Gênero e Sexualidade

CPI da USP: As mulheres e vítimas devem ser protagonistas das investigações

23 Dec 2014   |   comentários

Quarta feira, dia 17 de dezembro foi instaurada CPI para investigar as denúncias de estupros e assédios na Faculdade de Medicina da USP e nas demais faculdades paulistas.

Quarta feira, dia 17 de dezembro foi instaurada CPI para investigar as denúncias de estupros e assédios na Faculdade de Medicina da USP e nas demais faculdades paulistas. Sob a presidência do deputado Adriano Diogo (PT), os deputados convocaram uma série de pessoas para depor sobre os horrores na FMUSP, entre eles o diretor da faculdade de Medicina Otávio Costa Auler Junior. Contudo o reitor da universidade Marco Antonio Zago, que também é responsável pelos acontecimentos e pela impunidade dos culpados, será apenas convidado a participar, o que já demonstra um importante limite desta CPI. Ao invés de obrigar uma posição da reitoria, deixa ela livre pra escolher se aceita ou não este "convite".

A postura do Reitor já é de conhecimento de todos. Desde que as denúncias de estupros, maus tratos e abusos na FMUSP vieram àtona, sua postura é de não estragar o bom nome da Faculdade. Em nome da tradição e prestigio da melhor universidade do país a impunidade continua e o pior as vitimas e quem denuncia são perseguidos. O diretor chegou até mesmo a pedir “hombridade†às vitimas. Mas quem passa por casos semelhantes ao que acontecem na faculdade jamais esquecerão, a dor e o sofrimento acompanharam toda a vida desses jovens.

A CPI da USP, como ficou conhecida, deverá prosseguir suas atividades mesmo durante o recesso legislativo. Entretanto não podemos depositar ilusões que os deputados de diferentes partidos, incluindo os da burguesia, vão garantir a punição dos culpados ou dar uma resposta de fundo pra situação da violência às mulheres e a jovens. É preciso que as organizações de mulheres sejam protagonistas dessa luta, juntamente com as entidades de direitos humanos e as próprias vítimas, para dessa forma garantir a punição aos culpados.

Devemos assim como os trabalhadores da USP, que se posicionaram contra os estupros e assédios na Faculdade de Medicina, levantar uma forte campanha para dar um basta a essas práticas que se assemelham as utilizadas pela ditadura militar e para que os culpados sejam efetivamente punidos. É preciso uma estratégia de luta contra a opressão as mulheres que se alie aos trabalhadores e seja independente dos capitalistas e dos governos.

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