NENHUMA REFORMA NO REGIME PINOCHETISTA!

Aprofundar a aliança de estudantes e trabalhadores nas ruas

27 Aug 2011   |   comentários

Os dois dias de paralisação, as barricadas, as assembléias por estruturas, as marchas estudantis e de trabalhadores, as intensas batalhas contra a polícia demonstraram que existe no Chile um embrião de aliança operária e estudantil que começa a colocar medo no governo de Piñera. Lançaram mão de uma enorme repressão contra a mobilização, que resultou na morte de Manuel Gutierrez, um jovem estudante de 16 anos. Ontem pela noite se organizaram, em distintos pontos de Santiago e de outros estados do Chile, manifestações de repúdio àmorte de Manuel Gutierrez. Se gritava "Companheiro Manuel Gutierrez! Presente! Agora! E Sempre! E quem o matou? A polícia!".

A perspectiva que está colocada agora é de se aprofundar o descontentamento social, avançando nas bandeiras pela educação gratuita e melhoria das condições de vida. Mas as direções deste processo, como a CUT e a Confech, dirigidas pelo PC, estão buscando aproveitar as debilidades do governo de Piñera para controlar o movimento de massas e conduzí-lo a uma saída de "reformas cosmésticas" deste regime pinochetista. Camilla Vallejo, principal dirigente estudantil do PC e uma das figuras mais conhecidas de todo o processo, em seu discurso no 2o dia de paralisação dizia "precisamos aprofundar esta democracia".

Isso significa que todo o ódio que se viu no combate com a polícia, toda a forca dos estudantes se organizando desde suas estruturas, toda a potencialidade que expressou a classe operária entrando, ainda que parcialmente, como ator deste processo, tudo isso tenta ser canalizado pelo PC para que se aprofunde a democracia existente, fazendo reformas, propondo formas "plebiscitárias" de governo, para melhor localizarem-se enquanto partido numa possível "segunda transição" no Chile - em alusão àtransição da ditadura para esta "democracia dos ricos".

Os militantes do PTR chileno, organização irmã da LER-QI, vem rechaçando toda e qualquer política que busque desviar os enormes protestos que vem ocorrendo a uma saída reformista. Por isso, além de avançar na auto-organização dos estudantes e trabalhadores (com assembléias, participação da base, delegados eleitos e revogáveis) e de uma política consciente de auto-defesa (com comitês votados para enfrentar a repressão) será necessário empreender uma grande luta política contra as direções reformistas deste movimento para que o embrião de aliança que se expressou nas ruas durante os dias 24 e 25 não seja transformando em posições mais favoráveis ao PC chileno, mas sim em avanço da luta de classes com protagonismo da classe operária permitindo que todas estas mobilizações consigam não somente fazer cair a educação privada de Pinochet, mas também este regime podre que carrega a herança da ditadura.

Santiago, Chile, 27/08/2011









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