Questão negra

RACISMO CONTRA FABIANA DO VÔLEI

Até Quando?

03 Feb 2015   |   comentários

Aqui em Minas Gerais a Fabiana Claudino Atleta da do SESI-SP e capitã da Seleção brasileira de vôlei foi chamada de macaca pelo senhor Jefferson Gonçalves de Oliveira, durante a partida do Sesi –SP contra a equipe do Minas, o Jogo da super liga aconteceu na Arena do Minas Tênis Clube no dia 27 de Janeiro.

Fiquei profundamente triste com mais um caso de racismo público e em massa acontecendo no esporte de alto nível.

Aqui em Minas Gerais a Fabiana Claudino Atleta da do SESI-SP e capitã da Seleção brasileira de vôlei foi chamada de macaca pelo senhor Jefferson Gonçalves de Oliveira, durante a partida do Sesi –SP contra a equipe do Minas, o Jogo da super liga aconteceu na Arena do Minas Tênis Clube no dia 27 de Janeiro. No dia 28, a bicampeã olímpica Fabiana M. Claudino denunciou os insultos sofridos durante o jogo postando no Instagram o seguinte texto:

"Vivenciar isso é difícil e duro!Vivenciar isso na minha terra, torna tudo pior! Ontem durante o jogo contra o Minas, um senhor disparava uma metralhadora de insultos racistas em minha direção. Era macaca quer banana, macaca joga banana, entre outras ofensas. Esse tipo de ignorância me atingiu especialmente, porque meus familiares estavam assistindo a partida. Ele foi prontamente retirado do ginásio pela direção do Minas Tênis Clube e encaminhado àdelegacia. Agradeço a atitude do Minas, em não ser conivente com esse absurdo. Clube este, onde comecei a minha história e onde até hoje tenho pessoas queridas. Refleti muito sobre divulgar ou não, mas penso que falar sobre o racismo ajuda a colocar em discussão o mundo em que vivemos e queremos para nossos filhos. Eu não preciso ser respeitada por ser bicampeã olímpica ou por títulos que conquistei, isso é besteira! Eu exijo respeito por ser Fabiana Marcelino Claudino, cidadã, um ser humano. A realidade me mostra que não fui a primeira e nem serei a última a sofrer atos racistas, mas jamais poderia me omitir. Não cabe mais tolerarmos preconceitos em pleno século XXI. A esse senhor, lamento profundamente que ache que as chicotadas que nossos antepassados levaram há séculos, não serviriam hoje para que nunca mais um negro se subjugue àmão pesada de qualquer outra cor de pele. Basta de ódio! Chega de intolerância!"

O pedido de desculpas feito pela irmã do Jefferson que foi publicado no site da rede globo de televisão me manteve insatisfeita. Primeiro porque o pedido de desculpas não foi feito pelo senhor Jefferson que, diga-se de passagem, nem ao menos finge arrependimento, “não que eu concorde com tal atitude†, mas é comum de acontecer em casos como este; segundo porque ficou claro que a sua fala estava carregada de culpa não pelo fato de que comparar uma pessoa negra com uma macaca seja uma atitude inadmissível, mas sim porque se tratava de uma atleta que não merecia isso, e ela fez questão de falar o quanto ela é fã do voleibol; Terceiro porque apesar do pedido de desculpas da irmã, e da multa que o Minas deverá pagar, li alguns relatos (fáceis de encontrar na internet) de que o Jefferson estava lá no dia seguinte, ofendendo novamente as pessoas.

Para falar de atitudes desagradáveis como a de Jefferson talvez fosse necessário recorrer ao ano de 1914, ano de origem do famoso apelido do Fluminense “Pó de Arroz†? Ou não, talvez antes, a culpa por estarmos nesse ponto ainda hoje, pode ser de Noé quando ele resolveu lançar sua terrível maldição aos filhos de Cam.

O Fato é que já aconteceu, pessoas negras foram escravizadas, maltratadas, humilhadas, e mortas, seja por uma ridícula crença ou desculpa religiosa, ou por pura crueldade. O que me surpreende atualmente no esporte é que o ato é em massa na grande maioria das vezes. Não acredito em seres apolíticos, e em momentos como esse se você não reage está sendo conivente com a situação.

E assim a Fabiana quando denunciou isso na internet foi mais um exemplo de coragem e de força aos que lutam contra a opressão. Na verdade o esporte de alto nível mostra de forma superficial a realidade da população negra no Brasil, e quando eu digo superficial é porque por trás das câmeras a situação é ainda mais revoltante. O que aconteceu com a Fabiana, com o Daniel Alves, com o Aranha ex-goleiro do Santos no jogo contra o Grêmio, com o Tinga ex Meio Campo do Cruzeiro durante a partida contra o Real Garcilaso e outros casos que tomaram a mídia em relação a preconceitos étnicos no esporte de alto rendimento é um percentual muito pequeno daquilo que é atualmente conhecido como racismo. Pessoas negras sofrem no cotidiano, não poucas vezes eu ouvi “preto zuando preto não é racismo†, ou mesmo que “piadas de preto, homossexual, loiras e prostitutas todo mundo ta acostumado a ouvir, e isso não ofende†. Pois é, OFENDE.

O descaso de governantes é tão grave que, em sua grande maioria, pessoas negras são tão limitadas de acesso àeducação, àcultura e ao lazer, somos tão imobilizadxs pelo sistema, que muitas vezes a percepção do quão humilhadxs somxs cotidianamente e do quanto é importante exercer a nossa força para que a cultura negra deixe de ser deboche e ironia, ficam sem sentido para a grande maioria de pessoas negras e pobres. E tudo isso por quê? Pelo simples fato de carregar consigo uma maior quantidade de melanina do que outras etnias, ou talvez seja pela textura dos nossos cabelos, ou pior, talvez seja pelo tamanho do nariz ou dos lábios, ah… isso sim é imperdoável.

Mas a revolta me toma ainda mais ao é ver a burguesia levar vantagem sobre isso, burguesia que incita a manutenção dxs negrxs e pobres em uma situação de inferioridade, para que essxs mesmxs negrxs ofereçam a esse maldito sistema seu alicerce, um sistema inteiro estruturado para que até a última gota de sangue seja arrancada da população pobre e majoritariamente negra do país. Negrxs que lutam pela sobrevivência diariamente, que assumem os postos dos trabalhos mais precarizados para garantir minimamente a sobrevivência.

Contudo, existem pessoas que lutam pelas contra a exploração e opressão diariamente, que dariam sua vida para que uma mudança radical acontecesse, e como disse uma conhecida minha que despertou minha profunda admiração “Eu acredito e vou morrer acreditando na revolução†.

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