Educação

As escolas de Eduardo Paes como linha de produção

15 Dec 2014   |   comentários

Como se fosse um ato falho, a publicidade deixa escapar a ideologia de classe que estrutura o projeto educacional da prefeitura do Rio que é, claro, da elite carioca. Não só as crianças são postas na esteira mecânica, mas o projeto de educação é também colocado na linha de produção.

Quem leu os jornais do domingo 7 de dezembro e os dos dias seguintes no Rio de Janeiro pode ter visto esse anúncio da prefeitura do Rio promovendo o seu programa Fábrica de Escolas do Amanhã. No anúncio 3 crianças sentadinhas nas suas carteiras escolares, uma atrás da outra, numa esteira metálica com a frase:

"NOSSA LINHA DE PRODUÇÃO É SIMPLES: CONSTRUà MOS ESCOLAS, FORMAMOS CIDADÃOS E CRIAMOS FUTUROS"

Publicidade que acabou tendo o efeito contrário ao, talvez, perseguido pela Secretária de Educação do Rio de Janeiro. No lugar de promover o projeto das fábricas de escolas do amanhã, provocou críticas ao projeto educacional de Paes, e que associaram o anúncio com a cena do filme The Wall da banda Pink Floyd, e ao caráter opressor que "The Wall" critica. Mas não é esse a análise mais profunda que podemos fazer.

Como se fosse um ato falho, a publicidade deixa escapar a ideologia de classe que estrutura o projeto educacional da prefeitura do Rio que é, claro, da elite carioca. Não só as crianças são postas na esteira mecânica, mas o projeto de educação é também colocado na linha de produção. Nesta sociedade em que tudo é mercadoria, a educação pública também é permeada pela lógica de mercado, alinhando os filhos dos trabalhadores no projeto de sociedade da burguesia. Do futuro da burguesia. O estudante é formado com o mínimo necessário para ser força de trabalho. Um "cidadão" útil àsociedade. Dos ricos.

Os ataques que a educação está sofrendo, no Rio, onde escolas foram fechadas para garantir os lucros da FIFA, ou onde o governo estadual veta recursos para educação na UERJ ou ainda o ano passado onde Eduardo Paes desconheceu o direito de greve dos professores lhes impondo o corte de ponto ou ameaçando demitir os professores que fizerem greve no estagio probatório claramente não procuram defender ou melhorar a qualidade da educação. Muito pelo contrario. E não é no rio só. Os ataques contra a educação aparecem claramente em precarizações do ensino e das condições de trabalho como é o caso dos professores categoria O em São Paulo que lutam contra as 21mil demissões de professores dessa categoria. Ataque que acaba também caindo nas costas dos professores efetivos, que terminam assumindo jornadas de até 65 horas semanais, o que diminui logicamente a qualidade do ensino.

Os cortes nos recursos da educação avançam na direção do projeto de privatização do ensino e de todos os serviços públicos. As escolas e o sistema educacional são geridos como empresa, maximizando os lucros e minimizando os custos. E em qualquer serviço público isso se traduz em constante e crescente precarização e diminuição da qualidade do ensino, ou da saúde ou do transporte.

O prefeito Eduardo Paes esqueceu que a esteira mecânica da linha de produção do programa "Fábricas de escolas do futuro" só faz parte da montagem dos módulos para a construção material dessas escolas, e não na produção de força de trabalho para seu projeto de cidade, ou pelo menos esqueceu que não é jogo mostrar esses seus interesses abertamente.

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