Movimento Operário

Apesar da traição da CUT...

Avança a organização combativa entre os bancários da Caixa

14 Oct 2014   |   comentários

Apesar de ter sido uma "greve relâmpago", buscamos pôr em prática um novo tipo de movimento sindical classista e revolucionário

A greve de apenas uma semana foi uma “greve relâmpago†. O avanço da terceirização e da informatização faz com que a nossa greve afete o funcionamento da economia e os lucros dos bancos a partir do sétimo dia. A traição da CUT/Contraf a impediu de chegar a esse patamar.

Pensando o “desenvolvimento interno†da greve, o encerramento abrupto pela burocracia sindical também impediu um avanço maior dos elementos que apontavam para um novo ativismo na categoria bancária.

Mesmo assim, buscamos pôr em prática princípios estratégicos através dos quais buscamos construir um novo tipo de movimento sindical classista e revolucionário. Exporemos três momentos dessa atuação para que nossos avanços e insuficiências possam contribuir no processo de recomposição de uma nova vanguarda no país.

Um piquete combativo a serviço da coordenação pela base

Mais uma vez, começamos por estabelecer um forte piquete de greve na ag. 7 de Abril, reforçando o que já é uma referência na vanguarda da categoria em SP. Um piquete duro, contra os “piquetes†de fachada do Sindicato petista (onde os gerentes e os clientes endinheirados têm passagem garantida). Um piquete democrático, em que os próprios trabalhadores determinam o “que†, o “como†e o “quando†do movimento, e não como faz o sindicato, onde só aparecem os seus figurões, ajudados por “piqueteiros terceirizados†(contratados), e ficam ausentes os trabalhadores da base. É um piquete a serviço da auto-organização, buscando se colocar como um pequeno pólo a serviço da coordenação pela base de todos os bancários da região que buscam uma forma de intervir como sujeitos na greve.

Na categoria bancária a imposição aos terceirizados das agências de que continuem trabalhando e garantindo um funcionamento mínimo das agências é um fator decisivo para aplacar a potência da greve. Temos orgulho de que “barramos a entrada†de todos os terceirizados, mas também confirmamos e aprofundamos na greve, contra todas as tentativas de jogar os terceirizados contra os grevistas, uma solidariedade consciente entre todos. Desmascarando as armadilhas da patronal e preparando assim um pequeno embrião do que poderia ser uma futura greve geral de todos os que fazem a engrenagem do sistema financeiro funcionar, do vigilante e da faxineira, ao tesoureiro ou caixa. Em que nossa greve impactaria não no sétimo dia, mas de imediato.

Trancaço no Prédio do Brás: emblema da unidade entre efetivos e terceirizados

Um segundo momento de relevo em nossa atuação foi o trancaço no Prédio do Brás, que abriga cerca de 650 trabalhadores efetivos de diversos departamentos da Caixa (Habitação, Logística, Tecnologia), e mais de 1.000 terceirizados (a grande maioria da Call, uma das empresas responsáveis pelo serviço de teleatendimento da Caixa).

Repetindo o êxito do ano passado, conseguimos fechar completamente o prédio, em unidade com o conjunto da oposição bancária. Mas o mais importante, novamente, foi a solidariedade ativa das trabalhadoras da Call. Aglomeradas em centenas sob uma chuva fina e incômoda na porta da empresa, elas resistiram àtentativa inicial dos supervisores de usar a situação para lançá-las contra a greve. E, ao contrário, demonstraram sua empolgação pela demonstração de força dos grevistas, aproveitando para fazer chegar aos colegas efetivos as denúncias sobre suas condições absurdas de exploração.

Superando ano passado, essa ação também foi capaz de atrair um setor novo de ativistas da categoria, além de companheiros de mais tradição e que nem sempre encontram como dar vazão àsua combatividade nas greves “de fachada†feitas pelo Sindicato Cutista.

Intervenção independente no Ato contra a autonomia do Banco Central

Como única “ação de rua†da greve este ano, o Sindicato havia convocado, desde a primeira assembleia, a realização de um ato público contra a autonomia do Banco Central - uma típica bandeira neoliberal que combatemos - em frente àsua sede na Av. Paulista. Mas não era preciso ser nenhum gênio para adivinhar as verdadeiras intenções da burocracia governista (CUT-PT, CTB-PCdoB, etc). Fazer um ato contra a candidatura de Marina Silva (que parecia então a adversária mais perigosa de Dilma nas eleições), e de quebra promover um verdadeiro “comício†a favor dos candidatos petistas, usando a greve bancária como apenas mais um pretexto. Para os trabalhadores, isso colocava um dilema claro.

Um setor da oposição vacilou, buscando garantir um espaço no ato através de uma política puramente “propositiva†, agregando demandas corretas ao ato, como a revogação de uma disposição do BC que facilita a terceirização nos bancos, mas sem questionar no cerne o objetivo político da burocracia governista no ato. Outro setor, com o justíssimo receio de acabar sendo usado como massa de manobra da CUT para engordar seu ato pró-Dilma, pendeu para o lado de um simples “boicote†ao ato, que não impediria em nada as direções oficiais de levarem àfrente sua obra de falsificação, que pretendia usar a greve para dizer que Dilma seria a candidata dos trabalhadores, enquanto Marina e Aécio seriam os candidatos dos capitalistas.

Nós não deixamos de preparar uma rápida medida de ruptura com o ato, no provável momento em que já não fosse mais possível evitar que os poucos trabalhadores presentes se “diluíssem†frente ao grande peso de aparato da burocracia. Mas nem por isso deixamos de explorar a possibilidade de fazer ouvir uma voz independente, que denunciasse que todos os três principais candidatos são agentes dos interesses da burguesia, contra os trabalhadores, apesar de suas diferenças menores. E tivemos êxito!

Esse combate, minúsculo por sua proporção e efeitos imediatos, não deixa de ser enorme em sua significação: ajudar a formar uma vanguarda de trabalhadores que não renuncie aos combates diretamente políticos que a luta de classes coloque. E que esteja tensionada em pensar, com toda criatividade e flexibilidade, como levar a política independente da classe trabalhadora para todos os terrenos, mesmo os mais adversos.

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