Movimento Operário

DEBATE SOBRE A MANIFESTAÇÃO NA PONTE RIO-NITERÓI

COMPERJ: O direito de "ir e vir" acima do direito ao salário?

12 Feb 2015   |   comentários

A manifestação dos operários do COMPERJ fechando a ponte Rio-Niterói abriu um grande debate sobre o direito de manifestação e de ir e vir. Porém pouco tem sido falado sobre seu direito ao salário.

A manifestação de algumas centenas de trabalhadores terceirizados da Petrobrás, da empresa Alusa que trabalham no Comperj em Itaboraí, Rio de Janeiro abriu um grande debate em várias categorias. Muitos trabalhadores ficaram horas àfio parados no trânsito devido a inovadora manifestação de bloquear a crucial ponte Rio-Niterói. Tal como ocorreu em junho de 2013 houve um grande debate sobre quais seriam os direitos que deveriam ser colocados acima dos outros, de manifestação ou de ir e vir. E, evidentemente, a grande mídia entrou neste jogo para marcar sua posição.

Ao contrário dos pareceres dos especialistas em direito que os grandes jornais tem a sua disposição, há um debate jurídico (ver por exemplo as opiniões do professor da USP e juiz do trabalho Soto Maior sobre um debate similiar na greve dos metroviários de SP em 2014) que não tem como assentado que os direitos individuais (como ir e vir) deveriam se sobrepor a coletivos (como de greve e manifestação) estes jornais ocultam o que realmente está em jogo e exaspera os operários. Sua falta de salário e ameaça de sequer ter onde morar. Sempre quando há manifestações ou greves a Globo e outros grandes meios querem tornar algo sagrado o direito de ir e vir acima de qualquer outro direito. Este debate, além de jurídico é de lado que se assume na luta de classes. Eles estão se lixando para o salário de operários, nós não. Os apoiamos e neste debate colocamos sua justa luta em primeiro lugar.

A mídia deu extensa cobertura e dedicou todas suas capas de jornal na quarta-feira a esta manifestação de terça-feira. Estava indignada como algumas centenas de operários haviam “impedido o direito de ir e vir†. Nenhum dos jornais dedicou uma linha àdenúncia de que estes operários estão a três meses sem salário. Hoje a cobertura jornalística sobre estes operários é novamente “policial†, como o Ministério Público irá processar os responsáveis e como a Polícia Rodoviária Federal aumentará seu efetivo “para que isto nunca mais aconteça†. Novamente nenhuma palavra sobre três meses sem salário nem o iminente despejo destes trabalhadores.

A maioria dos trabalhadores nas grandes obras da Petrobrás ou do PAC não são moradores dos locais, mas muitas vezes oriundos de cidades e estados distantes e ficam em alojamentos. A empresa Alusa alega estar sem dinheiro devido a ações judiciais contra ela em outra mega-obra da Petrobrás, a Refinaria Abreu e Lima em Suape, Pernambuco. Estas duas obras bem como a empreiteira estão envolvidas nos escândalos de corrupção que assolam a Petrobrás. Nem a Alusa nem a Petrobrás se responsabilizam. Os trabalhadores ficam sem salário e agora sem o pagamento do alojamento onde moram também sob a ameaça de iminente despejo depois do Carnaval.

Este excesso de cobertura sobre o “direito de ir e vir†e nenhuma linha sobre o direito àvida, ao sustento e moradia destes trabalhadores escancara quais são os valores importantes àmídia burguesa. A recusa da Petrobrás, sob administração do PT, em cumprir o acordo coletivo firmado com os petroleiros onde ela, como contratante, gere um “fundo garantidor†que existiria justamente para pagar os salários de operários contratados em situação como esta, escancara como a Petrobrás está muito preocupada com o “mercado†mas se lixando para os operários.

Por isto é preciso redobrar a solidariedade com os operários da Alusa e exigir que a Petrobrás e Alusa sejam responsabilizadas e que os bens de todos corruptos e corruptores sejam confiscados e usados em primeiro lugar para garantir os salários e direitos de todos trabalhadores.

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