Sábado 20 de Julho de 2019

Internacional

LUTA DE CLASSES NOS EUA

Aprovada reacionária lei anti-sindical e de arrocho fiscal em Wisconsin (EUA ) Mas as mobilizações continuam

21 Mar 2011   |   comentários

O governo proto-fascista do Tea
Party (republicano) de Scott Walker
aprovou finalmente a lei anti-sindical
e de recorte orçamentário no Estado
de Wisconsin, Estados Unidos. Após
quase um mês de mobilização dos
professores do Estado e dos trabalhadores
públicos, com o apoio dos estudantes,
numa dura queda de braço
também pelo alto entre republicanos
e democratas - com forte presença
de Obama -, Walker cumpriu com sua
plataforma reacionária para enfrentar
a crise capitalista.

Numa crise histórica de aumento
do déficit público, com uma previsão
de momento mais crítico desde 1945
para os EUA, o governo de Wisconsin
impôs, por cima da opinião pública
que apoiava aos trabalhadores, aos
sindicatos somente o papel de negociador
coletivo salarial (mesmo neste
caso são proibidos acordos superiores
ao índice inflacionário), proibindo o
direito de greve e tornando o instrumento
dos trabalhadores um mero negociador
de mesa com os governos e
os patrões. Não bastasse, aumentou
os impostos aos trabalhadores, o que
lhes custará cerca de 8% do salário,
e recortou o orçamento a ponto de
levar a uma diminuição brutal do efetivo
de trabalhadores públicos.

O caso de Wisconsin tornou-se debate
nacional e já vem sendo copiado
em Estados como Ohio e Indiana e
ao todo 17 Estados pretendem aprovar
a mesma medida. Assim, o debate
posto àmesa se apresenta como
a principal plataforma contra Obama
e os democratas para as eleições de
2012. O Tea Party e a onda republicana
que no ano passado impôs uma
derrota ao governo democrata, elegendo-
se sobre um discurso reacionário,
tenta desta maneira levar os EUA
a uma onda direitista se preparando
com as mãos de ferro para enfrentar
os trabalhadores num processo que
possivelmente se torne mais de massas
como anuncia a crise capitalista.
Ou seja, preparar as bases para um
governo mais bonapartista de ultra-
- direita para atacar os trabalhadores
é a plataforma em jogo.

Os sindicatos historicamente ligados
aos democratas se colocaram
contra as medidas de ataque, pois
para além de enxergarem a medida
enquanto redutora de seu importante
poder político, já se preparavam
também para ganhar força diante
das eleições de 2012. Os deputados
democratas que chegaram a sair do
Estado para boicotar a votação, obrigados
a voltar pela polícia de Walker,
prometeram recolocar o debate no
Congresso estadual para fazer retroceder
a lei assim saírem vitoriosos
diante a opinião pública.

Há entretanto, um terceiro ator que
coloca em desespero aos dois lados
das alturas: os trabalhadores. Desde
as lutas contra a Guerra do Vietnã na
década de 1970 que não se viam mobilizações
tão importante (chegando
a colocar 100 mil nas ruas) como as
que seguem acontecendo ainda depois
da aprovação da lei. Os revolucionários
nos colocamos pela defesa
incondicional dos sindicatos - enquanto
ferramenta histórica de combate
dos trabalhadores - contra o ataque
do governo. Batalhamos ao mesmo
tempo, para que os trabalhadores e
a juventude travem esta luta independente
dos governos, patrões e mesmo
das direções sindicais burocratas e
governistas. É preciso que os trabalhadores
defendam o sindicato e o retomem
para sua luta e sob seu próprio
controle, para assim se armarem para
os combates de classes que a etapa
histórica que se abre anuncia.

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