Internacional

COLÔMBIA

As sete bases da dominação

11 Aug 2009   |   comentários

A situação da crise nos revelou uma disposição da burguesia em disciplinar a classe trabalhadora na América Latina. Isso se dá em meio ao reacionário golpe militar em Honduras e a sanguinolenta repressão no Peru, enquanto ocorrem as negociações do governo com o imperialismo através das TLC†™s. O governo Barack Obama vem reacomodando as bases de dominação do imperialismo. Diferentemente do governo Bush, Obama chegou com uma cara nova, mais “dialogável†, a serviço da mesma dominação sufocante do imperialismo norte-americano, porém esta nova face trouxe um realinhamento àdireita de uma parte importante dos governos semi-coloniais em direção a Washington, enxergando no novo governo uma liderança que há quase uma década não era vista. Em meio a esta situação, o governo ultra-direitista de à lvaro Uribe da Colómbia está em negociação com Obama para permitir que sete bases colombianas sejam ocupadas e utilizadas pelas forças armadas norte-americanas, contando com portos e pistas de pouso que permitirão serem instalados aviões de bombardeio, caças, helicópteros e navios destróieres.
O sucesso deste plano vai significar um aumento da opressão militar e estratégica do imperialismo sobre todos os países sul-americanos e do Caribe, onde seu insuperável arsenal bélico será usado ainda mais como meio de pressão a qualquer governo nacional que tente extrapolar os limites da dominação norte-americana. Este plano vem a público com a justificativa de ser um auxílio logístico ao governo colombiano no combate ao narcotráfico e àresistência das FARC, que controla a parte sudeste do território colombiano. O “combate ao narcotráfico†é a mesma justificativa que vem sendo usada para o treinamento de técnicas de tortura por parte do governo norte-americano aos militares colombianos há décadas, e que tem continuado sob o governo Obama. “Já são mais de 12.859 pessoas que foram assassinadas por razões políticas. Somente entre 1988 e os primeiros meses de 1992, 9.501 pessoas foram assassinadas por motivos explicitamente políticos e se registraram 830 casos de desaparecimento. Entre 1988 e 1990, foram perpetrados 313 massacres contra trabalhadores rurais. Regiões inteiras vivem há anos debaixo do terror promovido pelo exército e seus bandos paramilitares que dizimaram movimentos populares, organizações indígenas, sindicatos e organizações políticas de oposição†[1]. Em 2006, o governo Uribe foi obrigado a destituir o chefe de Estado-maior das Forças Armadas depois da revelação de escândalos de tortura e maus tratos a prisioneiros e soldados, através de orientação da CIA que veio a público na Colómbia. Agora com Obama, as sete bases militares cumprirão este papel na repressão interna na Colómbia e será ferramenta de pressão da política imperialista aos demais países sul-americanos.
O governo brasileiro vem se diferenciando de grande parte dos governos sul-americanos, que têm afirmado que as bases seriam “assunto interno da Colómbia†. Lula tem declarado, assim como o chanceler Celso Amorim, que a iniciativa de Uribe é muito ruim para a segurança e autonomia dos países da região. Porém, não podemos esperar nenhuma postura política consequente por parte do governo Lula em tentar garantir a “autonomia†dos estados nacionais latino-americanos diante do imperialismo norte-americano. Lula tem se destacado como liderança internacional por mediar os mais importantes conflitos entre o bloco bolivariano e os interesses do imperialismo na região, porém se destaca como um grande aliado dos interesses norte-americanos, sempre buscando nos momentos fundamentais um alinhamento com a política de Washington, como foram os casos das reuniões da OEA e durante a formação da UNASUL. Lula, entretanto, precisa se delimitar todas as vezes que Washington buscar cavar novas posições na América Latina sem recorrer ao intermédio do Itamaraty, como ocorreu desde então. Temos o exemplo do papel cumprido pela presença militar norte-americana na formação dos grupos de extermínio para-militares hondurenhos e seu papel direto na formação dos arquitetos do golpe militar que ocorre hoje em Honduras. As bases militares na Colómbia vêm em substituição àantiga base militar de Manta no Equador, e darão um salto qualitativo na reação interna do regime colombiano, ao mesmo tempo em que manterão os demais países sob vigia e pressão. É necessário que façamos as mais duras denúncias sobre a iniciativa imperialista e da medida reacionária e subserviente do governo Uribe em relação às investidas imperialistas na América do Sul.

[1] Repressão e tortura na Colômbia: informes internacionais e testemunhos nacionais / Comitê Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos

Artigos relacionados: Internacional









  • Não há comentários para este artigo