Movimento Operário

PROFESSORES

Avançar em um verdadeiro plano de luta que parta da organização em cada escola para combater a burocracia e arrancarmos nossos direitos

29 Apr 2012   |   comentários

Desde o ano passado os professores da rede oficial de ensino de todo o Brasil têm se mobilizado pela implantação da Lei do Piso e da Jornada. Apesar da disposição de luta, várias greves duras e longas têm sido sistematicamente derrotadas. Em SP, a burocracia da ArtSind e seus aliados (PCdoB, ArtNova) cantaram vitória para a categoria desde o meio do ano de 2011 e, até agora, nada mudou. Sistematicamente desmontam as possibilidades reais de mobilização. Assim foi na greve nacional convocada pela CNtE dos dias 14, 15 e 16 de março; e o mesmo no dia 20 de abril, onde nem os conselheiros e diretores da Apeosp estiveram presentes.

A burocracia sindical iludiu os professores ao jogar todas as fichas na luta judicial. Agora o processo está no STJ e pode demorar anos para ser julgado. Fazem isso por sua relação carnal com o governo do PT, partido que no governo federal aplica exatamente o mesmo receituário que o tucanato em SP; o RS governado pelo PT, por exemplo, paga o mais baixo salário de todos os estados, uma miséria de R$750,00.

A direção majoritária de nosso sindicato não fala que a política de sucateamento, repressão e precarização é a mesma que todos os partidos que participam do jogo estatal brasileiro corroboram, e atua visando apenas seus interesses eleitorais.

Nós da Corrente Professores Pela Base (LER-QI e independentes), entendemos que a luta por conquistas reais da categoria passa por um enfrentamento claro com os métodos e com a política da direção majoritária do sindicato. Entendemos como fundamental construir, desde a base, uma política independente, com democracia e mobilizações diretas partindo das escolas, para desconstruir a lógica que a burocracia há anos vem impondo onde as mobilizações dos professores são apenas métodos de pressão facilmente trocados por “acordos†(até verbais) com o governo e manobras eleitorais. Para isso, precisamos retomar métodos de lutas onde os professores decidam em assembleias desde as escolas e regiões, onde procurem se ligar às comunidades, façam atividade e ações nos locais de trabalho, e lutem contra divisão dos trabalhadores e da escola.

A nosso ver, os camaradas do PSTU, maioria na oposição, cometem importantes erros ao buscar frente única, o tempo todo, com essa burocracia que vende nossas lutas. Acabam não se colocando como alternativa real ao seguirem uma política superestrutural que tem provocado perda sistemática de espaço e de capacidade de mobilização da Oposição. Ao privilegiarem manobras e ações conjuntas com a majoritária, no lugar da mobilização direta e de base, acabam se confundindo. Chegaram, inclusive, a votar na ultima assembleia um calendário que propõem como próxima atividade uma assembleia dia 15 de junho, ou seja, quase 2 meses sem nenhuma atividade de rua e a 15 dias do início das férias escolares. Com um discurso de evitar o ultra esquerdismo, confiam pouco na mobilização dos professores e terminam fazendo frente com a burocracia.

Desde a Corrente Professores pela Base, com a qual estamos inseridos na Zona Norte da capital de SP e em Campinas, conseguimos construir a paralisação em março, procurando fazer atividades nas próprias escolas (que foi barrada em uma das escolas pela direção com apoio da burocracia dizendo que “não era a política do sindicato†), com discussões e mobilizações reais nos locais de trabalho. Na Zona Norte, Capital, chegamos, a mobilizar dois ônibus enquanto a burocracia da subsede nada fez e ninguém levou.

Entendemos que para sermos vitoriosos é necessário, na prática, unirmos professores efetivos e temporários para lutar contra a divisão da escola e da categoria. Para isso precisamos urgentemente hierarquizar as bandeiras que se confrontem contra a precarização e a divisão como a “imediata efetivação sem concurso público de todos os professores precarizados e trabalhadores terceirizados da escola†.

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