Movimento Operário

Super-salários na USP

“Meia transparência não basta, exigimos a abertura de todos as contasâ€

18 Nov 2014   |   comentários

A questão é que isto que estão vendendo como transparência não passa de uma meia transparência! Como podem dizer que é transparência publicar os salários e não publicar todas as contas da USP? Onde estão os dados das fundações privadas que lucram milhões? Onde estão os dados dos contratos milionários com empresas terceirizadas, com as empreiteiras que fizeram dos campi um canteiro de obras, e as negociatas em que os burocratas acadêmicos estão ligados à(...)

Nesta semana por exigência judicial a USP foi obrigada a publicar os salários de todos seus funcionários docentes e não docentes. Sobre este tema, Brandão, diretor do Sintusp declarou que “É preciso em primeiro lugar desmascarar o discurso do Reitor: não faz isso porque quer, ou para mostrar que a folha salarial seria a origem de uma crise financeira na USP; faz isso porque é obrigado, como consequência da pressão da mobilização de trabalhadores, estudantes e professores na greve da USP. Fomos os primeiros a exigir a publicação dessas informações, denunciando os altos salários da burocracia universitária†.

Brandão também agregou que “A questão é que isto que estão vendendo como transparência não passa de uma meia transparência! Como podem dizer que é transparência publicar os salários e não publicar todas as contas da USP? Onde estão os dados das fundações privadas que lucram milhões? Onde estão os dados dos contratos milionários com empresas terceirizadas, com as empreiteiras que fizeram dos campi um canteiro de obras, e as negociatas em que os burocratas acadêmicos estão ligados às empresas? Enquanto a Reitoria não der acesso às fontes e aos dados brutos, mostrando todas as contas, não se pode chamar de transparência a publicação parcial de dados. Ao contrário, esta publicação parcial de dados não é para nada ‘desinteressada’, tem um objetivo bastante claro: jogar a população e a opinião pública contra os trabalhadores. É isso que está escancarado no Editorial da Folha de São Paulo de hoje que ataca, inclusive, o direito de greve dos trabalhadores†.

Ele aponta que mesmo no que se refere aos salários, as informações são parciais: “Eles não dizem o principal, que é como se compõem esses salários. Quanto disso é remuneração por trabalho, ensino e pesquisa, e quanto é verba por ocupar cargos de direção na universidade? Se fosse possível ver isso, ficaria claro que a maioria dos altos salários são de membros do que chamamos de ‘burocracia universitária’, ou seja, um setor de professores, e alguns funcionários, que ocupam cargos de direção na universidade, atuando diretamente pelos interesses da Reitoria e do governo do Estado. A Folha pega dois casos isolados de funcionárias, com cargos de chefia, que ganham mais que o reitor, pra passar a ideia contrária, de que o dirigente não ganha tanto, e que todos os trabalhadores ganham muito, e isso é mentira!†.

De fato, pesquisando em outras fontes da USP, vemos que dos 10 maiores salários de professores, todos aposentados, a maioria é de ex-diretores de unidade - entre eles nomes como Manuel Nunes Dias, conhecido pela colaboração ativa com a repressão da ditadura militar. Já entre os 10 maiores salários de professores ativos, TODOS são ou foram diretores de unidade, reitores, vice-reitores ou pró-reitores - além de ocuparem cargos em órgãos como a FIESP e fundações privadas como a FIA e a FIPFARMA. Dos 100 maiores salários da USP, sete são de funcionários não docentes, sendo seis deles procuradores da Reitoria.

E Brandão continua: “Essa campanha na imprensa, pra ganhar a opinião da população, se apoia no fato de que a esmagadora maioria dos trabalhadores no Brasil vive com um salário de miséria, e tem que escolher a cada mês se irá comer, pagar o aluguel, ou trocar de roupa. Mas se o próprio DIEESE calcula que o salário mínimo, pra cumprir a constituição, hoje teria que ser de R$3 mil [R$2.967,07 em Out/2014], precisamos perguntar: o absurdo está nos salários dos trabalhadores da USP, ou no salário mínimo de R$724 que se paga no mercado? E que aliás, é o que ganha a grande maioria do 5 mil trabalhadores terceirizados da USP, que o reitor menciona na Folha, mas sem mostrar seus salários de fome, e muito menos as fortunas pagas pela universidade para as empresas terceirizadas! Por isso devemos lutar juntos pelo salário mínimo do DIEESE como piso mínimo para todos os trabalhadores do país. Inclusive para os 5 mil terceirizados da USP, e alguns milhares de efetivos que recebem menos que isso [cerca de 2400 servidores, segundo a lista da Folha].â€

Diante desta situação, Brandão finaliza dizendo que “Não se pode cair nesta armadilha da Reitoria em aliança com a imprensa. A greve de 4 meses dos trabalhadores da USP mostrou quem defende educação e saúde pública pra toda a população. É por isso que continuaremos lutando contra as perdas salariais diante da inflação, por direitos e salários iguais para os terceirizados e por saúde e educação para toda a população. Dia 26 de novembro faremos uma grande paralisação levantando estas bandeiras†.

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