Teoria

CICLO "POR QUE TROTSKY?"

As ideias de Leon Trotsky àfrente

02 Nov 2012   |   comentários

Em base a esse “terreno fértil†que a bancarrota capitalista tem deixado à s ideias revolucionárias é que a Liga Estratégia Revolucionária (LER-QI) - como parte da concretização no Brasil de uma iniciativa que a Fração Trotskista – Quarta Internacional vem desenvolvendo em diversos países -, vem impulsionando o clico de palestras sobre Trotsky, começando por algumas universidades de São Paulo e reuniões de trabalhadores, com algumas centenas de (...)

Sobre a ofensiva de palestras e debates no Brasil e nas diversas seções da Fração Trotskista – Quarta Internacional

Leon Trotsky dizia que épocas reacionárias não só debilitam e isolam a classe operária de sua vanguarda, mas rebaixam o nível ideológico do movimento em seu conjunto. Passados mais de trinta anos sem revoluções, com a forte ofensiva neoliberal, tratava-se para os marxistas revolucionários de conservar as posições ideológicas, pois nelas se concentravam a cara experiência do passado. Entretanto, começa a se esvair a terrível “noite de três décadas†para o proletariado internacional: com um cenário recessivo advindo da crise econômica, as primeiras experiências da juventude e do proletariado (ainda sem a força de uma ação independente e organizada) se afloram pelos diversos cantos do globo em processos de alcance mundial.

Precisamente nesse cenário que o nome de Trotsky se aponta com enorme força como alternativa revolucionária para a crise capitalista e aparece nos círculos iniciais como um “espectro†: em meio a novos livros publicados, em artigos, resenhas, entre intelectuais e em novas gerações de trabalhadores que não pagaram o preço de viver os tempos de cão da restauração capitalista e da degeneração stalinista, os jovens operários e estudantes (ainda em espaços de vanguarda) que tomam contato com as ideias de Trotsky estudam com honestidade a teoria e o programa e se fascinam com o vigor revolucionário de seus escritos. Sua força reside justamente em nos legar uma estratégia revolucionária que permitiu as melhores respostas nas revoluções e contrarrevoluções no século XX (das quais devemos resgatar as ricas experiências históricas) e já se demonstra efetiva para os desafios colocados no século XXI.

Em base a esse “terreno fértil†que a bancarrota capitalista tem deixado às ideias revolucionárias é que a Liga Estratégia Revolucionária (LER-QI) - como parte da concretização no Brasil de uma iniciativa que a Fração Trotskista – Quarta Internacional vem desenvolvendo em diversos países -, vem impulsionando o clico de palestras sobre Trotsky, começando por algumas universidades de São Paulo e reuniões de trabalhadores, com algumas centenas de estudantes e operários nas diversas cidades.

Brasil: o clima reformista e a adaptação da esquerda

Enquanto as mudanças na economia internacional avançam a passadas largas, a política, enquanto força material de massas, tarda a acompanhar. Assim, ainda que no mundo vivenciamos primeiras expressões políticas dos efeitos da crise, com especial destaque para o conjunto de levantes revolucionários no Oriente Médio e Norte da à frica - a chamada Primavera à rabe -, no que tange ao “fator subjetivo†ainda passamos por um enorme atrasado, carregando o terrível entulho ideológico da restauração capitalista, expresso nas organizações da esquerda internacional com diversas formas de adaptação ao regime e, na esquerda trotskista em particular, um esfacelamento da estratégia revolucionária, expresso na perda da centralidade revolucionária da construção de um partido leninista de combate, com independência política da burguesia e munido de uma estratégia soviética, alimentando todas as iniciativas de auto-organização e democracia operária na classe.

No Brasil, o cenário de certo modo se agrava, na medida em que os efeitos da crise não se fazem sentir ainda com o mesmo teor dramático para a classe operária e, em paralelo, a herança lulista no governo Dilma continua com toda a força, mantendo ainda um clima reformista e gradualista, com expressões ainda localizadas de enfrentamento pela esquerda ao governo, em greves de setores do funcionalismo público ou combates dos setores mais precários da classe trabalhadora, como parte de “elementos transitórios†na situação.

Nesse sentido se torna chave a luta política contra o petismo e o governismo e àforte adaptação que vemos na esquerda frente a esse cenário, conformando organizações e partidos bastante “conciliados†ao regime burguês e renegando uma estratégia trotskista para a emergência de um partido operário revolucionário no Brasil.

Trotsky no Brasil: as sessões do seminário em São Paulo, Campinas e Marília

Em meio àforte adaptação da esquerda, à“miséria do possível†no trabalho político, ao sindicalismo e ao rotineirismo em conformidade com o velho modo petista de militar, ao vale tudo eleitoral etc., nossa Liga busca utilizar as forças que tem concentradas no intuito de ocupar o espaço ideológico nas universidades e no movimento operário para colocar as ideias de Leon Trotsky com toda força para setores mais amplos de novas gerações.

Nesse sentido, começamos o ciclo com uma rodada de debates para dezenas de trabalhadores com setores de diversas categorias sobre a vida de Leon Trotsky e sua obra O Programa de Transição no mês de Setembro [1]. A partir destas iniciativas concentramos nas universidades estaduais paulistas um ciclo de quatro palestras nas cidades de São Paulo, Campinas e Marília.

Sob o norte da pergunta “Por Que Trotsky?†, que animava todo o seminário, começamos a primeira sessão com um auditório lotado com mais de 150 pessoas refletindo sobre a experiência das Revoluções na Rússia (1905 e 1917). Em Campinas, também com um auditório cheio alcançando cerca 130 pessoas, debatemos o processo da Revolução Alemã de 1923 e o legado teórico de Trotsky na reflexão sobre a tática e estratégia na época imperialista. Em Marília, terceira sessão do ciclo, dezenas de estudantes estiveram presentes para a reflexão sobre o processo da Revolução Espanhola, onde chocamos a estratégia de Trotsky com as demais estratégias, sobretudo o anarquismo, com o qual houve um debate vivo durante a mesa nas intervenções.

O ciclo pretende terminar sua primeira parte numa última sessão do seminário, que ocorrerá na USP no dia 8 de Novembro, às 19h, debatendo a crise capitalista e a necessidade da reconstrução da IV Internacional!

Em todas essas mesas partimos da perspectiva incondicional de resgatar as ideias de Trotsky, colocando com isso em xeque as diversas perspectivas e derivas estratégicas lançadas na história e reproduzidas nas organizações de esquerda atuais. Além disso, buscamos escancarar uma porta do marxismo revolucionário nas universidades, que por vezes se abre àdiscussão do “marxismo†(acadêmico) na medida em que não sejam ideias subversivas àordem capitalista vigente dentro e fora delas, ideias essas “filtradas†através da casta da burocracia acadêmica, que rege com mãos de ferro as estruturas antidemocráticas da universidade e que quer colocar cada vez mais as ideias produzidas aí a serviço dos interesses do capital financeiro e as empresas.

Em diversos países, colocamos as ideias de Trotsky àfrente

Esse combate nas universidades e no movimento operário por penetrar a teoria revolucionária e os debates políticos do marxismo revolucionário não se desenvolveu apenas no Brasil. Em diversos países na América Latina e Europa a Fração Trotskista impulsionou atividades para colocar as ideias de Trotsky àfrente e combater todos os vícios e derivas estratégicas da esquerda no cenário mundial.

Na Argentina, onde se realizou os primeiros seminários sobre Trotsky, a Juventude do Partido de los Trabajadores Socialistas (PTS) impulsionou um ciclo de algumas palestras com Christian Castillo, dirigente nacional do partido, que ocorreram em faculdades em cidades como La Plata e Buenos Aires num total (no conjunto das conferências) de milhares de estudantes e jovens operários nas sessões.

No Chile, o Partido de Trabajadores Revolucionarios (PTR) realizou uma verdadeira jornada em meados deste ano, percorrendo os meses de Maio, Junho e Julho com pelo menos 16 palestras em diversas universidades centrais de cidades como Temuco, Santiago, Valparaiso e Autofagasta, uma verdadeira ofensiva sobre o marxismo de Leon Trotsky.

No México, a Liga de Trabajadores por el Socialismo (LTS-CC) realizou um grande ato no Museu Casa de Leon Trotsky - onde se coordenam os materiais e memória no último país em que esteve o dirigente revolucionário - com a presença de pelo menos uma centena de pessoas. Com um bom público a Liga de la Revolución Socialista (LRS) também realizou uma excelente ato em homenagem a vida e a obra de Leon Trotsky na Costa Rica. E contra o clima reformista e de adaptação proveniente de governos como Evo Morales, conseguimos impulsionar outra forte atividade de lançamento das Obras Escolhidas de Trotsky na Bolívia, com a Liga Obrera Revolucionaria (LOR-CI), que também serviu como importante ato.

Por fim, na Europa, além de iniciativas de Boletins e Revistas que viemos lançando para divulgar as ideias de Trotsky em países como Alemanha e o Estado Espanhol, conseguimos reunir cerca de 80 pessoas numa atividade na França impulsionada pela Courant Communiste Revolucionnaire, país que é berço da liquidação da esquerda dita trotskista em projetos de partido amplo como NPA – já demonstrando sua falência histórica no percurso da crise econômica.

Em todos esses países, acreditamos que criar espaços de debate e luta teórica e política contra o reformismo e a adaptação de esquerda, buscando resgatar os fios de continuidade da estratégia trotskista e do legado teórico e político de Leon Trotsky é parte fundamental de preparar fortes organizações para atuar de modo determinado junto ao proletariado e fazer que os capitalistas paguem pela enorme crise que eles gestaram, apontando a necessidade da revolução proletária socialista como a alternativa mais atual do século XXI.

[1Ver texto “Dezenas de trabalhadores se reúnem com a LER-QI no Sintusp para discutir o ‘Programa de Transição’†, em http://www.ler-qi.org/spip.php?article3617

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