Movimento Operário

BANCÃ RIOS

Balanço da Greve de Bancários

06 Nov 2013   |   comentários

No dia 11 de outubro terminou em São Paulo, Osasco e região uma das mais fortes greves protagonizadas pelos trabalhadores bancários no últimos anos, que teve uma duração de 23 dias.

No dia 11 de outubro terminou em São Paulo, Osasco e região uma das mais fortes greves protagonizadas pelos trabalhadores bancários no últimos anos, que teve uma duração de 23 dias. Após realizar assembleias separadamente com bancários de bancos privados, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal a burocracia sindical da categoria, dirigida pela Articulação/PT, se utilizou novamente de uma de suas mais conhecidas manobras para frear a luta dos trabalhadores, se apoiar na presença dos fura-greves e gestores enviados pela empresa para votar o fim da greve. Com o fim da greve em São Paulo, os estados que permaneciam em luta acabaram retrocedendo no início da semana seguinte.

O descontentamento e crise de representatividade da base da categoria com essa direção burocrática se fez presente nesta greve com uma grande passividade dos trabalhadores que não enxergam no sindicato uma forma de organização combativa e que possa avançar para conquistas reais das reivindicações que se fazem mais presentes no cotidiano dos locais de trabalho.

A mudança de conjuntura no país depois de junho nos trouxe uma importante oportunidade de transformar nossa campanha em um fato politico nacional mostrando a força de nossa categoria organizada, o fato da burocracia sindical, em acordo com o governo e a patronal, impedir de todas as formas possíveis a confluência de nossa luta com as lutas que cruzaram o Brasil no ultimo período bem como as demais categorias, como os trabalhadores dos Correios que tiveram uma greve relâmpago, mostrou como essa unidade poderia ser explosiva para que pudéssemos extrapolar os limites das pautas levantadas por cada setor para questionar mais profundamente a forma de governo e a qualidade dos serviços públicos que foi uma questão que teve maior visibilidade nas jornadas de junho. O final de nossa greve se deu exatamente no momento em que os professores no Rio de Janeiro levantavam mais uma vez e inflamavam o cenário politico do país sendo um exemplo combativo da união dos estudantes com a classe trabalhadora, justamente nesse momento, não por acaso a direção de nosso sindicato ao invés de reivindicar a união de nossas lutas para dobrar os banqueiros e o governo resolveu encerrar nossa greve cumprindo mais uma vez o papel nefasto de trair a luta da classe trabalhadora.

Diante da nova situação no país tanto o governo quanto a patronal estão tentando se relocalizar e testar até onde podem seguir com os ataques sem que haja destempero por parte destes que levem a uma mobilização massiva que questione mais profundamente o sistema de conjunto; nesse marco podemos perceber que a FENABAN estava justamente testando até que ponto poderia endurecer mais a negociação para quebrar a já naturalizada campanha salarial que todo ano tem um mínimo aumento real, que ainda que insuficiente economicamente representa a força politica que a categoria mantém, no entanto os banqueiros se depararam com uma forte resistência dos trabalhadores bancários, ainda que passiva, o que foi fundamental para que, mesmo que por dentro do teatro da burocracia, fosse mantida a série de aumentos.

Durante essa greve, nós militantes da LER-QI, que integramos o coletivo bancário Uma Classe, ao lado de outros trabalhadores, estivemos na linha de frente de construir uma importante frente única com outras correntes da oposição bancária, o Avante Bancários!, furando o controle da burocracia sindical e nos colocando como uma verdadeira alternativa de força nos banco públicos, principalmente na Caixa. Através do nosso programa e de nossos métodos, conseguimos influenciar um importante setor para que questões como a luta contra a terceirização e a aliança entre trabalhadores e estudantes tivessem destaque e fossem colocados em prática em nossas ações. Nossos piquetes combativos, que tiveram início na Ag. Sete de Abril da Caixa que vem sendo uma referência na luta nos últimos três anos e daí para o prédio da Superintendência e agência Sé, e a partir daí para uma série de prédios estratégicos da Caixa (como a central de tecnologia em Osasco), do Banco do Brasil (como a Superintendência na Av. Paulista) e até de bancos privados, onde a "mão de ferro" patronal dificulta muito a organização de base e da oposição. Nessas ações conseguimos atrair - após o grande êxito do trancaço no Prédio da Sé, no segundo dia de greve - o MNOB (corrente organizada pelo PSTU) para esse modelo mais radicalizado de piquete, avançando para uma importante unidade de ação das correntes da Oposição que se estendeu até o fim da greve, dando um tom diferenciado para essa campanha, impactando a política do conjunto da oposição e até mesmo a política da burocracia sindical.

Unidade de classe: piquetes no prédio do Brás da Caixa

Vimos o acerto de nosso programa e métodos quando piquetamos o prédio da Ag. Brás da Caixa onde trabalham centenas de terceirizados no serviço de teleatendimento. Um setor precarizado, composto por uma maioria esmagadora de mulheres que suportam todo tipo de pressão e assédio por parte da Call Contact Center, empresa contratada pela Caixa. Nessa oportunidade pudemos dialogar com os trabalhadores terceirizados e ouvir suas diversas reclamações sobre as péssimas condições de trabalho e péssima remuneração. Contraditoriamente, o trabalho feito por eles é muitíssimo parecido com o dos efetivos da Caixa, utilizando inclusive os mesmos sistemas.

Com a caixa de som colocada na frente do prédio falamos contra a terceirização, denunciando essa tentativa de divisão de nossa classe e levantando a bandeira de incorporação dos terceirizados, sem necessidade de concurso público, sob os aplausos entusiasmados desses trabalhadores.

Retornamos ao prédio duas semanas depois. Desta vez nos deparamos com a tentativa da empresa de obrigar os trabalhadores do turno da tarde a se dirigirem para outra unidade. Para tanto, seus supervisores não poupavam ameaças de descontos e advertências. Ainda assim, os trabalhadores da Call enfrentaram o assedio moral de seus gestores se recusando a ir para um lugar onde sequer teriam estrutura mínima pra trabalhar. Nós os apoiamos! Com o fim da greve dos efetivos, cresceram as ameaças de desconto. Dessa vez, sem a nossa presença, os terceirizados da Call se organizaram entre eles e paralisaram as atividades, conseguindo arrancar o compromisso (ainda não comprovado) de que não haverá desconto. Estamos atentos e não permitiremos nenhum tipo de ataque a organização dos trabalhadores, sejam eles efetivos ou terceirizados.

Seguimos construindo uma alternativa de oposição combativa e antiburocrática para organizar os trabalhadores de forma independente em cada local de trabalho, lutando pela unidade da classe trabalhadora e contra a terceirização e a precarização do trabalho, tomar de volta as entidades de representação dos trabalhadores arrancando do sindicato essa direção pelega e atrelada ao governo e patrões!

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