Internacional

MASSACRE NA UCRÂNIA

Alemanha: Indignação e luto ante o massacre de Odessa

11 May 2014   |   comentários

Domingo passado, em Berlim, se juntaram ao redor de 300 pessoas para manifestar seu luto e indignação ante o massacre perpetrado por parte de simpatizantes do governo pró-imperialista de Kiev em Odesa, que causou a morte de 43 pessoas e deixou muitos outros feridos.

Domingo passado, em Berlim, se juntaram ao redor de 300 pessoas para manifestar seu luto e indignação ante o massacre perpetrado por parte de simpatizantes do governo pró-imperialista de Kiev em Odesa, que causou a morte de 43 pessoas e deixou muitos outros feridos. A manifestação denunciou a cumplicidade do governo alemão com o novo governo que agora militariza a Ucrânia do leste e chamou àsolidariedade com as forças antifascistas. A manifestação terminou na simbólica Oranienplatz que há um ano e meio é um símbolo do movimento de refugiados na Alemanha, para mostrar a relação entre a política imperialista da Alemanha na Ucrânia e as conseqüências da política imperialista a nível mundial.

No dia 2 de maio se mobilizaram em Odessa unidades paramilitares do “setor vermelho†e grupos aliados ao novo governo de Kiev, que marcharam pelas ruas, atacando e aterrorizando acampamentos de protesto e aos habitantes com coquetéis molotov. Depois que grupos antifascistas e pró-russos se atrincheiraram na “casa do sindicato†, os grupos de choque a incendiaram. Mais de 30 pessoas morreram por conta do incêndio ou ao tentar fugir das chamas, entre eles um ativista da organização de esquerda, Borotba. Várias outras pessoas morreram nos conflitos na rua, deixando um total de 43 mortos. A polícia não fez nada para impedir o massacre ou diretamente detiveram pessoas que escaparam da “casa do sindicato†. A candidata a presidenta pró-imperialista, Julia Timoschenko, justificou o incêndio do edifício. No domingo alguns milhares de manifestantes assaltaram ao edifício policial e reivindicaram a liberação dos ativistas pró-russos.

Repudiamos categoricamente este ataque de grupos fascistas e manifestantes pró-governamentais contra os opositores ao governo pró-imperialista de Kiev, sem que isso signifique qualquer tipo de apoio político às forças pró-russas que defendem, em última instância, os interesses do capitalismo russo. Este ataque obviamente se desenvolve no marco de uma ofensiva massiva do governo de Kiev que se baseia no apoio dos EUA e da UE contra os “rebeldes†no leste e no sul do país, que deixou vários mortos. As forças imperialistas, com os EUA e Alemanha àcabeça, estão diretamente envolvidas nesta escalada militar, que torna muito mais próxima uma guerra civil reacionária. Rechaçamos, neste sentido, as acusações hipócritas do imperialismo que tenta unilateralizar a responsabilidade russa no conflito.

Evidentemente, isto não quer dizer que ignoramos a grande responsabilidade de Putin e seu governo em incentivar a grupos “separatistas†, o que fomentou as bases do desenvolvimento de uma situação dramática e que poderia desembocar em uma guerra civil reacionária. Atuando assim, Putin buscava melhorar sua relação de forças ante o imperialismo para defender os interesses dos capitalistas russos. Ao mesmo tempo, a Rússia tenta aproveitar a crise, aparecendo como um apoio às massas descontentes pela situação econômica degradada e pelas medidas tomadas pelo novo governo de direita e pró-imperialista. Sua presença militar na fronteira com a Ucrânia vai no mesmo sentido.

O imperialismo e seus aliados necessitam atualmente do apoio dos grupos proto-fascistas, por mais que isso comporte várias contradições. Isto tem como conseqüência aumentar a tensão da situação. A Alemanha, por esse apoio concreto, tem responsabilidade pelo assassinato mais brutal dos trabalhadores e militantes de esquerda em Odessa. Por isso é necessário desenvolver um movimento anti-imperialista na Alemanha que enfrente a ingerência alemã.

Nem a submissão ao imperialismo sob os planos de ajuste do FMI e a UE, nem a incorporação àFederação Russa, que defende seus próprios interesses reacionários representa uma solução para os trabalhadores e as massas oprimidas da Ucrâni. A classe trabalhadora deve rechaçar o intento, tanto de Putin, como do governo pró-imperialista de Kiev, de dividí-la entre Leste e Oeste. Tanto os trabalhadores do Leste como os do Oeste devem ver claramente que seus inimigos são os capitalistas, tanto os imperialistas como os russos e seus aliados oligarcas locais.

Com isso não queremos negar as diferenças e particularidades culturais e nacionais da Ucrânia. Mas o proletariado não pode deixar que esta questão seja “resolvida†pelo imperialismo ou pelo capitalismo russo. Isso só traria mais sofrimento para os explorados. Ao contrário, cremos que só um governo dos trabalhadores e das massas oprimidas, independente das variantes políticas burguesas, poderia dar uma resposta de fundo e garantir a autodeterminação nacional para as massas, na luta por uma Ucrânia realmente independente e socialista.

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