Juventude

CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDANTES

CNE: Construindo nas lutas um novo movimento estudantil?

25 Jun 2009   |   comentários

O Congresso Nacional de Estudantes (CNE), ocorrido este final de semana na UFRJ, em meio ao conflito da USP, poderia ser um marco para o movimento estudantil brasileiro. Com cerca de 1300 delegados, foi o maior congresso do movimento estudantil por fora da UNE. Desde que lançamos a tese DESATAI O FUTURO junto a independentes do Movimento A Plenos Pulmões, defendemos que este congresso fosse realizado na USP para que se ligasse concretamente a este processo de luta. No congresso ficou claro que não se tratava de um problema “organizativo†, mas da própria concepção de movimento e dos propósitos da corrente majoritária, o PSTU.

Neste congresso travamos uma batalha para nacionalizar o conflito da USP. Colocamos a necessidade de que sua primeira tarefa fosse dar apoio ativo àluta em curso para que esta seja vitoriosa. Isto porque o conflito da USP levanta algumas das principais questões que se colocaram para o movimento estudantil do país no último período: qual o programa para unificar públicas e privadas e, por outro lado, universitários e secundaristas? Como unir os estudantes aos trabalhadores e ao povo pobre? Como coordenar os estudantes ao redor deste programa para se dirigir a toda a população?

No CNE não houve espaço para essas discussões. Propusemos modificar as atividades do Congresso para dar espaço às lutas e avançar em ações concretas que pudessem cercar o conflito da USP de solidariedade e culminar numa grande greve nacional. O único espaço cedido, não sem muita resistência, foi uma mesa para debater o conflito da USP. Praticamente não houve espaço para essas discussões, ao mesmo tempo em que o congresso foi completamente aparatado pelo PSTU, com suas atividades de auto-construção.

Enquanto nos poucos grupos de discussão (em quatro dias de encontro, somente 6 horas de GDs) colocávamos essa perspectiva, a principal proposta que levantava o PSTU era: fundar uma nova entidade, a Anel, que para eles seria a solução para todos os problemas do movimento estudantil. Na plenária final chegou-se ao cúmulo de proibir a declaração de abstenções! Um grande congresso com uma grande oportunidade jogada fora. A única proposta para os lutadores das estaduais paulistas foi um dia de mobilização nacional em solidariedade. Nada mais.

O Congresso Nacional de Estudantes... construindo o velho movimento estudantil petista e parlamentar de falas vermelhas socialistas e de métodos bastante similares aos da UNE. Basta! Precisamos de um movimento estudantil verdadeiramente combativo, massivo, pela base e de luta que, hoje, só pode se forjar se tomar como tarefa central a expulsão da PM da USP, a derrubada de Suely Vilela e a abertura de uma profunda discussão sobre como democratizar verdadeiramente a universidade. Chamamos os estudantes a lutarem junto conosco por essa perspectiva.

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