Partido

DECLARAÇÃO

Camila Radwanski, presente, hoje e sempre!

15 Apr 2012   |   comentários

Segunda-feira, dia 09/04, fomos surpreendidos pela trágica notícia da morte de nossa companheira Camila Radwanski. Camila, militante do Pão e Rosas, se suicidou naquele dia. Colocou fim a imensa convulsão interna entre uma paixão pela vida e sua transformação e a intensa dor que lhe acompanhou boa parte da vida. Apesar de seus próprios esforços, dos esforços de seus companheiros mais íntimos e pessoas próximas encerrou esta violenta contradição desta forma trágica.

Camila foi ativa impulsionadora do Pão e Rosas e aqueles que a
conheceram na PUC-SP e recentemente na Faculdade de Educação da USP puderam sentir a paixão com que tomava cada atividade e discussão sobre a questão da mulher e a luta contra a homofobia. Também militou na LER-QI por vários anos e, estando afastada no último período pelas enormes dificuldades da dor que sentia, no entanto, nunca perdeu durante sua vida a perspectiva de lutar pela construção da revolução mundial e voltar a militar plenamente assim que possível. Camila era uma lutadora apaixonada em transformar cada aspecto opressivo, mutilador das potencialidades da humanidade que esta sociedade de miséria, de capitalismo e patriarcado constrange.

Este combate era para ela muito mais que um combate abstrato. Era uma batalha diária com suas dores, pessoais e muito sentidas. Há muitos meses a foto com que se identificava era um pôster de uma artista plástica feminista, Barbara Kruger, que diz “seu corpo é um campo de batalha†. A força com que encarava esta batalha é uma imensa fonte de inspiração, de convicção.

Uma dura batalha entre as durezas de bárbaries que são impostas a
milhões de pessoas, em especial às mulheres, a dura batalha de
enfrentar uma sociedade que impõe uma “normalidade†em meio àdor, e
sua vontade pessoal de lidar com esta dor e amar a vida e sua
transformação revolucionária. O ocorrido com Camila, e a outras tantas que como ela terminam, não pode ser entendido por fora dos imensos traumas que derivam da opressão familiar, unidade primordial na transmissão da hipocrisia da sociedade burguesa sobre o indivíduo.

Não aceitamos, nem Camila aceitava, a objetivação de sua dor e sua
imensa vontade como algo meramente “médico†, dado a que deveria se
resignar. O capitalismo busca objetivar condições e oferecer formas de
contê-las com remédios e buscar “normalidade†. Sem negar a utilidade
dos mesmos, a força com que Camila buscava, não a normalidade nem a
torpeza medicalizada, mas a ação revolucionária em cada aspecto de sua vida e dos outros nos inspiram. Não podemos concordar com o desfecho que teve sua batalha pessoal, mas sim nos inspira seu combate cotidiano e a paixão com que lutava pela transformação radical desta sociedade.

Seu suicídio, como muitos outros, são tragédias pessoais suas e de
seus mais próximos, mas também são uma tragédia social. Diferentemente de situações que reforçam esta sociedade de exploração e opressão sua tragédia lança acusações sobre como esta sociedade lhe impingia diariamente imensas dores. Tragédia esta imposta cotidianamente sobre os corpos e mentes de milhões de seres humanos, independentemente da classe social, e que atinge de forma muito mais aguda nesta sociedade capitalista e patriarcal as mulheres e os jovens.

Nos solidarizamos com as pessoas próximas e ficamos profundamente
agradecidos pela solidariedade que diversos militantes de outras
organizações e independentes nos trouxeram. Fica nosso agradecimento àsolidariedade demonstrada por militantes do PSTU, PSOL, Levante Popular da Juventude e independentes que compartilharam anos de luta com Camila na PUC e aos que começavam a compartilhar tais batalhas e discussões na Faculdade de Educação da USP.

Lutamos diariamente pelo pão e para acabar com a escravidão
assalariada, mas desde hoje e no longo prazo o marxismo é também a
luta pelas rosas. É como de forma tão bela colocava Trotsky, quando dizia que o marxismo “é o partido da vida†, que aspira a superar todas as causas sociais que compelem alguém a tomar determinações trágicas. Como marxistas, almejamos uma sociedade reconciliada onde a morte se tornará apenas um fenômeno natural.

Companheira Camila, presente, hoje e sempre!

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