Movimento Operário

Campanha contra machismo e homofobia chega a centenas de milhares de pessoas

01 Dec 2014   |   comentários

Na última semana as páginas da Folha de São Paulo e do Estadão estiveram estampadas com fotos de trabalhadores da USP carregando faixas contra os estupros no campus. Nesta mesma semana, os metroviários estão tomando conta das redes sociais com fotos de apoio à Danilo e Raphael, casal agredido dentro do Metrô de São Paulo. Estas imagens foram compartilhadas e curtidas por centenas de milhares de pessoas por Facebook e WhatsApp. Entrevistamos (...)

Na última semana as páginas da Folha de São Paulo e do Estadão estiveram estampadas com fotos de trabalhadores da USP carregando faixas contra os estupros no campus. Nesta mesma semana, os metroviários estão tomando conta das redes sociais com fotos de apoio àDanilo e Raphael, casal agredido dentro do Metrô de São Paulo. Estas imagens foram compartilhadas e curtidas por centenas de milhares de pessoas por Facebook e WhatsApp. Entrevistamos companheiros que estiveram na linha de frente destas campanhas: Diana Assunção, diretora do SINTUSP e Francielton, da manutenção do metrô de São Paulo.

Jornal Palavra Operária: Porque fazer campanhas militantes como essas?

Diana: Em primeiro lugar pelo repúdio que sentimos contra qualquer forma de opressão. Os trabalhadores leem os jornais sobre os estupros na USP, veem na TV o Danilo e o Raphael serem agredidos, isso dá uma sensação de revolta e logo pensamos no que podemos fazer. A melhor forma é fazer algo organizado, enquanto classe. Por isso fomos propondo nos nossos locais de trabalho, tanto na USP, quanto no Metrô essa ideia simples de juntar os trabalhadores no próprio local de trabalho e tirar uma foto. Isso mostrou uma grande força porque em poucas horas chegou a centenas de milhares de pessoas, seja pelo jornal impresso, seja pelo Facebook e WhatsApp. Mas fazemos campanhas assim porque diz respeito a que tipo de sindicalismo queremos levar adiante, um sindicalismo que não é somente combativo ou de luta, mas que carrega um principio da luta revolucionária contra toda a forma de opressão.

Francielton: Exatamente isso, queremos construir um outro tipo de sindicalismo, um sindicalismo que não naturaliza mais os ataques racistas, homofóbicos e machistas. Às vezes a gente está no trabalho, vê uma notícia na TV, mas parece que não tem nada a ver com a gente. Mas se tomamos atitudes como essa os trabalhadores podem ser sujeito político. Os comentários que vimos no Facebook nos dão muita força pra pensar que esse é o caminho. Infelizmente, até agora o Sindicato dos Metroviários se limitou a divulgar as fotos no Facebook mas não se somou àcampanha efetivamente, o que traria muito mais força.

JPO: Não é comum a pauta da violência a mulheres e a homossexuais ser levantada a partir de sindicatos e centrais sindicais, porque é assim?

Diana: A maioria dos sindicatos é controlada pela burocracia sindical que se submete ao regime sindical brasileiro. Os burocratas freiam nossas lutas, mas também morrem de medo que a voz dos trabalhadores comece a ter eco na população e em setores oprimidos, que são amplos em toda a sociedade. Então não somente reproduzem todo tipo de opressão entre os trabalhadores como buscam sempre separar o sindical do político, ou seja, dizem que luta contra opressão não tem a ver com os trabalhadores, que a luta é por salário, que a prioridade é a “pauta da categoria†. Infelizmente muitas organizações da própria esquerda reproduzem isso, ou no máximo tem um programa para as opressões que servem como adendo, deixando os setores oprimidos da classe trabalhadora se organizando individualmente e não lutando pra mover a classe operária como tribuno do povo contra a miséria e opressão da sociedade. Na greve dos trabalhadores da USP a partir do Sintusp a gente fez um debate contra o machismo, homofobia e transfobia, consideramos uma excelente experiência porque muitos trabalhadores falaram pela primeira vez numa reunião destas sobre o machismo dentro de casa, sobre sexualidade, sobre aborto, temas que são dados como tabus.

JPO: Porque é importante que sejam trabalhadores que levantem estas campanhas?

Francielton: Como os capitalistas utilizam a opressão para ampliar sua margem de lucro sobre os salários de todos os oprimidos, é impossível que uma saída de fundo para as opressões venha por parte da burguesia e seu Estado capitalista. Os trabalhadores podem oferecer uma contraposição àopressão disseminada pela burguesia, a possibilidade de que mulheres, negros, homossexuais vejam nos trabalhadores uma classe que pode, se armada de uma estratégia revolucionária, abrir espaço para a libertação dos trabalhadores e de toda a humanidade. Como um pequeno exemplo de novo sindicalismo essa campanha é pra lutar pelo novo, e quando se trata da luta contra as opressões não podemos ter nenhum medo de dizer que estamos lutando pelo comunismo, uma sociedade que seja livre de toda exploração e opressão.

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