas preservando o apoio ao governo, têm avançado em conformar um novo setor, dentro da CUT e por fora da Conlutas, que se coloca contra o governo e inclusive contra o PT .

Chamamos a conformação de um pólo que reúna todos esses setores de trabalhadores, de sindicatos e de oposições sindicais, que hoje se colocam contra o governo Lula, em torno de ações concretas que lhes permitam influenciar setores mais amplos do movimento de massas, liberando-os da influência do governo e do PT e dotando-os de uma perspectiva classista.

Um pólo impulsionador de uma frente única dos trabalhadores para derrotar a reforma sindical

A luta para barrar a reforma sindical-trabalhista se coloca hoje como a mais importante tarefa do conjunto da classe trabalhadora brasileira. Nesse marco o pólo classista, antiburocrático e antigovernista que propomos deve concentrar suas forças em impulsionar a mais ampla frente única de todos os setores que se disponham a lutar contra este ataque. Esta frente única precisa ir muito além da chamada “Frente Nacional Contra Esta Reforma Sindical†, que se formou entre sindicatos da CUT, Força Sindical, CGT, CGTB e sindicatos da Conlutas, no sentido de unificar os trabalhadores, não a partir das cúpulas, mas dos organismos de democracia direta em cada local de trabalho e se utilizando dos métodos da classe operária.

Não podemos nos iludir e achar que dirigentes de centrais pelegas como a Força Sindical, a CGT e a CGTB, ou correntes que fazem parte do governo como o PCdoB, hoje obrigadas, para manter seus privilégios que estão ameaçados, a se contrapor ao governo e àpatronal no que diz respeito àreforma, impulsionarão uma frente desse tipo. Não o farão porque sabem que a coordenação de amplos setores dos trabalhadores, organizados democraticamente e lançando mão de métodos radicalizados, rapidamente fugiria de seu controle. Além disso, ao avançarem na consciência do caráter anti-operário desse governo e na confiança em suas próprias forças,os trabalhadores tenderiam a se questionar sobre o porquê dos dirigentes de seus sindicatos fazerem parte ou colaborarem com um governo desse tipo.

É justamente incidindo sobre esta contradição da burocracia que um pólo classista pode se fortalecer e atrair muitos trabalhadores, na tarefa de coordenar e estender as ações contra a reforma, e também contra todos os ataques da patronal e do governo que venham pela frente. Um pólo que organize em todas as partes oposições sindicais para expulsar a burocracia dos sindicatos e retomá-los para a luta dos trabalhadores, transformando-os em organizações democráticas onde sejam os próprios trabalhadores, e não um punhado de burocratas, quem tudo decida. Que, a partir do imenso fortalecimento que isso representaria para o conjunto da classe trabalhadora, imponha a resolução do problema do desemprego e da miséria através de uma redução da jornada de trabalho de modo a garantir a incorporação de todos os desempregados àprodução, com um salário suficiente para suprir no mínimo as necessidades básicas de uma família.

A Conlutas precisa ser a principal impulsionadora desse pólo

A Conlutas reúne parte importante dos principais sindicatos e trabalhadores que hoje se colocam não só contra as reformas neoliberais de Lula, mas também contra a o governo de conjunto e contra a burocracia sindical e se propõe a ser uma coordenação das lutas. É por isso que a Conlutas pode e deve ser um motor da construção desse pólo, buscando se unificar com todos os setores dos trabalhadores que se coloquem contra o governo e os patrões. Só assim a Conlutas poderá ajudar a unir a classe trabalhadora, coordenar e fortalecer suas lutas e formar uma nova vanguarda que possa chegar aos milhões de trabalhadores brasileiros, libertando-os da influência da burocracia para que estes possam avançar em sua independência de classe e inaugurar um novo período de ascenso das massas.

Para isso é preciso começar a organizar democraticamente a própria Conlutas, seguindo o exemplo do Sintusp, onde os trabalhadores votam nas assembléias representantes para a Conlutas. A Conlutas deve ser um exemplo de democracia operária para todo o país fazendo com que suas decisões sejam tomadas nas assembléias de cada local de trabalho e que seus sindicatos se transformem em verdadeiros sindicatos militantes, que atuem sobre a base das outras categorias, centralmente sobre a base dos sindicatos cutistas, exigindo que estes sindicatos rompam com o governo Lula e com o PT. Lutando pela conformação deste pólo e para recuperar os sindicatos das mãos das direções pelegas e governistas a Conlutas poderá ser o motor não só da luta contra a reforma sindical, mas também da constituição de um novo movimento operário.

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