Terça 25 de Junho de 2019

Movimento Operário

Balanço da greve dos correios de São Paulo

29 Nov 2014   |   comentários

A bronca dos ecetistas (ECT – Empresa de Correios e Telégrafos, Correios) só aumenta. Como se não bastasse o dia a dia pesadíssimo, a empresa tenta piorar ainda mais a situação, chegando a não arcar com compromissos já feitos. Se não fizemos ainda grandes lutas, foi devido àburocracia sindical dos correios, majoritariamente da CTB que controla os sindicatos de SP e RJ. A oposição também não se apresenta como alternativa que os carteiros tenham real confiança. Mais uma vez isso se mostrou na recente greve, mas o Movimento Nossa Classe agora atua organizado na categoria e começamos a construir uma alternativa.

A burocracia impôs novamente a divisão e queria apenas se relocalizar

A PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de 2013 deveria ter sido paga em maio desse ano, o que não aconteceu porque a ECT quis que fosse atrelado junto ao pagamento um acordo trianual da PLR. Desde então, negociações foram feitas entre empresa e as federações (FENTECT e FINDECT) sem chegar a uma solução, levando o caso ao TST que determinou a assinatura do acordo trianual e o pagamento da PLR até o começo de novembro, o que não aconteceu por parte da empresa. É neste cenário que o SINTECT-SP, dirigido pela burocracia da CTB (PCdoB), sem fazer grande agitação na base, puxou a greve que começou dia 13/11 e se encerrou dia 19/11.

Foi uma greve controlada pelo sindicato. O principal objetivo foi o de recuperar o prestígio perdido na base após mais uma traição escandalosa, agora na última campanha salarial, que enterrou a possibilidade de uma greve nacional. Nesta greve dos últimos dias foi possível novamente observar o resultado de anos da política traidora da CTB nos correios. Uma vanguarda ampla, que sempre foi conhecida por sua combatividade (o exemplo mais ilustrativo é o CDD Itapevi), se recusou a entrar em greve com os atuais burocratas na direção. A nojenta política da burocracia foi a de a todo momento nos discursos chamar esses setores de pelego.

A greve se encerrou com um acordo entre a FINDECT (CTB) e a empresa, onde se determinou o pagamento da PLR até a primeira semana de dezembro e o acordo trianual da mesma. Foi acordada também uma comissão paritária para analisar o descredenciamento de hospitais devido àprivatização do convenio medico. Com isso, a burocracia recuperou parcialmente seu prestigio, principalmente nos locais onde sua atuação é mais ativa, mas longe de ganhar a confiança da maioria dos carteiros.

A oposição em São Paulo está há décadas na categoria mas não ganha confiança da base

Toda essa movimentação da burocracia foi feita ignorando a posição da FENTECT (onde atuam correntes de oposição, como o PCO e o PSTU), que continua a negociação pois corretamente se nega a aceitar o acordo trianual da PLR e está convocando algumas assembleias, apesar de que aceitaram passivamente que a greve de SP tenha sido isolada pela burocracia. Esse é mais um episódio que mostra o quanto a divisão da categoria entre FINDECT (CTB) e FENTECT, feita pelos burocratas do PCdoB, é um câncer no movimento ecetista que deve ser combatido com todas as forças.

Infelizmente, as oposições não fazem uma política consequente para de fato combater os burocratas, o que só pode se dar organizando os carteiros de São Paulo na base para se levantarem de maneira organizada contra a burocracia. Em geral, se limitam a aparecer ativamente apenas no período de eleição sindical e se limitar a fazer falas como oposição em uma ou outra assembléia. Durante essa greve, ao invés de aproveitar o momento para incidir na base, o PCO (direção da FENTECT) sequer entrou nas assembleias (pratica recorrente) e ignorou por completo a existência da greve. O PSTU participa das assembleias de SP mas é a passividade mais absurda, nunca chega organizando carteiros de base com uma política independente. A oposição da INTERSINDICAL que dirige o Sindicato de campinas se limitou a escrever uma nota denunciando a manobra da burocracia.

Começa a surgir uma nova alternativa de organização para a luta

Inversamente, na zona oeste da Grande São Paulo, através do Movimento Nossa Classe e junto a outros carteiros combativos da região, usamos a greve para mobilizar a base e articular diversas unidades. Denunciamos a burocracia, ao mesmo tempo em que colocamos a necessidade de lutar contra os ataques do governo e da empresa e que, por esse motivo, deveríamos parar e nos organizar, aproveitando a greve para avançar nessa organização. Com esse diálogo chegamos ao setor da vanguarda desmoralizada. Fizemos uma ampla campanha de cartazes do Nossa Classe de diversas categorias em apoio aos carteiros em greve. Agora no pós-greve temos feito a política de cristalizar a articulação dos diversos locais oriunda da greve, para lutar contra os ataques contando apenas com as próprias forças, em oposição àburocracia da SINTECT. Assim, estaremos melhor preparados para futuros combates. É com essa política totalmente diferente da lógica aparatistica usada pela oposição em geral, que pretendemos criar uma alternativa real àburocracia, assim como fizeram os Garis de Irajá na preparação da histórica greve dos garis do RJ.

Fazemos isso para poder retomar o SINTECT-SP e poder acabar com o divisionismo na categoria. Só assim, com unidade, combatividade e a força da base, pode-se pensar em dar uma resposta de fundo para o problema dos ecetistas, que é a luta pela PLR atrelada ao salário, por melhores condições de trabalho, pela efetivação dos terceirizados, contra a privatização da ECT, que precisa ser 100% estatal e controlado pelos ecetistas e a população, única forma de garantir condições de trabalho dignas e um melhor atendimento para a população, impedindo a corrupção e os altíssimos salários de uma casta parasita que controla os correios e quer coloca-lo cada vez mais a serviço do lucro.

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