Nacional

As novas greves de Jirau e Santo Antônio insistem em mostrar o que o governo e a burocracia querem esconder

29 Apr 2012   |   comentários

Os trabalhadores de Jirau e de Santo Antônio voltaram a paralisar suas atividades nas últimas semanas. Novamente as péssimas condições de trabalho, altas cargas horárias com intensificação do trabalho faz dos canteiros de obras enormes cenários de superexploração, recordistas em acidentes de trabalho e “campeões†em maus tratos de forma geral.

As greves e mobilizações dos trabalhadores da construção civil, que já haviam marcado o ano de 2011, podem estar antecipando o que pode ser uma nova fase de recomposição ofensiva do movimento operário no país. Em primeiro lugar, são paralisações que demonstraram a verdadeira realidade dos trabalhadores brasileiros por detrás do discurso ufanista do governo.

Como de costume, a própria experiência dos trabalhadores nos processos de luta vem fazendo-os avançar. Atualmente, começaram a adotar a demanda de equiparação salarial para igual trabalho – uma demanda que se choca diretamente com a burocracia sindical da CUT e da Força, que nos acordos por cima com o governo e empreiteiras continuam defendendo a terceirização.

Enquanto isso, o governo e a burguesia não abrem mão de todos os seus instrumentos para fazer retroceder esse processo. Assim como no ano passado, a justiça logo deixou claro a serviço de que classe está. O TRT considerou a greve ilegal e abusiva, determinando a volta imediata ao trabalho. Também havia autorizado o desconto dos dias não trabalhados, além da prisão de quem impedisse colegas de ter acesso ao canteiro de obras.

O governo utilizou também seu braço armado, com um contingente de mais de 200 homens da força de segurança nacional, a mesma que reprime os negros e pobres nas favelas haitianas e cariocas, somados com batalhões especiais da PM para reprimir os trabalhadores, impedirem sua organização, reuniões e assembleias, militarizando toda a obra.

Nem assim conseguiram derrotar os trabalhadores, que continuaram em greve, realizando piquetes de mais de mil trabalhadores, e organizando, segundo relatos, reuniões e assembleias escondidas para driblar a polícia e a patronal.

Porém, mais uma vez o papel decisivo foi cumprido pela burocracia sindical governista. CUT e Força Sindical foram determinantes para fechar um acordo rebaixado, mas não sem receberem a resposta de indignação da vanguarda dos trabalhadores que os vaiaram e atiraram pedras contra seu carro de som, chegando depois a incendiar parte dos alojamentos de Jirau. Mesmo com a traição da burocracia, a força do movimento levou a conquistas parciais, como o não desconto dos dias parados, como queria o TRT.

A CSP-Conlutas como um todo, a partir do importante sindicato da construção civil do Pará, deve se mobilizar desde as bases para levar sua solidariedade ativa e fazer dessas lutas um exemplo nacional, fazendo claras exigências em primeiro lugar àCUT nesse sentido.


Em defesa dos operários da construção civil!

Abaixo a militarização das obras e criminalização dos lutadores!

Pelo controle operário democrático da produção em todos os canteiros!

Trabalho e salário digno para todos! Igualdade de salários e direitos!

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