Movimento Operário

Alckmin "presenteia" metroviários com demissões na véspera de natal

25 Dec 2014   |   comentários

Declaração da agrupação Metroviários Pela Base, que constrói o Movimento Nossa Classe, sobre as demissões no Metrô de São Paulo.

Em plena véspera de Natal , os 23 metroviários reintegrados da última greve receberam cartas de desligamento do Metrô e foram novamente demitidos. Em 19 de dezembro, o Metrô cassou a liminar através de um mandato de segurança apreciado pela Desembargadora Iara Ramires da Silva Castro, a mesma que também cassou a liminar dos 10 primeiros trabalhadores que haviam sido reintegrados. Com isso, 38 funcionários terão um Natal amargo com seus familiares e uma virada de ano cheia de inseguranças – afinal, até as audiências, que determinam a validade das dispensas e se iniciam no fim de janeiro, a única certeza é a de estarem desempregados.

Mas esse “presente de natal†não foi comprado apenas pela direção do Metrô: esse presente teve como seu principal colaborador o governador tucano Geraldo Alckmin, que manda e desmanda no Judiciário paulista, de modo que as decisões ali tomadas estejam de acordo com a sua política de governo. Alckmin lidera juízes e desembargadores sempre alinhados com patrões e empresários. Aprovar medidas como essa tem o único objetivo cassar o direito constitucional de greve dos trabalhadores e seu direito de lutar pelas suas reivindicações e pela população.

Os 42 metroviários foram demitidos em junho desse ano como parte de uma política do governo do PSDB no estado de São Paulo e, junto ao PT no governo federal, para impedir a continuidade da greve e não colocar em risco a roubalheira dos investimentos da Copa do Mundo no Brasil.

Está na hora do Sindicato dos Metroviários construir uma campanha política que até agora não construiu!

Desde o fim da greve, com a concretização das 42 demissões, grande parte da diretoria do Sindicato dos Metroviários optou por um caminho legalista para defender os demitidos. A essa escolha, não vinculou a necessidade da defesa jurídica com uma campanha política pela readmissão através de um verdadeiro plano de luta construído na base da categoria, que colocasse na mobilização o centro da batalha pela volta dos trabalhadores demitidos. Essa confiança – de que simplesmente no terreno da Justiça é possível conquistar a readmissão – está na contramão do caráter da Justiça, em particular no estado de São Paulo.

Não é a primeira vez que Alckmin e o PSDB fazem do Judiciário paulista um verdadeiro quintal de suas mansões de luxo. No inicio de 2012, foi o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo que expediu a reintegração de posse da ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), onde milhares de famílias foram retiradas com bombas e balas de borracha em uma ação truculenta da Policia Militar.
Além disso, há seis anos, os sucessivos governos tucanos (que completarão 24 anos seguidos no poder com este mandato de Alckmin) mantêm na “Justiça dos patrões†a demissão política de Claudionor Brandão, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP, que representa um obstáculo para o desmonte da universidade pública, política que faz parte da agenda do governo estadual há décadas.

Chamamos os diretores do Sindicato dos Metroviários e as correntes que o compõe a rever essa política. Não podemos mais depender de decisões judiciais e ficarmos àmercê sem nenhum tipo de mobilização. Nós, do Metroviários Pela Base, já iniciamos uma campanha com fotos em solidariedade nos locais de trabalho, a qual consideramos que o Sindicato deve apoiar e ajudar a difundi-la a partir de já.
Além disso, o ano de 2015 deve iniciar com a construção de um verdadeiro plano de luta na base, com ações concretas como o agendamento de protestos, novos recursos jurídicos, busca de apoio junto a intelectuais e artistas, paralisações e uma assembleia da categoria que aprove esse plano, indicando que o Metrô de São Paulo vai novamente parar se os metroviários não forem readmitidos. Só dessa forma é que podemos exercer uma pressão real nas decisões da Justiça e fazer com que o fiel da balança pese para o nosso lado, o dos trabalhadores, e não dos patrões!
Conlutas e Intersindical devem fazer imediatamente um chamado a construção de uma campanha nacional pela readmissão dos Metroviários!

Muitos trabalhadores pensam que não temos força suficiente para derrotar o governo Alckmin em São Paulo. E principal fator que leva a isso é a política de colaboração das principais centrais sindicais em manter o atual regime político de dominação dos patrões e construir a passividade nos locais onde atuam, como fazem CUT, CTB, Força Sindical, UGT etc. Podemos ver isso na categoria com a política, encabeçada pela CTB e pela CUT, de desmoralização da última greve, tentando fazer com que os trabalhadores tirem uma conclusão equivocada de que lutar foi errado, fazendo assim o jogo do governo.

A Conlutas, a Intersindical e a Unidos Para Lutar, que estão a frente do Sindicato dos Metroviários deve exigir imediatamente que essas centrais rompam com essa política de colaboração e coloque todo seu aparato para a defesa dos trabalhadores.
Para isso, é preciso que essas centrais e coletivos organizem medidas concretas de solidariedade de classe nas bases das categorias onde atuam, construindo uma mobilização em nível nacional que pressione e obrigue a burocracia sindical a encampar a defesa dos metroviários. É preciso mais do que nunca seguir o exemplo dos trabalhadores da USP, que tem sido a principal categoria a tomar medidas concretas de solidariedade desde o inicio da greve dos metroviários, organizando fotos com trabalhadores nas unidades de trabalho, manifestações dentro das estações do Metrô e chegaram a incluir como pauta de sua greve a readmissão dos metroviários.

É mais do que urgente colocar em pé uma grande campanha nacional organizada por todas as centrais sindicais e organizações populares e que já tenha como primeira tarefa a organização e preparação de atos e protestos nos dias de cada audiência dos grupos dos demitidos que começarão em janeiro, combinado com um plano de luta construído na base da categoria para reverter as demissões.
É possível derrotar o governo Alckmin e trazer os metroviários de volta. A única luta impossível de se vencer é aquela a qual nós não entramos. Se há luta, podemos triunfar!

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