Nacional

MP’S 664 E 665

Centrais sindicais se reúnem com parlamentares

11 Feb 2015 | Depois da última reunião com quatro ministros do governo Dilma no último dia 03/02, as centrais sindicais se reuniram ontem com parlamentares, entre eles Eduardo Cunha (PMDB), novo presidente da Câmara, e Renan Calheiros (PMDB), presidente do senado. De novo não saiu nada. Mas já foram apresentadas 750 emendas por parlamentares ao projeto original, o que forçará que se abra um grupo de trabalho na Câmara para dar uma nova cara ao projeto para que seja aprovado.   |   comentários

De novo não saiu nada. Mas já foram apresentadas 750 emendas por parlamentares ao projeto original, o que forçará que se abra um grupo de trabalho na Câmara para dar uma nova cara ao projeto para que seja aprovado.

As já bem conhecidas Medidas Provisórias 664 e 665 emitidas por Dilma no final do seu primeiro mandato – que dificultam o acesso a direitos como seguro-desemprego e benefícios previdenciários – criaram uma relação mais contraditória nesse início de novo governo entre as centrais sindicais e o PT.

O último passo dessa relação contraditória foram as reuniões de ontem com parlamentares em Brasília, entre eles Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Renan Calheiros, presidente do senado, saiu dizendo que “Não podemos transferir a conta do ajuste para o trabalhador. O protagonismo do Senado e do Congresso Nacional será no sentido de criar alternativas para que o trabalhador não seja duramente sacrificado. Porque isso significa, do ponto de vista econômico e social, um retrocesso†, como publicou a Folha online (10/02/15). Aproveitando que são já mais de 750 emendas apresentadas por parlamentares, entre elas 450 da base aliada, o presidente do senado aproveitou para ficar bem com os sindicalistas.

Mas o próximo passo no parlamento de fato será abrir um grupo de trabalho depois do carnaval para dar uma nova versão às MP’s para que possam ser aprovadas. A ameaça da Força Sindical, que faz oposição ao governo (tendo apoiado Aécio Neves nas eleições), é de que se o governo não retirar vão derrubá-las na câmara. A luta de classes passa longe. Já a CUT evita criticar o governo e insiste em dizer que precisa fortalecer Dilma, “seu†governo, contra a direita que se instalou no governo na figura do ministro Joaquim Levy.

Como já viemos analisando (Centrais sindicais e Dilma2: amor e ódio), a tentativa das centrais é de que se amenizem os ataques, que se abra algum recuo nos ataques. Aproveitam agora da fissura criada no Congresso ao ser eleito Eduardo Cunha àrevelia do PT e de Dilma, para tentar angariar MP’s um pouco menos draconianas. Ou seja, diminuir os ataques, mantendo ataques.

Qual a estratégia das centrais sindicais frente aos ajustes de Dilma?

As centrais fizeram um jogo duplo, pautada em uma estratégia de conciliação pelas alturas.

Em primeira reunião no final do ano passado, após as eleições, o governo chamou as centrais para abrir uma via de diálogo. 21 dias depois, anunciou as MP’s 664 e 665. Aqui as centrais partiram para uma política casada: chamar mobilizações totalmente controladas por eles, para conseguir amenizar os ataques, ainda que mantendo-os, nas negociações com o governo e o Congresso.

Foram assim obrigados a chamar um Dia Nacional de Lutas, que aconteceu no dia 28/01. Esse dia de lutas não foi construído nas bases – com algum elemento de mobilização da Força Sindical que está na oposição de direita do governo, que mobilizou os metalúrgicos no Paraná -, não foi pensado pelas centrais para ser uma real pressão social, pois temem que poderia fugir do seu controle, com tantas demandas sociais transbordando, que para além dos “ajustes†se estendem para a questão da água, da luz, do emprego, entre outros.

Lembrando que no ano passado, as burocracias sindicais foram pegas de surpresa com uma onda de greves que aconteceram contra as suas direções nos sindicatos – garis do RJ e do ABC e rodoviários de vários estados. Ainda que a CUT tenha se relocalizado no ABC com a greve da Volks, as demandas sociais são tantas, que a relação com a base pode estourar por outro lado.

Após o dia 28/01, já no dia 03/02, as centrais sentaram com os ministros Miguel Rossetto, da Secretaria Geral da Presidência da República; Carlos Gabas, da Previdência Social; Nelson Barbosa, do Planejamento e Manoel Dias, do Trabalho e Emprego. Nesta reunião o governo não negociou a retirada das MP’s, disse aberto a negociar, mas sem grandes propostas concretas.

E as centrais sindicais mantiveram sua estratégia de negociar pelas alturas, como fica claro nas reuniões de ontem com Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Ao que tudo indica, as centrais tanto governistas quanto as de oposição àdireita, vão até o fim na política de amenizar os ataques, mantendo os ataques, para saírem cantando vitória ao tempo que seguirão defendendo o governo. Ou seja, aproveitarão o caminho das negociações nas alturas, já contando com a discussão aberta nos plenários, para depois cantar vitória.

A tarefa no movimento operário é organizar de imediato uma política independente que enfrente os ataques pela luta de classes, com paralisações reais nos locais de trabalho, um plano nacional de lutas, contando com paralisações nacionais e que coloque de pé as demandas sociais como a questão da água e da energia, levantando as demandas de toda a população.

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