Internacional

Caso Michael Brown, o dia depois

26 Nov 2014   |   comentários

Na noite em que se ditou o veredito da causa Michael Brown e o oficial Darren Wilson ficou absolvido, milhares saíram às ruas em Ferguson enfrentando a brutal repressão.

Na noite em que se ditou o veredito da causa Michael Brown e o oficial Darren Wilson ficou absolvido, milhares saíram às ruas em Ferguson enfrentando a brutal repressão. No dia seguinte, reforçou-se o destacamento policial, com agentes armados de rifles e veículos militares da Guarda Nacional, somado àmilícia do Estado que já foi empregada em agosto, mês em que foi assassinado Michael Brown.

Previamente, o governador do Missouri teria ordenado na terça-feira o envio de reforços de centenas de efetivos da Guarda Nacional estadunidense a Ferguson.

Os advogados da família de Mike Brown, Benjamin Crump e Anthony Gray, condenaram o processo do grão jurado que conduziu a decisão da segunda-feira de não apresentar acusações criminais contra Darren Wilson; e disseram em uma roda de imprensa que o processo não foi justo, porque o fiscal do caso tinha um conflito de interesse e Wilson não foi examinado de forma apropriada. Afirmaram que deveria ter-se nomeado um fiscal especial, “Este processo está podre. Deveria ter sido impugnado†, comentou Crump.

Wilson poderia ter enfrentado acusações que vão desde homicídio involuntário a assassinato em primeiro grau. Os advogados de Wilson, que recebeu uma licença administrativa e se manteve afastado do centro da atenção desde o tiroteio, disseram que o oficial estava seguindo treinamento e a lei quando disparou em Brown.
A decisão do grão jurado do condado de St. Louis também provocou protestos em outras grandes cidades do país, que saíram a condenar o caráter racista desta sentença. A polícia lançou gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral contra os manifestantes na noite de segunda-feira.

Na manifestação em Ferguson foram presas 61 pessoas, em sua maioria da área de St. Louis, e a polícia abriu causas penais por delitos como roubo, posse de armas ilegais e reuniões não autorizadas.

Ainda que não se tenha informação de feridos graves, o chefe de polícia do condado de St. Louis, JonBelmar, disse que os distúrbios de segunda-feira e da madrugada da terça-feira foram “muito piores†que os gerados depois do assassinato de agosto.
Na cidade de St. Louis, onde se cortou brevemente o tráfego em uma importante rodovia durante a noite, o chefe de polícia Sam Dotson anunciou que na noite da terça-feira haveria uma resposta maior. Os colégios em Ferguson e as cidades circundantes anunciaram que não abririam suas portas na terça-feira, e as oficinas e lojas da cidade também estariam fechadas.

Milhares saíram às ruas em dezenas de cidades ao longo dos Estados Unidos

As manifestações se desenvolveram em várias cidades, entre elas Chicago, na qual centenas de manifestantes percorreram a rodovia da costa do lago (Lake Shore Drive). Em Oakland levou-se a cabo a maior mobilização da Bay Area (Califórnia) com mil pessoas bloqueando a rodovia interestatal 580. Outros mil manifestantes saíram em Nova Iorque no Times Square. Em Los Angeles se manifestaram centenas pela noite e cerca de mil durante o dia no bairro Leimert Park, marchando até o centro da cidade.

A absolvição de Wilson fez crescer o descontentamento entre a juventude que não está disposta a tolerar a violência racial. Isto é o que expressam as manifestações de solidariedade nos Estados Unidos depois do anúncio do grão jurado.

Esta notícia impactou a nível mundial, e não só porque um jovem afrodescendente foi assassinado por um policial branco; a mudança que houve é que em Ferguson começou um movimento, principalmente na juventude, no qual se questiona que a vida dos negros importa: “Our Lives Matter. Black Lives Matter†[Nossas vidas importam. A vida dos negros importa].

Segundo informe que publicou a cadeia BBC News os afroamericanos ainda se encontram em piores condições socioeconômicas que a população branca, seus ingressos são muito menores, em casos similares, as condenações para a população afrodescendente é 20 vezes maior, somado a um pior tratamento por parte da polícia.
Esperam-se novas mobilizações para os próximos dias e semanas, e ações contra a violência racial e policial.

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